Especial Edição 100: Produtos & Sistemas

Tecnologias que mudaram o mercado - Parte 2

Durante os últimos 21 anos, desde a publicação do primeiro número da revista FINESTRA, o mercado registrou o lançamento de uma série de produtos e sistemas que contribuíram para o avanço tecnológico dos projetos de fachadas e de coberturas. Em alguns momentos a revista se antecipou, divulgando para seus leitores inovações já existentes em países europeus ou nos Estados Unidos, mas que somente anos depois seriam aplicadas em obras no país. 

Selecionamos algumas entre aquelas tecnologias que mudaram a forma de construir e abriram novas portas para que os arquitetos pudessem ousar ainda mais em seus projetos. Confira abaixo:

PAINÉIS METÁLICOS TERMOISOLANTES
Foto: Cinara Piccolo

Aplicados em coberturas ou vedações verticais, os painéis metálicos trouxeram novas possibilidades para a arquitetura, tanto em funções estéticas, como de conforto ambiental, uma vez que atendem à demandas de eficiência térmica e acústica. São compostos por chapas de aço e núcleo isolante em poliuretano (PUR), poliestireno (EPS ou isopor) ou lã mineral. Os painéis produzidos com o núcleo isolante em PUR ou PIR (Poliisocianurato), utilizados no Centro Comercial Angeloni, em Criciúma, SC (foto), com projeto de Douglas Piccolo, são feitos em máquina contínua de alta pressão.

VIDROS REFLETIVOS
Foto: Carlos Gueller

Aliados do conforto ambiental e da eficiência energética nas edificações, os vidros refletivos têm tecnologia que garante o controle eficiente da intensidade de luz e do calor transmitidos para os ambientes internos. Podem ser laminados, insulados, serigrafados ou temperados, mas sua especificação exige que o projetista conheça bem suas características de desempenho e considere no projeto estudos de transmissão de luz, calor, refletividade, cor do vidro e região em que se localiza.

PELÍCULAS ESPECIAIS PARA VIDROS

Com elas os vidros se transformaram. São basicamente de dois tipos: a película de PVB (polivinil butiral) é a responsável pela produção de vidros laminados de segurança, mas também confere a esses vidros cores ou opacidade. Já a de poliéster é aplicada sobre a superfície do vidro, pelo lado interno, para melhorar seu desempenho, sem interferir nas características da fachada, solução aplicada à obra de retrofit do prédio do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

PAINÉIS DE ALUMÍNIO COMPOSTO

Foto: Carlos Gueller

O produto foi apresentado ao mercado brasileiro nos anos 1990, através do edifício Plaza Centenário, do arquiteto Carlos Bratke, que escolheu o material para a criação de uma obra emblemática. Desde então o ACM vem conquistando espaço em vários tipos de projetos, como o edifício Iguatemi Corporate, do escritório Botti Rubin (foto). Além disso, estimulados pelo desempenho desse produto, fabricantes criaram painéis compostos nas versões cobre, zinco e aço inox com a mesma configuração - duas chapas pintadas unidas por uma camada de polietileno de baixa densidade.

ESQUADRIAS DE PVC

Foto: divulgação Claris

Com a introdução de novas tecnologias e o lançamento de linhas mais econômicas, o produto conquistou novos mercados no país. O isolamento termoacústico é um dos grandes apelos mercadológicos dos fabricantes, ao lado de itens como a robustez, qualidade dos componentes, estanqueidade e possibilidade de cores, além da cor branca, fora opções em padrão com aspecto de madeira obtido pelo processo de colaminação, que utiliza um filme especial colado na superfície do PVC por meio de aquecimento e de componentes químicos.

LAMINADOS MELAMÍNICOS

Foto: divulgação Formica

Produto antes utilizado em revestimentos internos, o laminado melamínico ganhou um banho de tecnologia, passando a ocupar também as fachadas. Sua composição leva fibra celulósica, impregnada com resinas fenólicas termofixas, compactadas por alta pressão. Recebem papel decorativo ou folhas de overlay com resinas e filme de proteção na sua superfície. Fixado em uma subestrutura de alumínio ou aço inoxidável, o produto é resistente ao granizo, chuvas, ventos e raios solares. Recentemente um dos fabricantes lançou uma versão do produto resistente às pichações.

AÇO NA ARQUITETURA

Foto: Santiago Calatrava

A utilização do aço na arquitetura foi impulsionada no final da década 2000 com a maior industrialização da construção civil. Pilares mistos de concreto e aço, pré-moldados e o light steel frame passaram a compor projetos e garantir maior rapidez de execução, leveza estética e produtividade às obras brasileiras. O Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (FINESTRA 88), é uma das obras ícones do uso desse elemento na arquitetura, com sua cobertura em estrutura metálica semelhante a um casco de navio invertido.

PAINÉIS ARQUITETÔNICOS

Foto: Cinara Piccolo/ Dix

O produto ganhou mercado durante o aquecimento da construção civil, quando a palavra de ordem era produtividade. Fabricantes passaram a oferecer produtos que atendem à liberdade arquitetônica, criatividade e plasticidade dos projetos, aliados aos atrativos de oferta de uma obra limpa, rápida e sem desperdício. Na edição 50 de FINESTRA, os painéis arquitetônicos pré-moldados revestem a fachada frontal do Vila Olímpia Corporate Plaza, junto aos caixilhos entre vãos.

MALHAS METÁLICAS

Foto: Eduardo Martino

Em 2011, ao serem divulgadas na FINESTRA, as malhas metálicas já eram amplamente utilizadas em projetos no exterior, porém pouco conhecidas pelo mercado brasileiro. Com a construção das arenas esportivas para a Copa de 2014, dois estádios mostraram a potencialidade do material, para sombrear e colaborar com a ventilação das fachadas. A fachada da Arena Castelão, em Fortaleza (FINESTRA 82), recebeu 12 mil metros quadrados de chapa expandida de aço inoxidável. Já o Allianz Parque, em São Paulo, ganhou envoltória metálica compondo uma trama vazada.

LED NAS FACHADAS

Foto: divulgação Sunglass

Com o advento das lâmpadas de alta potência luminosa as fachadas ficaram mais coloridas e por vezes até lúdicas. Os diodos emissores de luz (light emitting diode), também conhecidos como leds proporcionam maior intensidade luminosa, grande flexibilidade de design e aguçam a criação dos arquitetos. Na Arena Corinthians, os brises de uma das fachadas (foto) receberam cerca de 205 mil leds criando uma grande tela de projeção. A mais nova geração do produto são os leds orgânicos que, em vez de constituírem uma coleção de pontos individuais, terão uma superfície uniforme geradora de luz, que poderá criar verdadeiras paredes virtuais.

FACHADAS MICROCLIMÁTICAS

Foto: Leonardo Finotti

Leveza e facilidade de instalação são atributos do sistema, que passou a ser usado recentemente na arquitetura. Compostas por uma tela compósita em pvc e poliéster, instalada em estrutura metálica, essas fachadas filtram a luz e promovem o sombreamento das edificações. Graças as suas qualidades estéticas e funcionais, o sistema já foi aplicado em obras como a fachada da Arena Pantanal (foto).  

Clique aqui para conferir as tecnologias que mudaram o mercado - Parte 1

Texto de | Publicada originalmente em Finestra na Edição 100
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