Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza: Centros Educacionais Unificados (CEUs), São Paulo

Centros Educacionais Unificados (CEUs), São Paulo

Arquitetos da Divisão de Projetos do Departamento de Edificações (Edif) da prefeitura de São Paulo, Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza formularam o projeto básico dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), que estão sendo implantados na periferia da cidade.
O objetivo é, além de atender ao programa educacional, cultural, esportivo e recreativo, semear referenciais urbanos em regiões carentes.

A prefeitura começou a entregar, no segundo semestre de 2003, a pouco mais de um ano das eleições municipais, as primeiras unidades dos Centros Educacionais Unificados, dentre as 21 previstas para a primeira fase do programa. Numa segunda etapa - que deverá ser concluída até o final de 2004, segundo a prefeitura -, serão construídos mais 24 CEUs, todos em bairros da periferia paulistana.

Nas imagens, ARCOweb apresenta dois desses centros: Rosa da China, situado no bairro de Sapopemba, e Jambeiro, em Guaianazes, ambos na zona leste.

O programa apresenta notável potencial político-eleitoral, e ele certamente será explorado. Independentemente desse aspecto, porém, a proposta apresenta consistência arquitetônica nas megaescolas e uma tentativa dos autores de estabelecer referenciais urbanos significativos em bairros carentes da capital paulista.

O conceito pedagógico toma como referência o modelo escolar idealizado pelo educador baiano Anísio Teixeira, na década de 1950: as chamadas escolas-parques.

Transpondo o modelo para a arquitetura, Delijaicov, Takiya e Ariza desenvolveram um projeto básico padrão, concebido a partir de elementos pré-moldados de concreto, que também denominam praça de equipamentos. Cada conjunto tem pavilhão escolar (para educação infantil e ensino fundamental); bloco destinado a atividades culturais e quadras esportivas; parque aquático com três piscinas; e creche (edifício circular).

Vinculado ao ideário educacional de Teixeira, o projeto arquitetônico incorpora elementos encontrados em trabalhos de arquitetos que, de certa forma, estabeleceram as bases do atual Edif - Hélio Duarte, Oswaldo Corrêa Gonçalves e Roberto Tibau, entre outros.

Como arquitetura escolar pública - e em especial a de áreas periféricas -, o CEU apresenta concepção no mínimo pouco usual. De grande porte (pode receber mais de 2 400 alunos), o complexo não se intimida em abrir-se para o entorno, ainda que a paisagem, não exatamente bela, retrate as mazelas de áreas quase sempre esquecidas pelo poder público. Estabelece-se, assim, o contraste entre o referencial urbano positivo e a vizinhança empobrecida, que, a partir da presença do equipamento público de qualidade, esboça mudanças para melhor.

Edificação modular capaz de adaptar-se a vários tipos de terreno - encolhendo-se ou expandindo-se -, o pavilhão educacional distribui-se, na maior parte das vezes, em três pavimentos. No centro está posicionada a circulação vertical; as salas de aulas são dispostas nas laterais, no primeiro e no segundo andares. No térreo ficam os equipamentos de apoio às atividades didáticas - cozinha, biblioteca, brinquedoteca, área para exposições, telecentro e vestiários, entre outros.

Cores de tons fortes demarcam os ambientes ocupados por diferentes faixas etárias. Embora estejam em setores distintos do prédio, não existem separações físicas entre maiores e menores - “em casa as crianças não ficam juntas?”, compara Delijaicov.

As classes, com grandes vidraças, são voltadas para corredores de circulação dispostos nas laterais, o que permite ampla visão do exterior. O pavilhão lembra um grande navio. O desenho das fachadas, no entanto, é uma interpretação livre de quadras residenciais existentes em bairros tradicionais de São Paulo, como o Brás e a Mooca. Coberta com telhas metálicas, a edificação tem escadas também de metal e piso de granilite.

