COLUNAS

Arquitetura sob mudança

Recentemente arquitetos e urbanistas de todo o Brasil se reuniram em Belo Horizonte e Inhotim para discutir as dimensões da inovação. Tratava-se da convenção nacional da AsBEA, quando representantes de importantes escritórios de arquitetura e urbanismo brasileiros passaram três dias falando de cidades, projetos, design, negócios, gestão, neuroarquitetura e comportamento. Seriam estas as dimensões da inovação? Essa pergunta permeou as diversas discussões do evento e se ampliou a cada discussão.

Sem dúvida, o pilotis proposto por Le Corbusier e o plano piloto de Brasília de Lúcio Costa são exemplos de inovação em arquitetura e urbanismo. Uma intervenção criativa em uma moradia popular, com recursos escassos, criando um ambiente acolhedor e cumprindo uma função social também seria uma inovação?

Se pensarmos em termos mais amplos, certamente a resposta será sim. Os locais de trabalho e as moradias tendem a ser cada dia mais compartilhados. É um caminho sem volta. Portanto, não será um inusitado plano urbanístico ou um novo elemento construtivo que representará uma inovação, mas sim uma forma de projetar inovadora, dentro desta realidade. A cidade do futuro certamente não será como as grandes metrópoles atuais.

Essa constatação já é uma unanimidade. As pessoas não conseguirão suportar tantos deslocamentos, muitas vezes passando três a quatro horas diárias nos trajetos de ida e volta do trabalho. Os home offices já são realidade e tendem a se firmar como opção viável. A moradia próxima aos locais de plena infraestrutura, comércio e serviços, será uma exigência. Mas o modelo de negócio de arquitetura e urbanismo se manterá sempre como oficina de serviços? Provavelmente por pouco tempo.

As demandas da sociedade, cada dia mais conectada e exigente, certamente já são outras e a cada dia serão mais diversas. O mundo de aplicativos e de agilidade de informações exigirá que os profissionais se adequem com urgência. A neuroarquitetura é um ramo da neurociência que identifica com muita clareza as influências dos espaços, cores e sensações no dia a dia de todos. Essas constatações já implicam em uma nova visão da forma de projetar, buscando a satisfação dos usuários e o atendimento de suas inúmeras necessidades.

Administrar uma cidade de forma eficiente e organizar as legislações urbanas de maneira sustentável são desafios dos mais difíceis e necessários para os gestores. O desenvolvimento de uma região depende, em grande parte, das ferramentas de gestão pública. Os processos públicos precisam ser ágeis e transparentes.

Diante de tantos desafios, temos uma certeza: vivemos num mundo que se transforma de maneira alucinante. Portanto, a arquitetura e urbanismo certamente devem acompanhar essas mudanças. Cada vez mais compartilhamos informações, espaços, meios de transporte e moradia. Os arquitetos e urbanistas que quiserem se manter no mercado terão que se adaptar a essa nova realidade.

Danilo Batista é arquiteto e urbanista, formado na Escola de Arquitetura da UFMG em 1983, e mestrando em Gestão e Processos de Engenharia. Diretor da D&P Arquitetura, é Presidente da AsBEA-MG

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 438
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