Studio Paralelo: Residência, Bento Gonçalves, RS

Variações nas aberturas definem ritmo da fachada

O volume proposto remete a uma caixa de alvenaria pintada de branco, contida em um pavilhão de concreto suspenso

Os arquitetos do Studio Paralelo, escritório sediado em Porto Alegre, projetaram a residência Bertolini, no município de Bento Gonçalves, RS. O volume proposto remete a uma caixa de alvenaria pintada de branco, contida em um pavilhão de concreto suspenso. Na fachada principal, a casa tem o desenho ritmado pelas aberturas: é permeável no acesso, controlável na área social e hermética no setor íntimo.

O projeto desta residência foi elaborado por um trio de arquitetos - Luciano Andrades, Rochelle Castro e Valéria Bertolini (que atuou no escritório Studio Paralelo até o ano passado) - para uma família de Bento Gonçalves, município localizado na região serrana, a cerca de 120 quilômetros da capital do Rio Grande do Sul. Afastado do centro da cidade, o terreno originalmente integrava uma propriedade rural.

Ele tem conformação praticamente uniforme - com 32 x 30 metros, é quase um quadrado - e topografia plana na porção maior. O único acidente é um declive no limite norte, na parte onde há um conjunto de araucárias, árvores nativas da serra gaúcha. Assim como a topografia e a geometria do lote, o desenho da residência possui formas puras e concisas: o volume é um retângulo de 9 x 37 metros em concreto armado ligeiramento suspenso do solo, dividindo em dois o trecho plano do terreno.

Na fachada sul, voltada para a rua, a construção tem ritmo determinado pelas gradações de aberturas. Essa variação decorre da disposição espacial interna e inclui a completa translucidez no acesso, a combinação de opacidade e transparência na área social (“permeabilidade controlada”, na definição dos autores) e o hermetismo quase absoluto no setor íntimo - este é quebrado por rasgos circulares, que se repetem em zenitais junto da entrada.

Na face norte, prevalecem as aberturas mais generosas, com planos envidraçados que buscam aproveitar a vista da paisagem e estabelecem a conexão entre interior e exterior. Os arquitetos organizaram o programa em dois pavimentos. No térreo elevado, o acesso e a varanda conformam um espaço aberto em L, que integra as porções frontal e posterior da residência. Internamente, a circulação acompanha a fachada da frente, avançando desde a entrada até a suíte, em percurso que transpõe primeiro os ambientes de serviço, depois a área social e, por fim, o setor íntimo.

No nível inferior, em semi-subsolo, foram implantadas a garagem e a adega. “Complementamos o programa com uma edícula que, separada do volume principal, abriga o forno a lenha, um sanitário e o reservatório de água”, relata Andrades.

Assim como a linguagem é concisa, o repertório de materiais especificados também é mínimo. Foram empregados essencialmente concreto armado convencional, alvenaria rebocada e esquadrias de alumínio com vidros termoacústicos, além de gradis metálicos corrediços.

Luciano Andrades e Rochelle Castro, titulares do Studio Paralelo, formaram-se em arquitetura, em 2002, pela Universidade Luterana do Brasil (RS). A arquiteta Valéria Bertolini graduou-se na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (RS) em 2001 e atuou no escritório até 2007. O Studio Paralelo, fundado em 2002, desde 2007 está associado ao estúdio uruguaio Maam, de Montevidéux

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 344
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