Em um edifício tão extenso, fica patente a preocupação dos autores em desenhar um bloco permeável, onde, na escala do pedestre, enxerga-se de lado a lado. Demarcando a entrada do complexo, estão as torres de água.

Para o conjunto esportivo/cultural, os arquitetos desenharam um prédio de forma retangular, fechado por alvenaria. O teatro, situado no primeiro pavimento, pode transformar-se em cinema.

Em cima fica a quadra esportiva dotada de piso flutuante - o material evita que os ruídos provenientes da prática de esportes vazem para o auditório. A cobertura de telhas metálicas tem detalhes que permitem a entrada de luz natural - por isso, durante o dia, não é necessário que todas as luzes fiquem acesas.

Em geral, o bloco cultural está isolado do pavilhão, mas, dependendo da configuração do lote, o volume aparece na mesma linha.

O “disco” - denominação adotada pelos autores - é destinado à creche. A construção, que mescla estrutura metálica e concreto, tem acesso central. O núcleo do bloco - um pequeno lobby - deverá receber móbiles (de preferência com temas ligados à comunidade local).

Impermeabilizada, a laje de cobertura recebeu uma camada de seixos que funciona como proteção à impermeabilização e como isolante térmico. À semelhança do pavilhão didático, as salas da creche permitem enxergar o exterior.

Os complexos têm ainda parque aquático com três piscinas.

Ficha Técnica

Centros Educacionais Unificados
Arquitetura Alexandre Delijaicov, André Takiya e Wanderley Ariza (concepção e coordenação do projeto); Luiz Fernando Pires Guilherme (diretor da Divisão Técnica de Projetos do Edif)
Desenvolvimento do projeto executivo WM Arquitetura; Morais + Puntoni Arquitetos Associados; Alexandre Delijaicov, André Takyia, Andrea Claro, Fernando Henriques Jr., Fernando Tavares, Patrícia Okuda e Wanderley Ariza (Edif)
Cenotécnica J. C. Serroni
Acústica Augusto Nepomuceno
Brinquedos Carlos Dias
Paisagismo Oscar Bressane

CEU JAMBEIRO
Projeto 2002
Conclusão da obra 2003
Área do terreno 70 000 m2
Área construída 13 400 m2
Estudo de viabilidade e projeto executivo de implantação Brasil Arquitetura; Apicás Arquitetos e Centro Arquitetos (colaboradores)
Revisão do projeto executivo de implantação Marcelo Suzuki Arquitetura
Fotos Blair Alden

CEU ROSA DA CHINA
Projeto 2002
Conclusão da obra 2003
Área do terreno 19 078 m2
Área construída 14 054 m2
Estudo de viabilidade Barbosa Corbucci
Projeto executivo de implantação Diretório Arquitetura
Revisão do projeto executivo de implantação Arco
Fotos Blair Alden

Fornecedores

Fornecedores CEU Jambeiro
Quadrante/Springer (ar-condicionado); ThyssenKrupp (elevador); Tupper (telha termoacústica); Sylvania (lâmpadas); Lumicenter (luminárias); Gail (piso cerâmico); Calblok (piso intertravado); Daud (piso de borracha); Orsometal (grades); Fortilit (tubos de PVC); Vemont (metálica); Deca (louças e metais sanitários); Imab (ferragens)

Fornecedores CEU Rosa da China
CPI (pré-moldados de concreto); CPC, Sinovo (estruturas metálicas); Gail, Cecrisa (revestimentos cerâmicos); ThyssenKrupp (elevadores); Daud (piso de borracha); Celite, Deca (louças); Trane (ar-condicionado); Conduspar (cabos elétricos); Arouca (ferragens); Max Volt (luminárias e lâmpadas); Oriente (metais sanitários); Grupotelha (telhas); Metaltec (serralheria)

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 284

Assine PROJETO e FINESTRA!
Acesso completo grátis para assinantes


Quem assina as revistas da ARCO pode acessar nosso acervo digital com mais de 7 mil projetos, sem custo extra!

Assine agora