Especial Edição 100: Produtos & Sistemas

Tecnologias que mudaram o mercado - Parte 1

Durante os últimos 21 anos, desde a publicação do primeiro número da revista FINESTRA, o mercado registrou o lançamento de uma série de produtos e sistemas que contribuíram para o avanço tecnológico dos projetos de fachadas e de coberturas. Em alguns momentos a revista se antecipou, divulgando para seus leitores inovações já existentes em países europeus ou nos Estados Unidos, mas que somente anos depois seriam aplicadas em obras no país. 

Selecionamos algumas entre aquelas tecnologias que mudaram a forma de construir e abriram novas portas para que os arquitetos pudessem ousar ainda mais em seus projetos. Confira abaixo:

FACHADA STRUCTURAL GLAZING

Foto: Ana Mello

Evolução das primeiras tecnologias de pele de vidro, esse sistema permitiu viabilizar a execução de panos de vidros contínuos. Nele, os vidros são colados com selante estrutural nos perfis de alumínio, que ficam ocultos na parte interna da estrutura. O edifício do Citibank, em São Paulo, construído em 1986, é uma das obras icônicas a lançar mão dessa solução. Na FINESTRA 11, artigo do consultor Sérgio Genciauskas mostra a evolução tecnológica das fachadas cortina, até chegar ao sistema structural glazing, que hoje é utilizado na maioria das obras de grandes edifícios, como o FL 4300, projeto de aflalo/gasperini (FINESTRA 91).

SISTEMA SPIDER

Foto: Carlos Gueller

O sistema spider, que no Brasil também é conhecido como fachada suspensa, favoreceu a concepção de projetos que buscam maior transparência das fachadas. O projeto do Centro Brasileiro Britânico, no início dos anos 2000, foi uma das primeiras obras no país que usou essa tecnologia, mostrada em detalhes na edição 20 da ­FINESTRA (foto). Mas antes disso, artigo do engenheiro italiano Paulo Rigone (edição 10) já dava detalhes desse sistema. 

COBERTURAS TRANSPARENTES

Foto: Marcelo Aniello

O desenvolvimento tecnológico dos vidros e sistemas de esquadrias permitiu a construção de áreas cada vez maiores de coberturas transparentes curvas ou planas. Vidros laminados de controle solar e processos de serigrafia, aliados a sistemas de colagem, fixação e vedação que garantem estanqueidade, são os responsáveis pelo desenvolvimento desse segmento, que conquistou obras expressivas, como a do Espaço Estação, em Curitiba, do escritório Doria, Lopes, Fiuza (FINESTRA 39).

FACHADA VENTILADA

Foto: divulgação Eliane

Em 1998, na edição 14, mostramos ao mercado as características técnicas do sistema de fachada ventilada, com a publicação de palestra do arquiteto espanhol Josef Garro, da Alusuisse Composites. Mas somente anos depois o sistema chegou ao mercado brasileiro e hoje continua em plena evolução. Consiste na aplicação de uma placa de revestimento, distanciada do corpo do edifício, e de um isolante térmico, sobre a alvenaria, originando uma câmara de ar que permite ventilação pelo efeito chaminé, apontado por especialistas como uma das vantagens do sistema.

VIDROS DUPLOS

Foto: Pequi Filmes/ GRU Airport

A introdução dos vidros duplos ou insulados na arquitetura brasileira contribuiu para melhorar o conforto acústico das edificações. O sistema, composto por duas ou mais placas de vidro, separadas por câmara de ar estanque, conta desde 2012 com a NBR 16.015 (Vidro insulado - característica, requisitos e métodos de ensaio). Uma das aplicações mais expressivas pode ser vista no novo terminal do Aeroporto de Guarulhos, SP, (FINESTRA 87), que ganhou fachada com sistema de vidro duplo de 32 milímetros.

