Metro conta histórias e expõe projetos em palestra no MCB

Na plateia, atentas, quase 170 pessoas ouviram as experiências do escritório paulistano que é colaborador recorrente de Paulo Mendes da Rocha

Antes de começarem a palestra, Marina Ioshii, Gustavo Cedroni e Martin Corullon observam a revista PROJETO (Foto: Fábia Mercadante)

Grife de cosméticos de origem australiana reconhecida internacionalmente, quando vai abrir loja pioneiras em um novo país, a Aesop tem como tradição encomendar o projeto dessas unidades a profissionais reconhecidos – esse costume permaneceu quando a empresa (que, no ano de 2013, foi adquirida pela brasileira Natura) – decidiu abrir sua loja na rua Oscar Freire, em São Paulo. O convidado para projetar a unidade de cerca de 50 metros quadrados de área foi o arquiteto Paulo Mendes da Rocha.

Ainda que já tivesse em seu currículo o projeto de outras lojas, o contato inicial não despertou, de imediato, o interesse do profissional que pretendia declinar do convite. Foi então que Martin Corullon e Gustavo Cedroni, sócios do Metro Arquitetos, e um dos habituais parceiros do premiado arquiteto (no Brasil apenas ele e Oscar Niemeyer são detentores do prêmio Pritzker) interviram e conseguiram convencer Mendes da Rocha a aceitar a encomenda à qual o estúdio de Corullon e Cedroni se incorporou.

Essa foi uma das várias histórias que a dupla narrou para uma atenta plateia - compareceram cerca de 170 pessoas, a maioria estudantes - na noite da última quarta-feira, 30 de agosto, durante a palestra que, ao lado e sua sócia Marina Ioshii, eles realizaram no Museu da Casa Brasileira (MCB) – o encontro foi a terceira edição do ano do ciclo de palestras promovido pela PROJETO, portal ARQ!BACANA e MCB. Os sócios do Metro Arquitetos foram convidados para falar de seus processos e parcerias.

Corullon lembrou também que as primeiras colaborações iniciaram-se na sua época de aluno da FAU/USP, onde Mendes da Rocha era professor, com destaque para os projetos expográficos – ele especula que seja talvez por isso que os trabalhos posteriores desenvolvidos junto ao antigo mestre tenham a cultura como fio condutor - até agora, a parceria de maior envergadura nesse segmento se deu no Cais da Arte, complexo de cerca de 27 mil metros quadrados de área construída que está em construção em Vitória.

A capital capixaba é a cidade onde nasceu Mendes da Rocha – o projeto do Cais da Arte, composto por museu e teatro foi um dos projetos expostos e detalhados no evento – uma enorme praça sombreada na enseada do Suá é a descrição sucinta da proposta. Uma maquete montada apenas com papel (técnica sobre a qual Mendes da Rocha possui um domínio quase que absoluto) foi o ponto de partida do futuro museu e o resultado do que foi construído até agora mostra notável fidelidade com a concepção inicial.

Antes do Cais das Artes, o Metro havia criado com o arquiteto a sede da Galeria Leme, no Butantã, em São Paulo – anos depois, o edifício foi demolido e o terreno adquirido pela Construtora Odebrecht que, no local, construiu sua sede. O modelo que eles criaram para a galeira foi, de certa forma, replicado, na nova Galeria Leme (construída a duas quadras do antigo local). Dessa vez o projeto foi apenas do Metro Arquitetos - “tivemos a oportunidade de acertar os erros que cometemos no primeiro”, revelou Corullon, num misto de seriedade e brincadeira.

Ambas as edificações foram objeto da palestra no MCB. Outro projeto relacionado à cultura que os sócios do Metro apresentaram à plateia foi o da galeria Casa Triângulo, localizada na rua Estados Unidos, nos Jardins, em São Paulo. Nesse caso, partes da edificação anterior (onde funcionava uma locadora de vídeo) foram aproveitadas na configuração do novo espaço expositivo – a galeria é visualmente caracterizada pela vedação em chapas de policarbonato autoportantes e translúcidas.

A Ladeira da Barroquinha, em Salvador, foi o exemplo mostrado de como o Metro acredita que devam ser as intervenções urbanas em áreas degradadas. Nesse caso, além de urbanistas eles também foram agentes ativos na articulação da intervenção da qual participaram o Banco Itaú e a prefeitura da capital baiana - antes do projeto da Barroquinha, tinham assinado o projeto de modernização do Espaço Itaú de Cinema, que fica nas proximidades. Foi graças à insistência deles que os materiais empregados nesse espaço público têm o mesmo padrão de qualidade dos utilizados nos interiores do cinema.

Outra experiência peculiar do escritório foi o projeto do Refettorio Gastromotiva, no Rio de Janeiro, espaço que começou a funcionar no ano passado no período dos Jogos Olímpicos naquela cidade. Cedroni praticamente se mudou para o local para acompanhar a implantação do projeto cujo desenvolvimento se deu praticamente simultâneo às obras – há pouco meses da abertura dos Jogos, o chef italiano Massimo Bottura, que participava da iniciativa junto com David Hertz, esteve a ponto de desistir por não acreditar que a construção ficaria pronta a tempo.

Corullon também deu detalhes da colaboração póstuma com Lina Bo Bardi – o escritório conseguiu fazer com que os célebres cavaletes criados pela arquiteta para expor as obras do Museu de Arte de São Paulo, edifício por ela projetado, retornassem à sua função original (haviam sido abandonados pela administração anterior do Masp). Pontuou ainda sobre as obras em andamento das novas instalações do Instituto de Tecnologia da Aeronáutica, em São José dos Campos (resultado de uma concorrência pública).

Encerrou mostrando cortes, plantas, fachadas e fotos da Casa BN, em São Paulo - o Metro projetou uma casa cujo proprietário não tem ideia de quem será - o contratante construiu o imóvel para venda. Para desapontamento dos autores, um dos interessados em adquirir residência sinalizou que, na avaliação dele, não será possível manter o gradil frontal que os sócios do Metro desenharam para a propriedade – um muro seria mais adequado, avaliou o candidato a morador.

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Apoio Cultural:

Publicada originalmente em ARCOweb em 31 de Agosto de 2017
Publicada originalmente em ARQ!BACANA
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