Sócios do FGMF Arquitetos cativam público durante palestra

Trio expôs projetos de destaque, falou sobre processos criativos e opinou sobre mercado e futuro da profissão

Rodrigo Marcondes Ferraz, Fernando Forte e Lourenço Gimenes (Foto: Fábia Mercadante)

Repleto de informações e seduzido pelo carisma dos palestrantes. Foi assim que o público presente na palestra dos sócios do escritório FGMF Arquitetos deixou o Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, na noite desta quarta-feira (28). No segundo encontro de 2017 do programa de palestras promovido pela revista PROJETO e pelo portal ARQ!BACANA, Fernando Forte, Lourenço Gimenes e Rodrigo Marcondes Ferraz contaram sobre sua trajetória profissional, prestes a completar 18 anos. “Estamos com 40 anos, no limite de sermos chamados de jovens arquitetos”, brincou Gimenes.

Com o escritório fundado no final de 1999, desde o início os sócios buscaram trabalhar com uma multiplicidade de projetos. “Queríamos trabalhar com todo tipo de escala e programas. A não especialização vem desse desejo universitário de fazer cadeira, ponte, fábrica, residência, ainda que seja meio estúpido do ponto de vista financeiro, porque quando se especializa em uma área você consegue usar as mesmas soluções, e otimiza o tempo. Trafegando de um lugar para o outro há perda de eficiência no desenvolvimento dos projetos, mas, por outro lado, refresca as ideias”, explicou Forte.

Os arquitetos reúnem hoje um extenso portfólio que, atualmente, acumula mais de 350 projetos desenvolvidos, e separaram aqueles que consideram mais marcantes em sua trajetória para apresentar em detalhes à plateia. Entre eles, estava o projeto conceitual de uma casa que permite mudanças constantes e interatividade. O projeto da Tic Tac House foi desenvolvido em 2009 para a revista britânica Wallpaper, que, naquela ocasião, incluiu o trio no ranking dos 30 profissionais mais promissores do mundo na arquitetura.

Os três mostraram também a Casa das Pérgolas Deslizantes, em Bauru, interior de São Paulo, que seguiu a mesma premissa de permitir movimentos e interação com o espaço. Como o nome revela, o projeto de 2014 conta com pérgolas e coberturas que se movem de uma ponta a outra do terreno de 500 metros quadrados. “Usamos um sistema de automação simples, não foi nenhuma grande tecnologia. Mas que permitia que a pessoa interagisse com a casa, modificando a forma como ela opera no dia a dia”, explicou Gimenes.

Outro projeto destacado foi o Corujas, edifício concluído em 2013 na Vila Madalena, em São Paulo, que possui unidades comerciais ocupadas por desde escritório de advocacia, psicólogos, até agência de publicidade, showroom e estúdio de ioga. A planta proporciona espaços de convivência, com varandas, jardins privativos e áreas abertas. “Encontrei um casal que se conheceu lá. Eram de empresas diferentes do prédio e acabaram casando. Será que em um prédio comercial da [avenida Engenheiro Luís Carlos] Berrini poderiam ter se conhecido assim?”, perguntou Forte, observando que a arquitetura tem, de fato, impacto na vida das pessoas.

Mais recente, de 2016, o projeto da loja de móveis Líder na capital paulista também foi exibido. O espaço, segundo Marcondes Ferraz, deveria ser o mais livre e flexível possível, para permitir criar diferentes ambientes. O conjunto possui estrutura formada por uma sequência de vigas metálicas, que cruzam o terreno, permitindo que a laje de cobertura e o mezanino fossem suspensos por esses elementos. “Foi um exercício estrutural para poder livrar o espaço inferior de qualquer pilar”, detalhou o arquiteto. Outro destaque no projeto são as pequenas lajes/terraços com jardins, que foram dispostas na fachada e aos fundos do lote, que vão além do apelo estético e funcionam como brises, promovendo sombreamento no interior da loja.

A apresentação continuou com os projetos da Casa Grelha, formada por três níveis de ocupação, aptos a interagir e interligar a arquitetura, os morros e vales da região; Casa Mirante, que se descortina até o fundo do terreno, onde foi implantado um mirante com vista para o lago; e Casa Benedetti, ainda em desenvolvimento, que conta com um pergolado com vegetação para fazer toda a envoltória da residência. O trio falou ainda de outras áreas de atuação, como a recente criação de monumentos para a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e peças de mobiliário, como o Sofá 4x30 e a cadeira Farofa.

Ao final, quando o público pôde fazer perguntas, eles foram indagados sobre seu processo criativo. Marcondes Ferraz comentou que a concepção de um novo projeto é sempre conjunta entre os sócios e então as equipes do escritório são envolvidas. “Depois, um de nós torna-se o responsável, o pai do projeto. Essa divisão é por quantidade de projetos ou por conhecer mais o cliente. Não é por especialidade, não é que um faz só projetos de prédio e outro de casa. Todos fazem todos os tipos de projeto”, garantiu.

Quando questionados sobre o mercado de trabalho para novos arquitetos, Forte opinou: “Mais que fazer uma faculdade, uma pós-graduação, é preciso mostrar o seu portfólio, suas ideias e conseguir explicar sua paixão pelo trabalho. E, lógico, ter uma formação sólida, não do ponto de vista de dominar o software, mas de entender a representação do espaço. Menos a escola e mais a experiência pessoal de cada um”. O arquiteto ainda aconselha aos jovens o envolvimento em obras. “Ter experiência prática é fundamental, vale até fazer a reforma do banheiro da casa da tia, qualquer coisa do gênero é uma lição, uma outra faculdade”, concluiu.

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Publicada originalmente em ARCOweb em 29 de Junho de 2017
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