Arquitetura Nacional: restaurante industrial, Gravataí, RS

Receita junta vidro com estrutura e chapas metálicas

Uso racional de recursos naturais, acessibilidade e conforto dos usuários orientaram a proposta de restaurante em fábrica na região metropolitana de Porto Alegre

Há setenta anos atuando no país, a Dana Incorporated, empresa de origem norte-americana que produz peças automotivas, possui unidades em Campinas, Diadema, Jundiaí, Limeira e Sorocaba, no estado de São Paulo, e em Gravataí, RS. É nesta última que fica o restaurante projetado pelo escritório Arquitetura Nacional, onde são diariamente servidas aproximadamente 2,5 mil refeições. A empresa pretendia unificar as duas construções existentes na fábrica onde eram preparadas e servidas as refeições e contratou o estúdio para desenvolver o projeto do novo restaurante.

O Arquitetura Nacional é um escritório de Porto Alegre fundado em 2010 pelos arquitetos Eduardo Maurmann, Elen Maurmann e Paula Otto que vem se destacando pela qualidade e diversidade de seus projetos – no primeiro semestre de 2017, o estúdio abriu uma unidade em São Paulo. Sobre o restaurante da Dana, a equipe relata que o projeto foi idealizado tendo como premissa o uso racional de recursos naturais e a preocupação com o desempenho energético do edifício. Acessibilidade e conforto dos usuários foram outros pontos que orientaram a proposta.

O programa solicitado pelo contratante está contido em um edifício equacionado a partir de estrutura metálica com uma planta que assemelha-se ao U - há um jardim ocupando o local entre as duas alas que reúnem, de um lado, os espaços de preparo e, do outro, a área onde são servidas as refeições. O traço limpo, correto e contemporâneo que costuma qualificar os projetos do estúdio também está presente no restaurante (belamente fotografado por Marcelo Donadussi) e faz com que o conjunto sobressaia no terreno plano e gramado onde, à distância, existem árvores de porte.

O fato de o edifício ter seu piso 60 cm acima do terreno otimiza seu desempenho térmico, asseguram os autores - “limita o contato com a umidade do solo e deixa o piso nivelado com a altura necessária para as docas ao fundo do terreno, facilitando o trabalho de carga e descarga dos veículos pesados”, justificam eles no memorial. Já a orientação solar e as aberturas de ventilação das esquadrias foram projetadas para aproveitar ao máximo a luz e ventilação natural, reduzindo iluminação e climatização artificial.

A fachada sul possui vedação envidraçada com uma faixa inferior dotada de esquadrias pivotantes, mais propícias a receber o ar externo natural. “Este cruza a área do salão criando uma pressão negativa, fazendo com que o ar quente saia pela faixa superior de esquadrias de maior altura no lado oposto, naturalmente renovando o ar pelo jardim interno que divide o salão da cozinha”, escrevem os arquitetos.

O fechamento nas faces leste e oeste é de chapas metálicas onduladas – elas são perfuradas nas aberturas de iluminação e ventilação, trazendo privacidade sem comprometer a qualidade térmica e visual. Para a equipe, a organização dos espaços de trabalho da cozinha merece destaque: “com fluxo contínuo do início ao fim da produção, os insumos chegam na doca de recebimento, percorrem a cozinha passando pelas áreas de pré higienização, estoque, preparo e cocção, até virarem os resíduos, que são retirados pela doca de saída, no lado oposto”, eles informam.

Na avaliação dos autores a organização interna permite um ambiente de trabalho organizado e limpo, condição que contribui para reduzir os riscos de contaminação dos alimentos. Os arquitetos observam também que a disposição dos espaços e o jardim - com grandes planos envidraçados para áreas da cozinha – proporcionam aos colaboradores observarem de perto as diferentes etapas do processo de produção e preparação da comida, trazendo aspecto de transparência e aprendizado em um ambiente que, em geral, é destituído dessas características.

“O prédio ainda possui uma farmácia e uma lanchonete, além de uma horta orgânica em seu jardim interno, onde a própria equipe da cozinha pode plantar o que quiser para seu consumo. Isso reforça a apropriação do espaço pelos colaboradores, refletindo o que mais se deseja em relação à edificação: um aumento na qualidade de vida de seus usuários”, concluem os sócios do Arquitetura Nacional.



Ficha Técnica

Restaurante Dana Incorporated
Local Gravataí, RS
Data de início do projeto 2014
Data da conclusão da obra 2015
Área construída 1.078,59 m²

Arquitetura Arquitetura Nacional – Eduardo Maurmann, Elen Maurmann, Paula Otto, Lucas Pessato e equipe (autores)
Estrutura Medabil Sistemas Construtivos
Hidráulica e elétrica Filippon Engenharia
Prevenção e combate a incêndio Combat
Construção Marco Engenharia
Fotos Marcelo Donadussi

 

Fornecedores

Macon Cozinhas Industriais (equipamentos de cozinha)
Hunter Douglas (revestimento externo)

Publicada originalmente em ARCOweb em 08 de Agosto de 2017
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