Edição 438: Compartilhar para somar

Uma das características do escritório SuperLimão, cujos titulares foram os nossos entrevistados nesta edição, é a criação de projetos integrados de arquitetura, interiores, branding e design. Têm como fio condutor a construção de narrativas visuais e espaciais, atuando em conjunto, em diversas escalas, fazendo com que os espaços contem histórias. Não literais, é verdade, mas que resultam da somatória de sensações capazes de dar identidade a cada um de seus projetos.

Para isso, a sua equipe multidisciplinar se lança à experimentação de materiais e sistemas - muitas vezes extraídos do universo industrial -, como é o caso do misto de luminária, eletrocalha e forro que recobre os postos de trabalho da Social Tailors, agência de marketing digital que criaram em São Paulo. Este projeto é tema de matéria nesta edição, publicado junto a outros quatro interiores de escritórios, concebidos por Ruy Ohtake, Gensler e Estúdio Penha, todos em São Paulo, e pelo Maxma Studio, em Porto Alegre. Cada qual caracterizado por seus próprios recursos para fazer dos espaços de trabalho ambientes confortáveis de se estar e convidativos à multiplicidade de dinâmicas de atuação dos funcionários: individualmente ou em equipes.

Em época de pasteurização visual, alertam os membros do SuperLimão, resultante da massiva e instantânea divulgação de imagens de arquitetura e design através de ferramentas digitais como o Instagram, é vital para os arquitetos retomarem a natureza generalista da sua formação e, assim, orquestrarem a totalidade de disciplinas envolvidas em seus projetos. Missão que, no campo da arquitetura corporativa, requer do profissional uma boa bagagem técnica - leia matéria da seção Especifique - para fazer com que os escritórios funcionem bem, com a compartimentação dos espaços cada vez menos recorrente.

Em outra escala, mas com o mesmo propósito de fazer do ambiente de trabalho um local para a troca de experiências, Gui Mattos concebeu em São Paulo um conjunto comercial - chamado Une - cujo partido é a comunicação entre duas barras laterais através de um espaço central vazio e com iluminação zenital. A circulação, assim, é feita por passarelas que atravessam o átrio e se conectam às galerias de acesso às unidades, como se uma generosa praça interna fosse o elo entre elas. Também são áreas abertas - ajardinadas e ao ar livre - que fazem a intermediação do existente com a nova construção do Sebrae MG, cujo projeto arquitetônico, vencedor de concurso público em 2008, foi criado pelo escritório Studio Prudencio. Um projeto a ser comemorado, tanto pela sua arquitetura quanto pelo fato da competição pública ter completado o seu ciclo.

E, já que as arquiteturas dessa edição compartilham o foco na boa qualidade dos espaços e interfaces de transição, destaque para os elementos vazados da Casa Brasil-Japão (novo centro cultural em São Paulo, obra conjunta de Kengo Kuma com o FGMF Arquitetos) e do Hotel Emiliano do Rio de Janeiro, integrante da seção Perfil, que Adilson Melendez escreveu sobre o Studio Arthur Casas. Em ambos os casos os arquitetos justificam a utilização de cobogós como referência à arquitetura moderna brasileira, contrapondo certa informalidade e simplicidade formal aos conturbados contextos de inserção de ambas as obras.

Nós também temos algo a compartilhar com nossos leitores. A boa notícia de, a partir desta edição, passarmos a sediar nas nossas páginas o seleto conteúdo da revista FINESTRA. Nossa parceira de casa editorial que, comandada por Cida Paiva, se dedica ao estado da arte dos projetos de fachadas e ao detalhamento dos sistemas e materiais que as compõem.

Texto de Evelise Grunow| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 438
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