COLUNAS

Desenvolvimento urbano

O desenvolvimento de um país está atrelado ao de suas cidades, que assumem crescente importância como representantes das expressões políticas, sociais, econômicas, culturais e de gestão dos territórios circunvizinhos. A qualidade urbanística representa a competência das gestões municipais e o domínio da política como instrumento de conciliação dos inúmeros interesses em jogo nos processos de crescimento, transformação e requalificação urbana.

O próprio conceito de democracia poderá ser reformulado a partir das políticas urbanas, em contato direto com as reais necessidades e aspirações da sociedade. Centros de poder e de decisões, as grandes cidades precisam lidar internamente com inúmeros e variados conglomerados sociais, e externamente com a gestão de governança de áreas metropolitanas.

Resulta vital a importância da arquitetura e do urbanismo como instrumentos de configuração do espaço construído e guardiões do patrimônio cultural e ambiental, e também como orientadores das gestões políticas em benefício do interesse geral. Novos paradigmas definem a qualidade do desenvolvimento urbano, as condições para as cidades serem eficientes, saudáveis, seguras, convidativas, socialmente justas e politicamente integradas.

A eficiência se manifesta, principalmente, na qualidade do transporte público. A solução para a mobilidade representa o maior desafio nas gestões das cidades brasileiras, é a origem do processo efetivo de transformação urbana. A condição de saudável se manifesta no nível de saneamento, provisão de infraestrutura básica, tratamento de resíduos e preservação de recursos naturais, indicadores elementares da confiabilidade que a cidade oferece para a vida em comunidade.

A segurança se materializa na permeabilidade e grau de integração social que os edifícios oferecem. Arquitetura que faz cidades através de soluções estimulantes da apropriação e controle do espaço público pelas pessoas, garantem a segurança e o convívio civilizado. Para ser convidativa, a cidade se reflete na qualidade dos espaços públicos, na acessibilidade e dignidade das calçadas e mobiliário urbano, e no estímulo à integração social que oferece sua arquitetura. Socialmente justas e politicamente integradas são cidades geridas com políticas de participação e inclusão social, especialmente na promoção da cidadania e da qualidade urbana nas áreas mais carentes.

Os desafios da cidade contemporânea no Brasil são as bandeiras defendidas pelo IAB ao longo de sua história quase centenária, destinada a valorizar a arquitetura e o urbanismo como manifestações culturais da sociedade brasileira e instrumentos de promoção e transformação social.

 

Roberto Ghione, arquiteto, é formado pela Universidad Nacional de Córdoba, Argentina. Especializado em Crítica Arquitetônica, Preservação do Patrimônio e Planejamento Urbano, é Titular do escritório Vera Pires e Roberto Ghione Arquitetos Associados, e Presidente do IAB/PE.

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 437
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