Memória: Teatro Municipal de São Paulo

Com ou sem Mario Botta, um restauro após o outro

Entre as figuras de proa da arquitetura contemporânea mundial, o suíço Mario Botta é um dos que mais vezes esteve em terras brasileiras

Sua mais recente estada aqui, mais especificamente em São Paulo, ocorreu em meados de junho. Botta integrava a comitiva da prefeitura de Milão que participou da Feira e Congresso Internacional de Cidades - Urbis 2004, realizada naquele mês na capital paulista.

A presença do arquiteto na delegação milanesa justificava-se por ser ele o autor da renovação do Scala, célebre teatro daquela cidade italiana (projeto de Giuseppe Piermarini, inaugurado em 1778), no qual inseriu dois volumes - fato que lhe rendeu a ira dos mais puristas. No auditório da Secretaria de Relações Internacionais da prefeitura, Botta discorreu sobre sua participação no projeto, que, a rigor, concentrou-se no desenho das novas construções, já que o trabalho de restauro foi realizado pela arquiteta veneziana Elisabeta Fabri, especialista na área.

Durante sua estada em São Paulo, a Secretaria Municipal da Cultura levou-o até o Teatro Municipal (projeto de Ramos de Azevedo), com o objetivo de que opinasse a respeito do restauro da fachada da edificação, então anunciado pela prefeitura. Isso porque, recentemente, o departamente de patrimônio histórico do município e a equipe de arquitetos do teatro, em um diagnóstico do prédio, constataram a necessidade de recuperar a fachada.

A visita de Botta ao Municipal levou a imprensa a cogitar que a prefeitura estivesse articulando sua participação no trabalho - especulação desmentida pelo secretário municipal da Cultura, Celso Frateschi. Se fosse verdade, a mais indicada seria Elisabeta, reconheceu o secretário.

O curioso na história é que nem faz tanto tempo assim que o Municipal passou por grandioso restauro. Na edição 112, de julho de 1988, PROJETO publicou reportagem mostrando, com destaque, as obras de recuperação interna do edifício. Três anos depois, em setembro de 1991, na edição 145, a revista voltaria ao tema, informando que havia sido concluído o restauro da fachada do histórico prédio. O texto afirmava que “as fachadas estavam bastante deterioradas, sobretudo as placas de arenito, um elemento decorativo em tom rosado aplicado sobre a alvenaria”.

Na época, a recuperação da fachada, contratada junto à empresa Restauro, custou ao contribuinte 7,5 milhões de dólares. Então, passados pouco mais de dez anos, não seria cedo demais para falar em novo restauro? O fato é que, de lá para cá, o edifício não foi submetido a manutenção adequada. Esse descaso está orçado em 2 milhões de reais.

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 294
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