Tecnologia

Vidros especiais para o conforto ambiental

Preparado para atender a propostas arquitetônicas sofisticadas, o segmento de coberturas de vidro vem registrando o crescimento do número de obras com áreas transparentes de grandes dimensões. E o mercado dispõe de produtos que respondem às solicitações de desempenho energético, conforto térmico e controle de luminosidade.

O processo de especificação do vidro e a construção de grandes coberturas com esse material, a partir do projeto básico desenvolvido pelos arquitetos, exige estudos, análises e a participação de consultores e equipes especializadas. “Com o projeto em mãos, a arquitetura promove um trabalho integrado de disciplinas, envolvendo consultoria estrutural, estudos para definição da estrutura metálica, caixilho, equipe dos sistemas de refrigeração, energético e hídrico, além dos requisitos para a certificação, caso a edificação esteja pleiteando algum selo”, observa a arquiteta Cláudia Mitne, diretora de marketing e produtos da GlassecViracon, empresa que atua na especificação e beneficiamento de vidros para fachadas e coberturas e logística nas obras.

“O vidro para cobertura tem como objetivo principal obter transparência com extrema segurança. Deve promover uma interface entre o meio exterior e o interior, filtrar a entrada de luz e bloquear ao máximo a penetração de calor. Além disso, especificamos com base na aparência do produto, buscando sempre aquele com baixa reflexão interna”, acrescenta Cláudia. A transmissão luminosa pode ser variável, dependendo do desenho da cobertura e da insolação incidente. Quanto ao fator solar, o de menor valor é essencial, diz a arquiteta.

ESTUDOS
A especificação de coberturas de vidro requer estudos com relação a esforços atuantes, deformações, níveis de declividade para escoamento da água das chuvas e estanqueidade. “Ela segue os mesmos parâmetros de uma cobertura de materiais opacos, ou seja, é necessária uma angulação ou declividade para que a água possa escorrer. Dessa forma, são reduzidas as preocupações com estanqueidade [juntas, silicone, fechamentos] e deformações [flecha], que são calculadas junto com os esforços de carga de vento”, observa Carlos Henrique Mattar, gerente de marketing da Cebrace, produtora de vidro plano para construção civil e outros segmentos. Segundo ele, o desenho da cobertura influi na especificação do produto, levando em conta dois fatores principais: o cálculo de espessura (deve-se considerar a carga, a qual está ligada ao ângulo do vidro com a horizontal) e o sombreamento, ou seja, maior ou menor carga térmica. »

Além da estética interna e externa desejada, com relação a cor e aspecto refletivo ou neutro, o projeto deve considerar outros itens, segundo Mattar. Entre eles, a norma brasileira NBR 7.199 (em processo de revisão), que determina a aplicação de vidros laminados de segurança; o fator solar desejado, pois a incidência do sol na cobertura é alta; a estrutura de sustentação e vedação. Também é necessário prever a modulação, o tipo de apoio dos vidros (em quatro, três ou dois lados), a carga de vento e o cálculo da espessura do vidro laminado. Mattar sugere um especificador de vidros, seja ele ligado ao fabricante ou independente, para indicar as melhores opções. É importante conhecer o produto através de amostras e submetê-lo à aprovação arquitetônica, que costuma contar também com um consultor de eficiência energética, principalmente em projetos de edifícios comerciais.

“É de extrema importância seguir as orientações do arquiteto, engenheiro e consultor de vidros e fachadas para que se alcance a integração ideal e o bom andamento do projeto”, observa Mattar. “A liderança deve ser feita pela arquitetura, levando em consideração as inovações, o máximo desempenho do conjunto, o custo da obra e a avaliação do retorno do investimento para o desempenho desejado, de design, de eficiência energética e de conforto ambiental para o usuário”, completa Cláudia.

TECNOLOGIA
Não faltam exemplos de projetos que confirmam os bons resultados da integração de equipes no projeto e obra. Um deles é a cobertura de 9 mil metros quadrados do shopping Pátio Batel, em Curitiba (leia FINESTRA 85), que contou com a Cebrace no fornecimento das chapas de vidro e a GlassecViracon na especificação, processamento e logística, tendo a Hedron Engenharia nos projetos executivos, fabricação e montagem, sob consultoria de Igor Alvim. A edificação projetada pelo escritório Coutinho Diegues Cordeiro Arquitetos recebeu em sua cobertura três tipos de vidro: insulado, laminado e serigrafado de controle solar neutro, com variáveis no desempenho energético e na transparência.

Os estudos sobre o desempenho dos vidros são feitos caso a caso, considerando variáveis como dimensão da cobertura, local da construção, desempenho especificado versus as opções de produto e seus respectivos desenhos, segundo Cláudia. São exatamente esses estudos que indicam os tipos mais indicados para cada obra. Os insulados, por exemplo, compostos por duas ou mais chapas entremeando uma câmara de ar, têm o melhor balanço no desempenho energético - ou seja, boa quantidade de luz com baixa entrada de calor, o que permite especificá-los em todas as situações -, além de otimizar a reflexão. Sempre são compostos com pelo menos um vidro laminado, para garantir segurança. »

A serigrafia é outra solução que, combinada com vidros de proteção solar, pode melhorar o desempenho energético da cobertura em termos da redução do fator solar e da transmissão luminosa, segundo Mattar. Ele explica que é possível criar diferentes níveis de sombreamento com a serigrafia, a partir dos desenhos, espaçamentos e cor aplicados. Conforme a quantidade de luz e calor que se deseja para o ambiente, a serigrafia pode ser aplicada em até 100% da área de cobertura.

Para facilitar a limpeza e a manutenção, a indústria desenvolveu os vidros autolimpantes. A tecnologia neles aplicada trabalha com os raios solares UV para manter a superfície limpa. “Em épocas de chuva, a superfície autolimpante se torna hidrofóbica, ou seja, propícia a ficar limpa. Mas esses vidros devem ser aplicados com um ângulo de dez graus para facilitar o movimento da água pela cobertura”, ressalta Mattar.

Texto de Gilmara Gelinski| Publicada originalmente em Finestra na Edição 92
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