Paulo Mendes da Rocha recebe Leão de Ouro na Bienal de Veneza

Mostra italiana também laureou a melhor mostra nacional e melhor exposição central do evento


O arquiteto Paulo Mendes da Rocha recebe o Leão de Ouro de Paolo Baratta, presidente da Bienal, e do arquiteto Alejandro Aravena, curador da edição - Foto: Ana Helena Curti

Durante a abertura da 15ª Bienal de Arquitetura de Veneza, ocorrida neste último sábado (28), foi realizada a cerimônia de premiação dos Leões de Ouro com destaque para a condecoração do brasileiro Paulo Mendes da Rocha pelo conjunto de sua obra.

Alejandro Aravena, curador desta edição da mostra italiana, salientou a importância política, geográfica e social da produção do arquiteto e urbanista capixaba, caracterizada pelo atributo da atemporalidade. “Muitas décadas depois de construídos, seus projetos resistem aos avanços do tempo, tanto em aspectos físicos quanto de estilo. Essa consistência estarrecedora é consequência de sua integridade ideológica e sua genialidade estrutural”, afirma o chileno, vencedor do prêmio Pritzker 2016, dez anos depois do Pritzker de Mendes da Rocha.

Foram concedidos ainda os Leões de Ouro para a melhor mostra nacional e melhor participação na exposição central do evento, intitulada “Reporting from the Front”, respectivamente para a Espanha (com a mostra “Unfinished”, dos curadores Iñaqui Carnicero e Carlos Quintans) e Paraguai (realizada pelo Gabinete de Arquitectura, de Solano Benitez, Gloria Cabral e Solanito Benítez).

A primeira, afirmam os membros do júri – composto por Hashim Sarkis (presidente do júri, Líbano), Pippo Ciorra (Itália), Sergio Fajardo (Colômbia), Marisa Moreira Salles (Brasil) e Karen Stein (EUA) –, foi condecorada por causa da “acurada seleção de arquitetos emergentes, cujos trabalhos demonstram como o empenho e a criatividade podem superar limites materiais e de contexto”. Já a segunda, de acordo com eles, oferece à comunidade marginalizada uma arquitetura de qualidade, feita com materiais primários, simplicidade estrutural e trabalho não qualificado.

O Leão de Prata, dado ao jovem participante promissor na exposição internacional, laureou o atelier Nlé, do arquiteto holandês Kunlé Adeyemi. O Japão e o Peru, por sua vez, receberam menções especiais na categoria mostra nacional, tendo o último apresentado, com a exposição “Our Amazon Frontline”, a “arquitetura em um canto remoto do mundo, transformado em lugar para a educação e a proteção da cultura amazônica”, segundo assinalaram os jurados. 

A 15ª edição da Bienal de Arquitetura de Veneza, em cartaz até o dia 27 de novembro, conta com uma extensa lista de 88 participantes e pretende criar novas perspectivas sobre temas globais, como criminalidade, trânsito, desperdício, poluição e imigração.

Em homenagem a Paulo Mendes da Rocha, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) lançou um selo, ou cartum, com a figura do arquiteto laureado carregando num barco seu prêmio em frente ao Pallazzo Giustinian, assinado pelo cartunista e também arquiteto Paulo Caruso.

www.labiennale.org

Publicada originalmente em ARCOweb em 31 de Maio de 2016
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