FINESTRA: Tecnologia

Sistema de fachadas

Sistemas e materiais diversos - alumínio e PVC - estão disponíveis ao arquiteto e ao consultor de fachadas no desenvolvimento dos seus projetos. Não há uma resposta padrão sobre a correta especificação, pois influenciam na tomada de decisão aspectos variados, tanto relacionados ao design e à materialidade da construção quanto ao cronograma da obra, sua logística e orçamento. Apresentamos, a seguir, questões fundamentais à escolha do sistema de fachada, assim como destaques das indústrias brasileiras do setor

A evolução do sistema de fachadas teve alguns momentos pontuais no Brasil. Em 1986, a construção do edifício Citicorp/Citibank localizado na Avenida Paulista, em São Paulo, projeto do escritório aflalo/ gasperini arquitetos, transformou a simples fachada-cortina em um pano de vidro contínuo, sem perfis de alumínio marcando a face pelo lado externo.

Na década de 1990 houve uma virada tecnológica, quando começaram a chegar no país máquinas importadas que permitiram a fabricação local dos sistemas de fachadas, com maior precisão e qualidade. Antes, as empresas ou tinham linhas próprias ou fabricavam apenas perfis.

Em 2002, a montagem de uma fachada em módulos inteiros marcou a grande mudança no conceito de construção de fachadas. A tradicional fachada stick, montada quadro a quadro, deu espaço ao sistema unitizado instalado em módulos, a princípio horizontais e, depois, verticais.

Hoje, além de vidros, os módulos recebem porcelanato e granito e são içados como se fossem um caixilho com vidro. Há divergências nas opiniões dos consultores de fachadas sobre qual sistema - stick ou unitizado - é mais usado atualmente.

O engenheiro Crescêncio Petrucci Junior, da consultoria Crescêncio Engenharia, acredita que o sistema stick ainda é o mais utilizado por exigir menos equipamento para produção e instalação da fachada e menos mão de obra especializada, tornando o sistema mais acessível a um número maior de fabricantes.

Para o engenheiro Igor Alvim, da QMD Consultoria, e para a arquiteta Maria Teresa de Godoi, da Arqmate Consultoria, porém, o sistema unitizado é o mais utilizado. Segundo Alvim, em algumas situações ele não é a única opção e/ou solução para o projeto. Para Maria Teresa, a preferência se dá, principalmente, pela agilidade da instalação e pela possibilidade de utilização de vidros maiores.

“Depois da chegada do unitizado não houve nenhuma outra grande evolução dos sistemas. As novidades estão relacionadas à montagem das fachadas, proporcionando maior velocidade e facilidade de execução e desenvolvimento de sistemas que combinam vários tipos de materiais para garantir a melhora da qualidade e do desempenho das esquadrias. Nas edificações de uso residencial existe cada vez mais a necessidade de sistemas de fachada cortina stick ou unitizada composta com janelas de correr”, afirma Petrucci Junior. Para Alvim, “as novidades são no tocante aos softwares e aplicativos que permitem obter o máximo desempenho das esquadrias, no dimensionamento de vidros, perfis e acústica”.

Por outro lado, Maria Teresa de Godoi vê melhorias, principalmente, no desenvolvimento e aprimoramento de componentes para esquadrias, que promovem melhor desempenho no manuseio, travamento, vedações e vida útil da esquadria, sem muita necessidade de melhoria estrutural. Já no setor residencial há um grande avanço visando o conforto do usuário, principalmente com melhores resultados térmicos e acústicos.

Os sistemas de fachadas destinados a obras corporativas também podem ser utilizados em obras residenciais, mas para ambas as aplicações os sistemas stick e unitizado são compatíveis com esquadrias de alumínio, que dominam o cenário nacional com ampla vantagem sobre outros materiais.

“Praticamente 99% do mercado de esquadrias para obras novas de uso corporativo são de alumínio, e o restante seria dividido entre outros materiais como PVC, aço e madeira. Para o mercado residencial, as esquadrias de alumínio também representam a maior parte, porém nesse segmento as de PVC estão cada vez mais ampliando sua participação. As esquadrias de PVC possuem limitações devido ao método construtivo e de instalação, que tornam a sua aplicação em fachadas comerciais pouco competitiva ou viável”, explica o consultor da Crescêncio Engenharia.

Para Alvim, da QMD, “no mercado corporativo as esquadrias de alumínio possuem desempenho de boa qualidade, desde que norteadas por um projeto condizente. Em algumas situações, utilizam-se bons perfis e bons acessórios, porém, pecando no projeto, a consequência é uma esquadria de baixa qualidade. No mercado residencial, a qualidade também está dentro de patamares aceitáveis e adequados, tanto para o PVC como para o alumínio, porém em ambos os casos não podemos generalizar, pois ainda se faz muita improvisação e produtos de baixa qualidade”.

A definição do melhor projeto para o empreendimento depende diretamente das suas necessidades, seja pela forma geométrica complexa ou simples, dimensão da esquadria, desempenho que precisa ser alcançado e disponibilidade de recurso no local onde a edificação será inserida. Os projetos estão ficando cada vez mais complexos com inclinações, curvas, brises, o que torna necessário o desenvolvimento de soluções específicas para cada projeto.

