Ruy Ohtake: Interior do Hotel Unique, São Paulo

Nuvens de MDF

O programa do hotel foi disposto de forma simples e inteligente, para encaixar-se no volume: a área de eventos está completamente enterrada e, assim, a porção aflorada (lobby e apartamentos) possui grande recuo, com 35 m, ocupado por um jardim de arenito, pedra também utilizada na área pavimentada com mosaico português. Esse jardim de pedras, imaginado pelo arquiteto e criado por Gilberto Elkis, torna-se um mural quando visto do alto.

O edifício tem dois acessos principais, implantados em cada uma das extremidades, junto das empenas de concreto, sob o maior pé-direito do arco invertido. Ali, eles se comportam como dois grandes átrios externos. “É um projeto urbano: só uma grande cidade poderia ter um espaço como este”, diz Ohtake, apontando para os vazios do volume.

O primeiro acesso, à direita de quem chega, abre-se para o lobby do hotel. A porta de entrada, com 7,5 m de altura, é feita em fibra de carbono rasgada por um visor irregular de vidro.

A intenção de transparência e definição volumétrica é acentuada pela continuidade, no interior, do forro de madeira que reveste a face inferior do volume dos apartamentos.

A pureza do arco revestido de cobre e madeira contrasta com os diversos volumes, de concreto e vidro, que compõem o térreo. O primeiro deles, em concreto aparente com pigmentação preta, será utilizado para exposições ou uma pequena loja de design. Voltada para a face sul, a porção frontal que está fora da projeção do arco possui cobertura e fechamento com vidro, cuja caixilharia é composta por estrutura metálica tensionada. Nesse trecho, o caixilho é interceptado por quatro painéis de concreto (recurso bastante recorrente na obra de Ohtake) para dar, segundo o arquiteto, “escala humana” à monumentalidade do lobby.

Na porção próxima ao acesso do local de eventos, uma grande parede de concreto se contorce, como uma folha virada, à la Frank Gehry. Os interiores têm a configuração de um tradicional lobby de hotel com bar anexo.

Mas, não existe recepção formal, e os funcionários (que circulam pelo espaço) utilizam computadores de mão para fazer reservas e fechar contas, entre outros serviços.

O segundo acesso, na extremidade oposta ao primeiro, é utilizado como entrada do centro do eventos, ao qual se interliga por escadas rolantes. O interior desse espaço enterrado também foi desenhado por Ohtake. As salas são circundadas, de um lado, por um grande lobby e, do outro, por corredores de serviço e pela cozinha.

A sala maior (com 1.200 m2 e forro com “nuvens” de MDF) é central e pode ser subdividida em cinco. O setor possui ainda quatro salas menores, com áreas que variam de 45 m2 a 55 m2.

Texto de Fernando Serapião| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 272
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