ESQUADRIAS EM GRANDES VÃOS

Foto: Ac&d Consultoria

Conceito que vem sendo incorporado ao mercado residencial de alto padrão, além do comercial e corporativo, as portas para grandes vãos ganharam força a partir do desenvolvimento tecnológico de esquadrias, vidros e componentes. Sua construção é feita com perfis com bitolas reforçadas e maiores, vidros laminados ou duplos de até 30 milímetros, calços, roldanas superdimensionadas e puxadores ergonômicos. Essa inovação tecnológica já permitiu a produção de uma porta de correr residencial de 40 metros quadrados (FINESTRA 73).

TENSOESTRUTURAS

Foto: Ademir Rodrigues

Entre as propriedades das tensoestruturas está a capacidade de vencer grandes vãos. O sistema, que consiste no uso de estruturas metálicas leves e membranas de alto desempenho se destaca em projetos de expressão como a cobertura do estádio de Munique e a estação de trem de Stuttgart, na Alemanha. No Brasil, sua utilização ganhou força com as obras dos estádios da Copa do Mundo de 2014. Entre elas, a cobertura do Estádio Nacional, publicado na edição 82 (foto), que ganhou nova cobertura com membrana tensionada e chapas de policarbonato.

PAINÉIS FOTOVOLTAICOS

Foto: Cemig

No ano 2000, FINESTRA introduz o tema em entrevista com o professor Roberto Zilles, do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP e doutor em sistemas fotovoltaicos pela Universidade Politécnica de Madri. Considerado uma das fontes de energia mais limpas e sustentáveis do mundo, o sistema aparece hoje integrado com sucesso em projetos como os dos estádios do Mineirão, em Belo ­Horizonte (foto), Arena Itaipava, em Recife, e ­Pituaçu, em Salvador.

PISOS E ESCADAS DE VIDRO

Foto: Nelson Kon

O uso do vidro em elementos como pisos e escadas permitiu aos arquitetos criarem tapetes de luz, em formas incomuns, coloridas e iluminadas. Tudo isso graças ao desenvolvimento tecnológico que trouxe para o mercado chapas de vidro laminado de alta resistência, que chegam a espessuras entre 20 e 60 milímetros, e componentes metálicos estruturais e de fixação de elevado desempenho, como nessa escada do Espaço Santa Helena, em São Paulo (FINESTRA 55).

VIDROS SERIGRAFADOS

Foto: Gilberto Cesar Lima de Aguiar

A reprodução em vidros de formas geométricas, desenhos, fotos ou texturas, pelo processo de serigrafia, surge na edição 11 da FINESTRA, no projeto do edifício Suva, na Basiléia, dos arquitetos suíços Herzog e De Meuron. No Brasil a técnica do vidro serigrafado chegou no final dos anos 1990, mas demorou muito tempo para ganhar evidência. É usada principalmente em edifícios corporativos e comerciais, para contribuir em soluções de sombreamento de fachadas e coberturas, a exemplo do projeto do Corporate Jardim Botânico, em Curitiba do escritório Baggio&Schiavon (foto), publicado na FINESTRA 91.

SISTEMA UNITIZADO

Foto: Daniel Ducci

O sistema revolucionou o modo de projetar e construir fachadas, sendo hoje um dos mais aplicados em obras de grandes edifícios, como a Torre Matarazzo (foto), que mostramos na FINESTRA 95. Chegou ao Brasil no início dos anos 2000, com a obra do BankBoston, em São Paulo, e dali em diante foi uma linha crescente. Antes dele, o sistema stick montava a fachada na obra, com colunas e travessas instaladas sequencialmente pelo lado externo. O processo industrial do unitizado passou a gerar módulos completos, com perfis, vidros colados e demais componentes, prontos para serem instalados. A execução passou a ser feita pelo lado interno, com mais segurança para os trabalhadores, aposentando o balancim.

Clique aqui para conferir as tecnologias que mudaram o mercado - Parte 2

Texto de | Publicada originalmente em Finestra na Edição 100
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