Paulo Cesa Filho: Residência, Gramado - RS

Linguagem contemporânea e arquitetura vernacular

No projeto, Cesa recorreu à madeira como principal elemento construtivo, utilizando-a à maneira da tradicional arquitetura gramadense

A linguagem, contemporânea, faz uso de materiais típicos da arquitetura vernacular. O projeto de Cesa incorpora elementos da tradição construtiva local e busca, na escolha dos materiais típicos da arquitetura vernacular daquela região serrana (madeira, pedra, tijolo in natura e telha metálica), uma relação harmoniosa com a paisagem.

A linguagem, no entanto, é contemporânea. “O projeto reedita alguns fetiches da tradição local sem realizar os pastiches ou simulacros tão comuns na cidade”, avalia o autor.
Segundo o arquiteto e crítico gaúcho Maturino Luz, o turismo predador estimulado pelo poder público contribuiu para que a paisagem cultural de Gramado fosse aulatinamente descaracterizada, a partir da década de 1970.

A vertente projetual adotada por Cesa, porém, busca resgatar a cultura local. O programa da residência distribui-se em dois volumes principais e um secundário, interposto. No primeiro volume, mais próximo da rua, está o estúdio, espaço de cobertura plana que tem à frente um terraço com deque panorâmico e vista para os pinheiros da borda do lago Negro.

No segundo, ao fundo e visualmente marcado por meia água, fica a casa propriamente dita. No térreo estão os setores sociais e de serviços; a cozinha se integra com os ambientes de estar e de jantar, voltados para o pátio dos fundos, no qual há outro deque e a piscina. No pavimento superior - um sótão -, os dormitórios configuram-se entre as tesouras da estrutura. Nesse mesmo nível, a conexão entre o volume do estúdio (com terraço no teto) e a casa se dá por uma espécie de ponte. Ainda entre a casa e o estúdio, acomoda-se um pátio com cobertura em vidro e a torre em tijolos dos banheiros e reservatório. Torre e ponte formam o volume secundário.

“Algumas compartimentações são feitas com painéis móveis. Com isso, o setor íntimo pode integrar-se parcialmente com o mezanino e o vazio do estar”, explica Cesa. O princípio da planta livre também está presente no estúdio, que se relaciona com a habitação por meio de portas de correr.

Da mesma forma, o autor busca a integração com os pátios. É o caso da área de jantar - a caixa de vidro das refeições, como a chama Cesa -, onde uma grande porta corre sobre trilho nos jardins dos fundos.

O sistema construtivo em madeira exibe a estrutura principal. Já a secundária é revestida, constituindo paredes duplas - pranchas dispostas horizontalmente com encaixes do tipo macho-e-fêmea - cujo interior é preenchido com isolante térmico. “A casa foi concebida para uma grande exposição solar devido ao frio característico da região e também para permitir apreciar a beleza natural do lugar através das grandes superfícies envidraçadas”, diz Cesa. O tijolo foi trabalhado de modo a formar painéis decorativos, sendo também elemento de suporte estrutural. Algumas lajes foram projetadas com cerâmica armada.

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 270

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