Exposição revela Niemeyer artista e designer

A mostra "Oscar Niemeyer (1907-2012) – Territórios da Criação" abre neste dia 02 de abril (terça-feira), no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo e reúne trabalhos do arquiteto como artista e designer, assim como obras de grandes nomes presentes em seus projetos

Oscar Niemeyer, sem título (Catedral de Brasília), caneta hidrográfica sobre papel (Divulgação)

Após passagem pelo Rio de Janeiro (Pinakotheke Cultural) e por Brasília (Espaço Marcantonio Vilaça no Tribunal de Contas), a exposição “Oscar Niemeyer (1907-2012) – Territórios da Criação” chega ao Instituto Tomie Ohtake com a adição de algumas obras. Com curadoria de Marcus Lontra e Max Perlingeiro, a mostra reúne um conjunto inédito de desenhos, pinturas, esculturas e peças de mobiliário feitos pelo arquiteto - e traz também obras de artistas que trabalharam com ele em seus projetos, a exemplo de Alfredo Ceschiatti (1918-1989), Alfredo Volpi (1896-1988), Athos Bulcão (1918-2008), Bruno Giorgi (1905-1993), Candido Portinari (1903-1962), Franz Weissmann (1911-2005), Joaquim Tenreiro (1906-1992), Maria Martins (1894-1973), Roberto Burle Marx (1909-1994) e Tomie Ohtake (1913-2015).

“Ao longo de sua vida, Niemeyer produziu intensamente e afirmou-se não apenas como arquiteto, a primeira referência estética brasileira reconhecida em todo mundo, mas também como artista e intelectual respeitado, atuando em várias frentes do conhecimento humano”, afirma Marcus Lontra a respeito da relevância da exposição.

Raras, as duas pinturas de Niemeyer Ruínas de Brasília (1964) – uma delas nunca exposta – se juntam a 25 desenhos inéditos, que retratam com seu traço inconfundível a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha, em Belo Horizonte, a Oca e o Parque Ibirapuera, em São Paulo, o Palácio do Planalto, a Catedral de Brasília e o Palácio da Alvorada, no Distrito Federal, assim como o Caminho Niemeyer, em Niterói, e a Bolsa de trabalho, em Bobigny, na França, entre outros. A paixão pela figura feminina e suas curvas também aparece registrada nos desenhos feitos com caneta hidrográfica sobre papel. A esse respeito, Max Perlingeiro lembra que certa vez Niemeyer contou: “Eu tinha cinco, sete anos, e ficava desenhando com o dedo no ar. Minha mãe perguntava: – Menino, o que você está fazendo? Estou desenhando”.

A exposição também dedica um espaço a retratos de Oscar Niemeyer assinados por grandes fotógrafos: Antonio Guerreiro, Bob Wolfenson, Edu Simões, Evandro Teixeira, Juan Esteves, Luiz Garrido, Marcio Scavone, Nana Moraes, Nani Góis, Orlando Brito, Ricardo Fasanello, Rogerio Reis, Vilma Slomp, Walter Carvalho e Walter Firmo.

A mostra em São Paulo inclui a maquete original do trabalho de Tomie Ohtake para o Auditório do Ibirapuera - uma enorme pincelada vermelha do chão ao teto do grande hall. Há ainda desenhos, pinturas, esculturas e azulejos criados por grandes artistas para projetos arquitetônicos de Niemeyer, e que se tornaram igualmente símbolos desses espaços, como um estudo feito por Volpi em têmpera sobre cartão para a Capela Dom Bosco, em Brasília; um estudo em aquarela e duas provas de azulejos feitos por Portinari para a Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha; duas esculturas em pequeno formato como estudo para os “Candangos” e outra para “Meteoro”, de Bruno Giorgi, que estão em Brasília em escala monumental.

Móveis feitos por ele em colaboração com a filha Anna Maria (1930-2012), produzidos no Brasil e no exterior, também estão incluídos. Destaque para a Poltrona Alta, que integra a coleção criada para o Palácio do Planalto, e a Espreguiçadeira Rio, em madeira e palha.

Uma série de documentos e publicações revelam ainda sua faceta designer gráfico. Niemeyer criou a revista Módulo, na década de 1950, dedicada à arte e à arquitetura, publicada até 1964, e retomada em 1975, quando ele retornou ao Brasil. “Foi a publicação de maior prestígio no meio artístico e da arquitetura. Os mais renomados artistas e fotógrafos da época colaboraram nas suas páginas”, destaca Perlingeiro.

Para arrematar, no local será exibido continuamente o vídeo "Oscar Niemeyer: a vida é um sopro" (2006, 90’, Gávea Filmes e Pipa Comunicação), de Fabiano Maciel e Sacha, com trilha sonora de João Donato, Berna Ceppas, Kassim e Felipe Poli.

Oscar Niemeyer (1907-2012) – Territórios da Criação
Local Instituto Tomie Ohtake
Endereço Av. Faria Lima 201 - Complexo Aché Cultural (Entrada pela Rua Coropés, 88), Pinheiros, SP. Metrô mais próximo - Estação Faria Lima/Linha 4 - amarela
Abertura 02 de abril (terça-feira), às 20h
Visitação até 19 de maio de 2019, de terça a domingo, das 11h às 20h. Entrada franca
telefone 11 2245 1900

Veja algumas das imagens que integram a exposição a seguir e confira mais informações no site



Publicada originalmente em ARCOweb em 02 de Abril de 2019
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