Patrimônio e tecnologia
Veneza sofre um ataque surdo,
lento e contínuo do mesmo
elemento que lhe dá encanto
e fama...

Texto e fotos de Don Barker
Architecture Week
www.architectureweek.com


Já não é novidade: Veneza corre o risco de desaparecer sob as águas da lagoa que a abrigou durante séculos. Um dos locais onde a ameaça é visível é a Piazza San Marco, que fica inteiramente submersa durante as marés mais elevadas de outono e inverno. Além de dificultar a vida dos habitantes e dos turistas, a água está causando danos consideráveis ao patrimônio arquitetônico da cidade, exigindo ações imediatas do governo italiano.

Veneza está afundando? Ou é o nível da água que está subindo? A resposta é complexa porque os dois fenômenos estão ocorrendo simultaneamente.O nível médio da terra abaixou cerca 23 cm em relação ao nível do mar. Isto em consequência da exploração da água subterrânea e da redução na pressão no subsolo.

Ao mesmo tempo, o nível do mar aumentou cerca de 8 cm por diversas razões, inclundo o crescimento orgânico de recifes da área, a ação da pressão atmosférica e do vento no Mar Adriático e a variação global no nível de mar, causada pelas mudanças no clima do mundo. Durante todo o século XX, o mar em Veneza subiu cerca de 1,27 mm por ano.

Em 1966, o alarme soou: a inundação daquele ano teve uma importância simbólica. Veneza e as outras cidades e vilas históricas da lagoa foram submersas por mais de 90 cm de água. Esse desastre natural desencadeou uma série de estudos, experimentos, projetos e trabalhos para a correção do problema.

Pesquisadores da Universidade de Swansea no Wales, Reino Unido, forneceram modelos computadorizados das camadas de rocha, incluindo junções, rachaduras e falhas, que permitiram compreender a origem da movimentação do solo.

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Fotos: Don Barker
 
 
 
 
 
Quem visita Veneza certamente se pergunta:
por que a cidade foi construída em uma ilha sedimentar numa lagoa da costa italiana?

Átila, o Huno responde. Durante sua invasão à Itália, em 452 DC, a população do campo fugiu para as ilhotas das lagoas ao longo da costa ocidental do Adriático.

Embora muitos dos refugiados retornassem a suas casas no continente após a retirada de Átila, a "semente" de Veneza já estava lançada.

O emigrantes que ficaram nas ilhas originaram as localidades de Torcello, Burano e Malamocco.
Após alguns assaltos de invasores, os habitantes da lagoa decidiram mover a capital para o grupo mais protegido de ilhas, no centro da lagoa.

Essa área era conhecida como o alto de Rivo, ou o "Rialto" (banco elevado). Como a população crescia, houve uma expansão por outras terras dos bancos sedimentares e logo a área de Rialto transformou-se no centro metropolitano da lagoa, a atual cidade de Veneza. "Rialto" sobrevive como o nome de uma área comercial.

Imagem:
Consorzio Venezia Nuova
 
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