AsBEA 2016 - Prêmio Roberto Aflalo

Ode à excelência e à experimentação

A qualidade, produtividade e inquietação da arquitetura do FGMF Arquitetos foi merecedora da condecoração máxima desta edição do Prêmio AsBEA, concedida ao conjunto da obra dos arquitetos paulistanos. Uma conquista que tem muito a dizer sobre a maturidade profissional deste escritório que, surgido em 1999, comemorou recentemente seus quinze anos de existência

O ano de 2016 termina como momento marcante na carreira do FGMF Arquitetos, escritório paulistano de arquitetura liderado por Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz. Simultaneamente à distinção máxima que alcançaram neste Prêmio AsBEA - o Prêmio Roberto Aflalo, pelo conjunto da obra - o trio de arquitetos formados pela FAU/USP lançou em novembro o livro comemorativo pelos seus quinze anos de atuação, completados em 2015, no qual apresentam um apanhado da sua prolífica atuação, que já computa mais de 350 projetos desenvolvidos. São casas, escritórios, edifícios residenciais e comerciais, fábricas, peças de mobiliário, projetos de intervenção urbana, sedes de clubes, entre outros. Uma proposta de escalas e programas variados, desenvolvidos com o espírito investigativo de um estúdio, mas amparados pela regularidade de uma organização empresarial.   

Eles começaram a trabalhar juntos ainda enquanto estudantes, em 1999, cursando o 4º ano da faculdade, e já em 2003 conceberam o seu primeiro projeto premiado: o Instituto Viver, em São Paulo, localizado em uma comunidade carente do bairro do Morumbi, zona sul de São Paulo. O trabalho, que sedia a instituição homônima e se desenvolve através de duas edificações entremeadas por pátio aberto, foi vencedor do prêmio colombiano Rogelio Salmona, que homenageia projetos latinoamericanos qualificados pela existência de espaços semi públicos.

De lá para cá as distinções só fizeram se multiplicar, o que reflete a produtividade e excelência das criações do FGMF. São mais de 80 prêmios e menções, entre os quais figuram mais de uma dezena recebidos em edições anteriores deste Prêmio AsBEA. Em 2010 foram quatro, em 2012 sete, em 2014 outras três, até o ápice, agora em 2016, com a conquista do Prêmio Roberto Aflalo.

A não especialização faz parte dos seus planos e identidade, o que se aplica tanto aos programas e linguagem da arquitetura que desenvolvem, quanto no processo de trabalho. Indagados sobre o seu método criativo, costumam assinalar a experimentação como eixo, mantendo como aliado o pé constante no canteiro de obra. O olhar atento à materializarão da arquitetura, assim, foi gabaritando os arquitetos a conquistarem sempre novas frentes de atuação.

Se o Instituto Viver concedeu a eles o primeiro prêmio de destaque da carreira, o projeto de uma casa de campo, a Casa Grelha, de 2007, na Serra da Mantiqueira, foi o primeiro de grande repercussão na mídia especializada. Impressiona a forma como a construção se assenta e desenvolve no lote através de uma malha regular de madeira e aço em que se alternam cheios (construídos) e vazios (o transpasse do espaço aéreo do terreno pelas vigas da casa). A grelha, assim, é sintomática de uma premissa onipresente no seu trabalho, a da relação filtrada do edificado com a luz natural, expressa por áreas abertas, mas cobertas, que fazem a transição entre dentro e fora.

Um princípio, contudo, que assume formas variadas, como na suspensão que fizeram do núcleo simbólico de um escritório de advocacia em São Paulo, em 2008.

A biblioteca é pendurada no eixo da laje, o que simultaneamente concede a ela destaque visual e faz com que o espaço não tenha interrupções aparentes, interpenetrando-se mutuamente os setores do programa. Para isso, os arquitetos precisaram interferir estruturalmente no edifício existente, reforçando a laje que sustenta os livros. É nesta relação entre técnica e espacialidade, e também materialidade, que se inspira a arquitetura do FGMF. Por vezes de forma explícita, como na fachada de muro gabião da agência de publicidade Rex, em São Paulo, e na Casa das Pergolas Deslizantes, de Bauru.

Também o conjunto comercial Corujas, que conceberam para a Idea!Zarvos na Vila Madalena, em São Paulo, é fruto de tal tripé. Ele é composto por blocos lineares de escritórios separados por pátio central aberto, vedados nas faces externas com painéis de madeira e nas internas com fachadas de vidro. Inserido em região na qual se adota gabarito reduzido, o empreendimento foi viabilizado pela iniciativa dos arquitetos na investigação de lajes mais esbeltas, o que permitiu semi elevar o térreo, diminuindo o volume de escavação da garagem e sem comprometer a quantidade de pavimentos. 

Com tamanho êxito alcançado nesta década e meia de trabalho do FGMF, há porém novas frentes de trabalho na mira dos sócios: projetos institucionais (fórum, sede administrativa), culturais (um museu cairia bem) e de equipamentos urbanos (uma estação de transporte público). Arquiteturas que continuem a tirá-los da zona de conforto, estimulando a investigação de novas lógicas e frentes de atuação. Pois, na palavra do trio, “descobrir o que fazer, essa é a graça”. 

FGMF ARQUITETOS

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 434
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