Edifícios escolares: Anos 90

O ensino privado faz escola. Com dinheiro público.

O ensino privado faz escola.
Com dinheiro público.
Assim, há salas de aulas funcionando em igrejas e centros espíritas, em casas abandonadas e escolas particulares fechadas e até em locais fechados por placas de compensado (E nada temos contra o compensado...).

No ensino superior, os grandes investimentos foram feitos pela iniciativa privada, que, com o número de faculdades criadas, demonstrou ser este um grande negócio, regado a dinheiro público. Segundo o jornalista Elio Gaspari, da Folha de S. Paulo, as empresas privadas de ensino obtêm recursos do BNDES - que não financia universidades públicas.

No início da década, a prefeitura de Porto Alegre construiu uma série de escolas na periferia, baseadas nos métodos de ensino de Jean Piaget. O arquiteto Flávio Kiefer participou desse processo e criou projetos marcados por pátios internos, texturas e delicada leitura urbana. Entre esses projetos, está a escola infantil Santa Rosa (1992/93; PD 172).

Os prédios para o ensino público do Estado de São Paulo continuam sendo construídas pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação (PD 236), sob a direção do arquiteto Sami Bussab. O governo federal está desenvolvendo um plano nacional para a criação de escolas, organizado pelo Fundescola (PD 247).

Empresas privadas também contribuíram com propostas que se sobressaem pela qualidade dos projetos. É o caso das escolas construídas pela Fundação Bradesco, projetadas por Luiz Paulo Conde. A primeira delas, a Matriz (1987/91), utiliza elementos do protomodernismo carioca e faz uma interpretação da topografia da Cidade de Deus, em Osasco, Grande São Paulo, onde fica a sede da instituição financeira. A continuidade do processo gerou outras escolas: em Marília-SP (PD 191), e em Goiânia (1999).

Entre os edifícios escolares construídos pelo Senac, destaca-se o de São José dos Campos (1988/92), da Central de Projetos, considerado pelos autores uma síntese do trabalho escolar desenvolvido pelo escritório.

O Instituto Santa Úrsula (PD 200) é a unidade escolar administrada por tradicional instituição religiosa de Ribeirão Preto-SP. O projeto de Siegbert Zanettini é composto por oito edificações em forma de pavilhão, divididas em três setores: esportivos, 1º/2º graus e pré-escola. O conjunto é marcado por arcadas de concreto e telhados em duas águas.

Numa década em que poucas universidades públicas foram construídas, as entidades privadas aparecem como as grandes investidoras do setor. As exceções são a Universidade Livre do Meio Ambiente-Ulma (PD 170), de Domingos Bongestabs, e o Instituto Rio Branco (PD 237), de Luiz Antônio Reis.

A Ulma está instalada em uma pedreira desativada em Curitiba. Uma torre de madeira em espiral, executada em 75 dias, é suporte para uma educação ambiental que reflete a experiência curitibana: um espaço antes ocupado pela exploração agora ensina a respeitar a natureza. Já o edifício do Instituto Rio Branco, que forma os diplomatas brasileiros, possui dois volumes - auditório e área acadêmica - divididos por uma empena em terracota. Equipamentos como bibliotecas, por exemplo, incrementaram escolas públicas.

A Universidade Federal de Uberlândia construiu duas unidades gêmeas (PD 167), em campi diferentes: Umuarama e Santa Mônica. O projeto de Paulo Zimbres e Luís Antônio Reis, que parte do pressuposto da valorização da biblioteca dentro da universidade, adotou o mesmo partido para os dois projetos. Sob pilotis, os edifícios possuem plantas quadradas e interessante fechamento com elementos vazados. Com projeto de Paulo Bruna, a Faculdade de Saúde Pública de São Paulo (PD 225) também construiu prédio para biblioteca, financiado com recursos do exterior.

Devido à atuação das instituições privadas de ensino, novas universidades pipocaram por todo país. Entre elas, a Uniso (PD 242), de Ricardo Bandeira, em Sorocaba, interior paulista. Um dos destaques é a Esan (PD 172), em São Paulo, projetada pelo escritório Brasil Arquitetura. Ali, dois volumes de concreto interligados por rampas criam uma interessante relação com o entorno. No fim da década, foi construída, na região do ABC paulista, a UniABC(PD 245). O projeto de Affonso Risi Jr. ocupa uma quadra de uma região industrial e é composto de duas lâminas lineares e paralelas. A interessante inserção - tanto topográfica como tipológica, que adota linguagem fabril - oculta a grande flexibilidade de ocupação.


Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 251 Janeiro de 2001

UniABC, em Santo André-SP,
projeto de Affonso Risi Jr.
Foto: Paulo Risi
Escola infantil Santa Rosa, em Porto Alegre,
projeto de Flávio Kiefer
Foto: Flávio Kiefer
Instituto Santa Úrsula, Ribeirão Preto-SP,
projeto de Siegbert Zanettinni
Foto: Nélson Kon
Esan, em São Paulo-SP,
do escritório Brasil Arquitetura
Foto: Sérgio Gicovate
Instituto Rio Branco, Brasília-DF,
projeto de Luís Antonio Reis
Foto: Kazuo Okubo
Biblioteca Universitária, em Uberlândia-MG,
por Paulo Zimbres e Luís A. Reis
Foto: Rubens Mano
Universidade Livre do Meio Ambiente, em Curitiba-PR,
por Domingos Bongestabs
Foto: Domingos Bongestabs

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 251

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