Triptyque: Agência Loducca

Membrana flexionada de madeira recobre exterior da edificação

Localizado no bairro do Jardim América, em São Paulo, o edifício proposto pelo escirtório Tryptique para a Loducca reproduz os gráficos tridimensionais de conforto térmico e acústico elaborados no desenvolvimento do projeto

A arquitetura evidencia seus artifícios de intermediação ambiental com o entorno, em desenho mais abstrato do que literal. Flexionadas, as réguas de cedro, resistentes à ação do tempo, ora se afastam, ora se aproximam da edificação na face norte, conforme a maior incidência de ruídos e calor nos pontos em que as lajes tocam ou não os limites externos.

No térreo, transversalmente dividido em ambiente de espera e na agitada sala de operações e atendimento, a pele de madeira é côncava e afastada cerca de quatro metros no ponto médio da fachada. Resguardam-se os ambientes internos de acesso e recepção, suscetíveis ao ruído da via frontal.

“Esse é um ponto referencial para as curvaturas externas”, explica Carol Bueno, uma das sócias do Triptyque, referindo-se à ação desse trecho em relevo contra a maior interferência dos ruídos de aceleração dos automóveis - a construção está localizada próximo da esquina com a avenida Brasil.

Nos andares superiores, a alternância de laje estendida e meia laje gera as inflexões na madeira, um esquema orgânico de transição ao traçado convexo e à redução do distanciamento até cerca de 25 centímetros da fachada.

Decorre daí a criação da galeria externa, uma espécie de terraço semifechado e com contorno orgânico, que funciona como área de relaxamento. O espaço tem ambiência que evidencia as origens de sua criação, tamanho o grau de calor e som externo retidos nessa câmara da fachada.

Internamente, a agência tem a sobriedade dos materiais simples e áreas coletivas de trabalho. Boa parte dos revestimentos é feita com concreto aparente, inclusive o piso cimentado, que se estende em grandes superfícies, quase sempre livres da intervenção de divisórias verticais.

Assim, as lajes desfrutam de boa parte da luminosidade natural, sutilmente filtrada pelas fachadas principais. Ou seja, a exemplo da luz indireta incidente pela membrana de madeira, também a face posterior ameniza a radiação e a luz externas através de grafismo linear, conformado pela alternância de vidro transparente e painéis fixos de vidro translúcido.

Esta face se requadra e orienta o paisagismo do jardim dos fundos (onde se reproduz, com vegetação, o desenho dos vidros translúcidos), uma área de amplas dimensões e também utilizada como espaço de reunião.


Tryptique

O escritório Triptyque reúne os arquitetos franceses Greg Bousquet, Guillaume Sibaud, Olivier Raffaelli e a brasileira Carolina Bueno, todos formados em 1999 pela Escola de Belas-Artes de Paris. Na França, desenvolveram, com o arquiteto Yann LeSaëck, projetos para vitrines de Jean-Paul Gaultier, Cacharel e Isabel Marant, entre outros. No Brasil, venceram, em 2000, concurso para projetos do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro; posteriormente, constituíram escritório em São Paulo



Ficha Técnica

Agência Loducca
Local São Paulo, SP
Início do projeto 2005
Conclusão da obra 2007
Área do terreno 1.059 m2
Área construída 1.000 m2
Arquitetura, interiores e luminotécnica Triptyque - Carolina Bueno, Greg Bousquet, Guillaume Sibaud e Olivier Raffaelli (autores)
Paisagismo Peter Webb
Elétrica HS
Hidráulica CZN
Ar condicionado Disarcon
Estrutura Osmar Baptista Antunes
Fundações BGF
Construção Bassani Arquitetos Construtores
Fotos Leonardo Finotti

Fornecedores

GGF (concreto)
Esmara (madeira dos brises)
Mogmetais (metálica dos brises)
Pilkington, Revglass (vidros)
Quartzopel (revestimentos das fachadas)
Reka (luminárias)
Walmetal (ferragens)

Texto de Evelise Grunow| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 333
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