Danilo Matoso Macedo: Residência, Brasília

Casa ganha vista e nuances de luz

Recursos como paredes soltas, grandes beirais, pergolado e varandas foram as soluções encontradas por Danilo Matoso Macedo para dispor os principais ambientes desta residência localizada no Eixo Monumental de Brasília - de frente para o lago Paranoá -, sem o impacto negativo da insolação noroeste. A casa, elevada sobre pilotis, tem vista por sobre os telhados das construções vizinhas.

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A distribuição concentrou os principais ambientes no piso superior
A distribuição concentrou os principais ambientes no piso superior
Casa ganha vista e nuances de luz
Recursos como paredes soltas, grandes beirais, pergolado e varandas foram as soluções encontradas por Danilo Matoso Macedo para dispor os principais ambientes desta residência localizada no Eixo Monumental de Brasília - de frente para o lago Paranoá -, sem o impacto negativo da insolação noroeste. A casa, elevada sobre pilotis, tem vista por sobre os telhados das construções vizinhas.

Localizado no Lago Sul, o maior bairro residencial de Brasília, o terreno tem uma das laterais voltada para o lago Paranoá e para a área monumental da cidade.

O cliente, que sempre morou na região e desfrutou dessa mesma vista, pretendeu aproveitar ao máximo tal condição do lote, mesmo que a demanda implicasse a orientação noroeste dos principais ambientes da casa, a pior possível por causa da insolação excessiva.

Para atender a essa expectativa, o arquiteto Danilo Matoso Macedo elevou a maior parte da construção sobre pilotis, aproveitando todo o limite de altura permitido pela legislação. “A intenção foi assegurar a vista desejada por cima dos telhados vizinhos”, comenta.

O programa básico da residência, que inclui sala, escritório, dormitórios, cozinha e lavanderia, concentrou-se no segundo pavimento, a fim de facilitar os trajetos do cotidiano, enquanto no térreo foram acomodados lazer, garagem, setor de serviços (equipado com monta-cargas) e instalações para empregados.

No mesmo nível, na área dos pilotis, um apartamento de dois quartos que, no futuro, servirá aos filhos do casal por ora se destina a hóspedes. A cobertura funciona como um deque panorâmico.

A proteção contra o sol para salas, escritório e suíte principal resulta da combinação de recursos arquitetônicos. O mais evidente deles é o grande beiral que contorna a casa com seu metro de largura, enquanto os espessos peitoris ganharam revestimento em mármore para irradiar o calor para fora da construção.

Detalhe da fachada noroeste
Detalhe da fachada noroeste
Recursos para o controle da insolação incluem beirais e aberturas junto à laje
Recursos para o controle da insolação incluem beirais e aberturas junto à laje
Casa elevada sobre pilotis permite a vista panorâmica
Casa elevada sobre pilotis permite a vista panorâmica
O painel de vedação com recorte horizontal resguarda o dormitório principal
O painel de vedação com recorte horizontal resguarda o dormitório principal

Também a grande janela horizontal da face noroeste é protegida por um toldo com painéis reguláveis, perfurados com apenas 5% de permeabilidade, o que, conforme detalha Macedo, “é o suficiente para apreciar a vista mesmo que eles estejam fechados”.

O aparato está fixado em uma caixa externa solta das janelas e da laje na distância necessária para permitir a entrada direta da luz quase horizontal do pôr do sol, na fresta entre o toldo e o teto.

“Com isso, no final da tarde, a casa fica tingida de vermelho”, comenta o arquiteto. As paredes externas não tocam a laje de cobertura, criando uma faixa de aproximadamente 40 centímetros que circunda todo o volume.

Sua finalidade é levar ao interior as diversas nuances da luz natural ao longo do dia e, assim, demarcar a passagem das horas.

Uma varanda coberta por pergolado protege o quarto do casal contra os excessos de insolação e, no escritório, claraboias compensam a falta de luminosidade natural quando os toldos estão fechados. O mesmo recurso foi utilizado para levar luz e ventilação naturais aos banheiros.

A casa tem estrutura de concreto, com vãos de 5,4 e seis metros, lajes nervuradas com a mesma altura das vigas - os tetos, assim, são planos, sem a interferência de rebaixos estruturais -, fechamentos em alvenaria e uma rigorosa modulação de 60 centímetros para todos os elementos e componentes.

O piso de pedra portuguesa integra áreas externas e internas do térreo
O piso de pedra portuguesa integra áreas externas e internas do térreo
Desde a sala da área de lazer é possível também contemplar a paisagem
Desde a sala da área de lazer é possível também contemplar a paisagem
A cozinha, no piso superior, conecta-se à sala de jantar por grandes painéis corrediços
A cozinha, no piso superior, conecta-se à sala de jantar por grandes painéis corrediços

Com relação aos materiais de revestimento, predominam as pedras naturais - mármore bege Bahia no formato 60 x 15 centímetros no volume superior, pedra de Pirenópolis bruta nos arrimos e pedra portuguesa integrando as áreas interna e externa do térreo.

Cozinha e sala de jantar são conectadas por grandes painéis corrediços. A integração entre os ambientes é reforçada por uma bancada contínua.


Texto de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 390 Agosto de 2012

Danilo Matoso Macedo Danilo Matoso Macedo (FAU/ UFMG, 1997) é mestre em arquitetura e urbanismo (UFMG, 2002), especialista em políticas públicas e gestão governamental (Enap, 2004) e arquiteto da Câmara dos Deputados desde 2004. Juntamente com Elcio Gomes e Fabiano Sobreira, é sócio, desde 2005, do escritório MGS - Macedo, Gomes & Sobreira. Fundou (2007) e coordena o Núcleo Docomomo Brasília. É fundador e editor-chefe da revista de arquitetura e urbanismo MDC
Croqui esquemático do corte transversal da fachada noroeste
Croqui esquemático do corte transversal da fachada noroeste
 
Vista para capital federal
Vista para a capital federal
Vista para o lago Paranoá
Vista para o lago Paranoá

Texto de Nanci Corbioli| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 390

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