De acordo com os consultores, entre os maiores desafios para atender aos projetos arquitetônicos, cada vez mais inusitados no tocante às fachadas, estão: qualificação técnica e de produção para atender aos projetos mais complexos; atender a maiores vãos com cada vez menos alumínio aparente; colocar o projeto de fachada dentro dos custos otimizados das construtoras.

Definindo o sistema

Quando especificar um ou outro sistema? Segundo os consultores, não existe um padrão para definir o melhor sistema de fachada a ser utilizado em uma obra. É preciso analisar o projeto arquitetônico, o dimensionamento dos vãos, o sistema estrutural, as condições do local, o método construtivo da edificação (concreto, aço, alvenaria, dry-wall), limitações logísticas, a estratégia de execução, o prazo, a segurança, a disponibilidade de materiais e de mão de obra no local.

A especificação de um determinado sistema deve atender tanto às questões arquitetônicas como às de uso. Questões de sustentabilidade para conseguir as certificações como LEED ou AQUA também são consideradas.

O sistema stick, por ser instalado em balancim, não possibilita o uso de módulos de grandes dimensões. Sua instalação só começa quando a estrutura está finalizada, uma vez que é necessária a instalação prévia das colunas estruturais. Posteriormente, os quadros com vidros fixos ou móveis são colocados um a um.

Já no sistema unitizado o módulo completo é içado a cada andar. Se o prazo for um requisito importante para a obra, deve-se analisar a possibilidade de se utilizar essa alternativa. Para Igor Alvim, normalmente em fachadas altas e padronizadas, sem muitos recortes, o sistema unitizado é a melhor opção. Dependendo do projeto residencial, esses sistemas podem ser uma alternativa possível.

Mas os sistemas mais utilizados em edifícios residenciais são aqueles entre vãos, com janelas maxim-ar e de correr. A utilização dessas soluções é simples e há grande disponibilidade de sistemas e fabricantes habilitados para sua execução no mercado. Vale lembrar que a envoltória do edifício EOS Barigui (FINESTRA edição 103, 2017), em Curitiba, assinado pelo escritório Baggio Schiavon Arquitetura, é um case de fachada unitizada do tipo cortina e fachada unitizada entre vãos aplicadas em obra residencial. Nesse projeto, a escolha do sistema unitizado permitiu descortinar a vista privilegiada do Parque Barigui sem tirar as características de edifício residencial.

As esquadrias

“A esquadria é o sistema completo composto de perfis, componentes e vidros, e seu desempenho é influenciado por todo o conjunto. Aço, alumínio, madeira ou PVC são materiais que compõem o ‘frame’ (corpo ou moldura) da esquadria. Independentemente do material, é possível ter produtos de bom ou mau desempenho. O resultado depende da engenharia concebida assim como do desempenho dos componentes especificados e da qualidade de fabricação e instalação da esquadria.

Com o passar do tempo, as esquadrias começaram a apresentar dimensões variadas de profundidade, vista e posicionamento na estrutura do edifício, fugindo da simetria de tempos atrás. Com isso, para ela se “encaixar” na edificação é preciso pensar não só nas soluções estruturais, mas também na viabilidade de fabricação, montagem e instalação dos sistemas.

O BIM, com modelos tridimensionais, vem ajudando muito nesse sentido”, afirma Maria Teresa de Godoi. De acordo com a arquiteta, “o alumínio possui vantagem no grande mercado pela versatilidade dos perfis, pela maior disponibilidade de sistemas e fabricantes e pelo atendimento a questões estruturais.

O material é 100% reciclável, apresentando melhor ecoeficiência e sendo amplamente utilizado em edifícios que visam certificações como LEED ou AQUA. Ele também é maleável, o que permite maior diversidade de formatos e designs. Pode-se conferir às esquadrias um visual tanto robusto quanto minimalista”.

Os engenheiros Alvim e Petrucci Junior compartilham da mesma opinião sobre a qualidade da esquadria nacional, que não deve nada aos produtos importados. Porém para Alvim, “talvez falte aos fabricantes de caixilhos um maior desenvolvimento de produto e seus componentes com estudos mais profundos no tocante aos itens de vedação, fechamento e movimentação”.

Para Petrucci Junior, “esquadrias de alumínio têm um bom desempenho térmico, acústico e mecânico. Hoje existem soluções de conexão entre os perfis de alumínio, elementos isolantes como perfis de poliamida (Thermal Breaks), esquadrias com vários níveis de vedação e componentes com sistema de articulação e travamento em vários pontos”.

