Edição 437: Memória e futuro

A reverência a um mestre foi questão levantada no debate que fechou o FIAC, Fórum de Arquitetura e Construção, da feira Expo Revestir, que nesta edição de 2017 teve curadoria da revista PROJETO. Os titulares dos seis escritórios que convidamos para participar do evento (leia a seção entrevista), concordaram que não se trata de um caminho fácil, esse de eleger uma fonte de inspiração. Mario Biselli reverenciou Carlos Bratke, de quem foi aluno, assim como outro trio de arquitetos que o ensinou na faculdade: Décio Tozzi, Antônio Carlos Sant’Anna Júnior e Roberto Loeb, valorizando suas primeiras memórias de arquiteto.

Loeb, por sua vez, foi citado por outros dois presentes no debate, Vinicius Andrade e Luís Capote (seu atual sócio), enquanto Fernanda Barbara resgatou o período moderno da arquitetura brasileira, salientando, contudo, que “(...) não podemos dizer, infelizmente, que somos frutos disso, mas sim que somos devedores de uma produção e de arquitetos extraordinários. São muitos mestres”. Sua fala tem sintonia com a de Fernando Forte, para quem os grandes ídolos, como Renzo Piano, embora presentes, são referências distantes no imaginário do arquiteto. Seu sócio, Lourenço Gimenes trouxe outra questão ao assunto, dizendo que é necessária maturidade, leia-se distanciamento e autonomia, para eleger seus mestres. Com o que concorda Vinicius Andrade, para quem a reciprocidade é chave da relação mestre-discípulo.

Em meio a esse tipo de relação, foi formado Thiago Bernardes, tanto como indivíduo quanto como profissional. Ele é filho de Claudio Bernardes e neto de Sergio Bernardes, duas figuras de ponta da arquitetura brasileira. Frente às visões e caminhos distintos trilhados por Claudio e Sergio, que, por sua personalidade visionária despertou em Thiago o interesse em se tornar arquiteto, o mais jovem do trio trilhou caminho sinuoso: ora com distanciamento, ora com imersão no histórico arquitetônico familiar. Até que, em 2012, deu nova guinada e fundou a Bernardes Arquitetura. O escritório é tema da seção Perfil desta edição, na qual destacamos o convívio na empresa das obras especiais concebidas por Thiago e equipe com o que denominaram de Projeto Memória, que visa a divulgação do trabalho de Sergio e Claudio. Decorridas mais de duas décadas de carreira, assim, resolve-se a questão de mestre e discípulo.

Um novo caminho é o que estão trilhando os arquitetos do Vão. Publicamos nesta edição, com viés residencial, o projeto que desenvolveram para uma casa em Avaré, São Paulo, onde o concreto está presente, mas é o trajeto da luz, ou a experiência do espaço, como eles dizem, que conceitua a arquitetura. O AMZ Arquitetos e Marcos Franchini também têm casas publicadas a seguir, nas quais a luz incidente por pátios e o concreto são, respectivamente, protagonistas. Ainda, convidamos os leitores a desfrutarem do trio de projetos de restaurantes concebidos por Mooca Arquitetos, Isabela Vecci e o trio Gabriel Castro (Mobio), Marcos Franchini e Pedro Haruf. Boa leitura!

Texto de Evelise Grunow| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 437
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