PERFIL: FGMF Arquitetos

Urbanidade de espiral ascendente

O panorama arquitetônico da rua Cajaíba, na vila Pompeia, zona oeste da capital paulista, é quase estéril. Ainda que - como outros prédios públicos - padeça pela falta de obras de manutenção, a Escola Estadual Brigadeiro Faria Lima é uma honrosa exceção. A esse respiro de boa arquitetura naquele trecho da via somou-se, há poucos meses, o de um edifício residencial, o Aruá, implantado exatamente em um dos lotes que ficam na calçada oposta à da escola.

Trata-se de um condomínio de apartamentos de alto padrão com unidades de diferentes configurações e metragens - no início de maio, no portal vivareal.com.br, os apartamentos disponíveis estavam cotados por valores que variavam de 1,5 milhão até 5,3 milhões de reais. O empreendimento é da Idea!Zarvos. Projetado na mesma época que o Árbol - de autoria do escritório português Carvalho Araújo (veja nesta edição) - e o Flora - do Gui Mattos Arquitetura (PROJETO 441, janeiro/fevereiro de 2018) –, o Aruá (que, naquele momento, ainda não possuía tal denominação) apresenta em comum com seus dois contemporâneos o fato de ter sido construído um pouco além do perímetro costumeiro de atuação da incorporadora: a vila Madalena e seu entorno imediato.

Em seu trecho inicial, a rua Cajaíba está em cota mais alta. O lote onde foi implantado o Aruá está em patamar inferior, porém plano, sendo que a rua Paris, com a qual o terreno faz esquina, cai ainda mais – para se ter ideia, o desnível entre as faces principal e posterior do prédio alcança quase 20 metros. A área mais baixa foi anexada ao terreno original para ampliar o potencial construtivo, relata Fernando Forte.

Equacionar a implantação em uma topografia tão particular foi um dos problemas enfrentados pelo projeto. Outra condicionante relevante era a legislação urbanística que, na região, limita o gabarito a 25 metros. A solução cunhada pelo escritório deu caráter pessoal à edificação, porém sem resvalar na ostentação visual; ao contrário, ainda que aposte em formas distintas nos principais volumes, a combinação resultou harmoniosa.

Assim, o que se consumou é um arranjo que, de forma positva, impacta urbanisticamente o entorno e que - dentro das condições proporcionadas pelo terreno – tratou de assegurar vista panorâmica ao maior número possível de unidades.

O texto publicitário anuncia o Aruá da seguinte maneira: “Um eixo. Quatro volumes se unem formando apartamentos fora do comum. Você não escolhe só o apartamento. Escolhe também a fachada”. O eixo mencionado é a caixa de circulação vertical em concreto aparente. Esses quatro volumes possuem configurações distintas, tanto no que se refere aos materiais (caixilhos e revestimento) quanto aos gabaritos.

É a aglutinação deles em torno de um centro que traz a sensação de uma espiral ascendente, conforme argumenta Forte, movimento que o arquiteto acredita ter motivado a escolha do nome do condomínio. “Aruá quer dizer caracol. Nele, uma espécie de espiral une seus volumes e cria terraços amplos e inusitados” registra o folder do empreendimento.

Na distribuição, três dos quatro volumes possuem plantas parecidas na maior parte dos pavimentos - as unidades voltadas para a rua lateral (externamente marcadas pela tonalidade grafite do revestimento) são as que desfrutam da melhor vista. É no volume voltado para a rua lateral que também está o apartamento (cobertura) de maior dimensão. Já o volume posicionado na esquina (predominando um revestimento sintético parecido com madeira no acabamento externo) soma dois apartamentos dúplex. Abaixo deles fica a piscina.

Separado pelo jardim e hall de entrada, o outro volume alterna o revestimento exterior de tom mais escuro com janelas de correr de tonalidade amadeirada. O limite interno/ externo é definido por uma moldura retangular em concreto aparente complementada por ripado metálico na mesma cor das janelas. O térreo, de pé-direito duplo, onde se destacam as colunas em concreto, traz contida monumentalidade ao espaço.



Ficha Técnica

Edifício Aruá
Local São Paulo (SP)
Início do projeto 2013
Conclusão da obra 2018
Área do terreno 1.562,00 m²
Área construída 3.668,30 m²
Arquitetura FGMF Arquitetos Fernando Forte, Lourenço Gimenes, Rodrigo Marcondes Ferraz (autores); Ana Paula Barbosa, Sonia Gouveia (coordenadores); Adriana Pastore, Alessandra Musto, Carolina Matsumoto, Caroline Endo, James Smaul, Juliana Fernandes, Juliana Nohara, Luciana Bacin, Rodrigo de Moura, Vera Silva, Wanessa Simoe (colaboradores); Carla Facchini, Fernanda Silva, Fernanda Veríssimo, Gabriela Eberhardt, Nara Diniz, Otávio Araújo(estagiários)
Incorporador Idea!Zarvos
Construtora Lock
Estrutura e fundações Monteiro Linardi Engenheiros Associados e MGA
Instalações elétricas e hidráulicas Criarq Projetos e Gerenciamento, FEP
Paisagismo Camila Vicari e Rodrigo Oliveira
Luminotécnica Castilha Iluminação
Aquecimento Jorge Chaguri
Fotos Rafaela Netto

 

Fornecedores

Atlas Schindler (elevadores)
NDA e Madeiras Ecológicas (fachadas)
Reale e Madeiras Ecológicas (forros)
Alloy, Omega Light, Revoluz, Lemca (luminárias)
Pedras Bosso (mármores e granitos)
Eliane, Portobello (pisos)
Pormade (portas)

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 443
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