JT Arquitetura: Escola, Campinas, SP

Desenho multiplica percursos e estimula encontros

Solução transcende funções do programa e se consolida como um equipamento urbano no campus I da Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Depois de ocupar por mais de sessenta anos uma construção histórica da Marechal Deodoro, rua do centro de Campinas, SP - o antigo solar do Barão de Itapura -, a Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC Campinas), mudou-se, no início de 2016, para o campus I da instituição, na região conhecida como Parque das Universidades. A escola ocupou uma edificação projetada pelo escritório paulistano JT Arquitetura, desenvolvida menos para uma função específica – atividades didáticas – e mais como equipamento urbano. É dessa abordagem que resultou a situação onde o prédio funciona também como espaço de encontros e passagens.

As instalações para a faculdade - uma das que fazem parte do Centro de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas da PUC Campinas (CCHSA) - começaram a ser projetadas em 2014, quando a PUC Campinas viu-se na iminência de ter que desocupar o imóvel da região central. O curso era o único que funcionava no casarão e a universidade já planejava transferi-lo para o campus I, na região norte daquela cidade, onde também fica a reitoria da instituição. As novas instalações do curso de Direito eram um dos elementos do programa que fora objeto de um concurso restrito organizado pela universidade e vencido pelo JT Arquitetura.

Além da escola, a universidade pretendia reunir nesse mesmo conjunto a biblioteca central, um edifício multiúso para O CCHSA, um restaurante e uma igreja. A proposta vencedora, conforme relata o arquiteto José Tabith, do escritório responsável pela obra, havia avançado a fase de projeto executivo, mas as licenças ainda não estavam todas concluídas quando a direção da PUC constatou que não tinha mais como postergar a transferência. Decidiu, então, “congelar” o empreendimento mais amplo, atribuindo–lhe, porém, a incumbência de projetar o novo prédio que ocuparia um outro terreno, localizado entre as instalações da Faculdade de Educação Física e as quadras esportivas cobertas.

No memorial, a equipe do JT observa que a principal intenção do projeto era atender às necessidades espaciais e programáticas. Porém, mantendo a coerência com a sua forma de pensar arquitetura em projetos de maior envergadura – dos quais são exemplos o Paço Municipal de Suzano e a Escola Superior de Advocacia da Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul – a concepção apresentada à instituição transcendeu à do mero edifício, ampliando o seu significado para um espaço de passagens e encontros. Assim, além de atender ao programa, o conjunto alcançou o patamar de um equipamento urbano.

Conceitualmente, o escritório retomou na edificação a questão dos percursos que permeia uma boa parte de sua produção. É por isso que, embora exista uma entrada principal (voltada para a avenida Cardeal Dom Agnelo Rossi, onde a fachada ligeiramente curva alterna transparências e opacidades) pode-se também acessar o conjunto a partir de outras entradas. “Projetamos acessos e percursos nas quatro faces do volume, que permitem a transposição através do edifício, utilizando seus espaços de circulação horizontais e verticais que circundam a praça interna descoberta”, explica a equipe.

De forma geral, a organização resultou numa setorização com as funções mais públicas dispostas na ala direita da edificação - exceção é o auditório que fica, porém, próximo do acesso principal - sendo a fração à esquerda destinada às salas de aula. Quem chega à edificação vindo da avenida tem duas possibilidades de entrada. Do acesso principal, no centro, logo à entrada e à direita estão a capela e a recepção para a população. Do lado esquerdo, foram posicionados o foyer e o auditório. Uma segunda entrada conduz, através de uma escada arquibancada, ao pavimento superior onde estão o laboratório de informática, salas de aula e um espaço de convivência abrigado.

Os acessos pelo nível inferior são voltados para as áreas de esportes e o estacionamento lateral – através deles pode-se entrar diretamente nas salas de aulas do pavimento ou, então, acessar os núcleos de circulação vertical para chegar aos dois pisos superiores. No pavimento inferior é possível fazer a transposição transversal do conjunto. Esse caminho serve também para que os alunos da Faculdade de Educação Física (cujo prédio fica situado do lado esquerdo) acessem as quadras esportivas cobertas situadas ao lado direito.

“O conceito é de justaposição com independência de uso, tanto entre funções como entre pavimentos, como um edifício de compostos. O usuário se apropria dos espaços conforme suas necessidades e sua vontade. A arquitetura permite integração visual constante a medida que se percorre e se utiliza do edifício, potencializada pelo vazio interno criado pela praça de convivência no núcleo do volume”, discorre a equipe no memorial.



Ficha Técnica

Faculdade de Direito PUC Campinas Complexo CCHSA – Bloco E
Local Campinas, SP
Data de início do projeto 2014
Data de conclusão da obra 2016
Área do terreno 4.876,50m2
Área construída 9.374,40m2

Arquitetura, interiores, paisagismo e comunicação visual JT Arquitetura  - José Luiz Tabith (autor), Thiago Nieves (coordenador), Lucas Rigotto, Joyce Alves, Marina Tommasi, Javier Romero e André Tabith Costa (equipe)
Fundações e estrutura GA Engenharia de Estruturas
Hidráulica NV Engenharia
Elétrica NV Engenharia
Acústica Sresnewsky
Ar condicionado HTY Projetos de Engenharia Térmica
Gerenciamento Araújo Engenheiros Associados
Construção Construtora Manara 
Fotos Nelson Kon

Fornecedores

Esquadrias de alumínio Alquali
Acabamentos especiais do auditório Speed Dry Acústica
Instalação de ar-condicionado Climaspace

Publicada originalmente em ARCOweb em 07 de Março de 2017
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