Illa: Bar, Porto Alegre

Espaço comercial com atmosfera doméstica

Escritório gaúcho reformula loft convertendo-o em casa noturna. Ambiente despojado com instalações aparentes e bar em destaque preserva a ambientação residencial

Há alguns anos, quando Eduardo Titton Fontana interessou-se pelo imóvel da rua Vasco da Gama 1020, no Rio Branco, bairro próximo da região central de Porto Alegre, o que o advogado buscava era uma nova moradia. As arquitetas Taís Machado, Cláudia Titton e Mariana Soldan Hugo, sócias do Illa, estúdio de arquitetura também daquela cidade foram chamadas para adequar a edificação existente às expectativas do cliente - a antiga casa começara a ser ampliada pelo proprietário anterior, que não tivera, porém, fôlego para concluir a empreitada.

Aproveitando a maior parte do que estava construído, a intervenção transformou a residência semi reformada em num loft – o fato de o cliente sempre receber amigos e, com frequência, organizar festas animou-as a levar adiante a proposta. A receptividade dessas reuniões e o sucesso dos eventos que organizava fez Titton cogitar transformar a casa na qual morou por cerca de três anos em um bar noturno. Foi com essa intenção que ele consultou escritórios de arquitetura para apresentarem referências (não projetos) que viabilizassem a alteração.

O Illa foi um dos estúdios que preparou sugestões e - talvez até mesmo por estar mais familiarizado com o imóvel - acabou sendo contratado para efetivar a intervenção. Em funcionamento desde o final de 2015, o Vasco 1020 consolidou-se como espaço alternativo e algo cool (também em razão de sua espacialização interna) e bastante distinto comparado a outros bares da capital do Rio Grande do Sul.

Nas informações preliminares, conforme relata a arquiteta Taís Machado, o proprietário pontuou que o empreendimento seria especializado em drinques, cervejas e chopp artesanais e de barril, e não contaria com garçons - a cozinha estaria em segundo plano. A proposta era que as pessoas que desejassem lanchar se dirigissem a cozinha, lá fazendo seus pedidos. Também ao contrário de bares convencionais, as mesas seriam em pequeno número e os assentos (cadeiras e bancos) não padronizados e de alturas variadas.

Uma das dificuldades que o projeto teve que driblar foi pequena largura da construção (são 3,40 metros) que, em compensação, apresenta profundidade quase dez vezes maior – que, em sua nova ocupação, passaria a receber maior quantidade de pessoas.

Visto da rua, o portão metálico ligeiramente recuado do pórtico de aspecto envelhecido da antiga residência parece ser apenas a entrada de uma garagem, mas seu tom amarelo intenso faz com que ele sobressaia também durante a noite. Em razão das características do imóvel (e da premissa de intervir o mínimo possível na construção), o programa foi disposto no sentido longitudinal.

No terço frontal do piso térreo, a lateral direita é ocupada pelos sanitários que são acessíveis aos portadores de necessidades especiais. No centro dessa cota, o bar (que é delimitado pelo balcão desenhado pelas arquitetas e fabricado em compensado naval) é o elemento mais forte da intervenção – a sua disposição e desenho foram exaustivamente estudados para permitir, sem atropelos, a movimentação das pessoas que ali trabalham, destaca Taís.

Alinham-se, na mesma lateral do bar, as poucas mesas, preservando o espaço para as pessoas circularem, uma vez que também no caso dos drinques e cervejas os frequentadores têm que se dirigir ao balcão para fazer os pedidos. Ao final desse piso uma escada leva a uma espécie de terraço/ jardim onde são cultivados temperos utilizados na cozinha do bar.

No piso superior, a cozinha ocupa a parte frontal e, ao fundo, fica uma área mais isolada para aqueles que, embora apreciem a noite, preferem um ambiente mais tranquilo – ainda assim, do alto, estes avistam o bar. A ambientação é despojada, com instalações aparentes, paredes despidas de acabamentos (ora em blocos de concretos, ora em tijolos aparentes) e pisos (que intercalam madeira e cimento) conservados como eram na moradia. Móveis adquiridos em antiquários ou garimpados em ferros velhos ajudam na ambientação.

Manteve-se, dessa forma, a atmosfera doméstico/rústica da ocupação anterior, porém, conforme destaca Taís, as instalações elétricas e hidráulicas foram redimensionadas, as estruturas reforçadas e a cobertura refeita com telhas metálicas do tipo sanduíche com aplicação de material acústico para evitar que ruídos perturbem a vizinhança.

Aspecto interessante do projeto é a iluminação intencionalmente amena e a inserção de pontos de elétrica distribuídos no ambiente onde abajures podem ser conectados.



Ficha Técnica

Vasco 1020
Local Porto Alegre
Data do início projeto 2015 
Data da conclusão da obra 2015


Projeto de reforma de arquitetura de interiores e mobiliário Illa - Taís Machado, Cláudia Titton e Mariana Soldan Hugo
Projeto arquitetônico residencial Uma Arquitetura – Fábio Bortoli e Gabriel Mello Vieira da Silva
Idealizador Eduardo Titton Fontana
Design de experiência e serviço Guilherme Thiesen Netto e Gabriel Andrade 
Marca, identidade visual e design gráfico Rafael Rocha 
Consultoria Acústica Antonela Sole, Solé Associados
Consultoria Luminotécnica Marta Felizardo, Filamento Luz e Arquitetura
Food Design Ricardo Yudi 
Consultoria em sustentabilidade Leonardo Márquez Brawl
Hidráulica Marcelo So 
Elétrica Evandro Babu Medeiros, Sagrada Arte em Projeto 
Projeto estrutural residencial Teisa Projetos Engenharia e Consultoria 
Projeto e execução de reforços estruturais Stumm Projeto Estrutural 
Climatização Rocha Climatização
Proteção contra incêndio e regularização Cristiano Loureiro, Kohlore Arquitetura & Construção 
Marcenaria Móveis Nova Canaã
Coordenação de obra Adroaldo Titton, ILLA 
Construção Pauger Engenharia 
Fotos Marcelo Donadussi

Fornecedores

Modullyne (esquadrias de PVC)
Artfreezer (bancada refrigerada) 
Gel Chopp (chopeira) 
Cecrisa, Eliane (revestimentos)

Publicada originalmente em ARCOweb em 16 de Maio de 2017
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