Os consultores afirmam que as esquadrias de PVC não são próprias para serem utilizadas nos sistemas stick ou unitizado. “Em obras corporativas, normalmente são utilizadas esquadrias de alumínio porque as esquadrias de PVC possuem determinadas características de fabricação que dificultam sua aplicação nesse tipo de obra. A arquitetura dessas edificações prefere grandes vãos de vidro e perfis com menor impacto visual possível, o que não é comum para as esquadrias de PVC que devem possuir perfis robustos para permitir a instalação dos reforços de aço ou de alumínio que dão a essas esquadrias a resistência mecânica necessária para suportar as ações do vento. Para esquadrias de PVC existem alguns perfis, basicamente, formados por tubos e tampas, que podem possuir aparência similar a um sistema de fachada grid. No Brasil, tenta-se fazer o PVC com seções transversais parecidas com o alumínio”.

Segundo o engenheiro Crescêncio Petrucci Junior, em geral as esquadrias de PVC apresentam bom desempenho em relação ao isolamento acústico e térmico. Elas possuem os cantos e as junções entre os perfis soldados, reduzindo as frestas nas ligações, e os perfis possuem uma geometria com muitas câmaras internas. Esses dois fatores contribuem significativamente para a melhora da eficiência acústica. Como o PVC é um material plástico, ele possui baixa condutividade térmica, melhorando o isolamento entre o ambiente interno e o externo das edificações.

Tera Metais

A Tera Metais apresenta seu sistema de fachada stick AURA 50+88FAS destinado a edifícios comerciais e residenciais de pequeno a grande portes. Com estrutura de suporte dos painéis de fachada, a linha é composta por perfis montantes (verticais) e travessas (horizontais) fixados com ancoragens na estrutura portante de concreto armado ou aço.

Todos os painéis - fixos ou maxim-ar - são montados em fábrica, inclusive a colagem de vidros monolíticos ou insulados com espessuras entre 6 milímetros e 32 milímetros em perfis de alumínio extrudado nas ligas 6063T5/T6, a assemblagem completa e todas as vedações perimetrais. O produto possui componentes para montagem e vedação, com duas linhas de vedação com gaxetas de EPDM e sistema de drenagem.

Na obra são instalados os montantes e as travessas, que irão receber os painéis já com suas presilhas posicionadas e com parafusos pré‑fixados na fábrica. Após a instalação dos montantes, as travessas são encaixadas frontalmente por meio de clip e aparafusadas nos montantes.

Com bitola de 50 milímetros, sendo que a sua profundidade é resultante do dimensionamento estrutural segundo NBR 10.821, podendo variar de 50 milímetros a 200 milímetros, os montantes e travessas dispensam gaxetas, pois elas se encontram nos painéis produzidos em fábrica.

O clip nas extremidades das travessas garante montagem rápida e trava a parte posterior da travessa, evitando sua movimentação e aumentando a resistência da fachada - também permite retirar facilmente a travessa caso necessário. As folhas fixas e móveis são montadas com conexões expansivas em seus cantos - uma forma limpa e eficiente de garantir o esquadro e a rigidez do quadro. As folhas de maxim-ar permitem pesos de até 160 quilos com braços de aço inox.

O sistema ainda possui drenos para escoar água das câmaras de descompressão, conectores excêntricos para fechamento dos marcos, conexões expansivas de alumínio com fixação por parafuso de aço inox para montagem dos quadros fixos e móveis e cunhas de travamento e fechamento pontual ou multiponto.

Hydro

A linha Produtiva 25 da Hydro é um sistema inovador de esquadrias residenciais de portas e janelas, que agrega três características indispensáveis para uma esquadria: estética, desempenho e produtividade. Desenvolvida para os mercados de médio e alto padrão, ela tem número de perfis e peso otimizados, produtividade na fabricação e montagem, além do desempenho de estanqueidade.

Seu desenvolvimento foi focado na eficiência do trabalho do fabricante de esquadrias, trazendo inovações como: marco telescópico, que se ajusta para corrigir a variação na altura de vãos em obras; roldana clicada, que aumenta a produtividade na fabricação e na manutenção das esquadrias; usinagens, que são feitas de maneira simétrica e em menos etapas.

Para arquitetura as vantagens também são muitas, a começar pelo design da linha, mais leve, com menos alumínio aparente e baseado em linhas retas, alinhado com tendências de mercado. Outros pontos interessantes são a diversidade de tipologias, 15 no total, e a simplicidade para se fazer esquadrias com vidros colados.

Além disso, a grande disponibilidade de informações técnicas sobre o desempenho da linha facilita a especificação para atendimento às normas técnicas, especialmente a norma de desempenho NBR 15.575. A linha oferece ainda tipologias com vidro colado e encaixilhado, com os mesmos marcos e componentes e no mesmo estampo.

Schüco

A solução Schüco Seamless possui perfis embutidos para garantir máxima transparência. Este sistema já recebeu dois prêmios: o iF Design Award 2018 e o Red Dot Award 2018. O sistema representa a conexão oculta de duas construções minimalistas, também chamadas de Panorama Design, que possuem alto poder de isolamento térmico.

O sistema de Porta de Correr SCHÜCO ASS 77 PD.HI está integrado ao sistema de fachada SCHÜCO FWS 35 PD.HI, que garante uma transição de perfis mais uniforme. A transição de fluxos entre esses sistemas é possível ao conectar o vidro fixo do sistema de correr à fachada por meio de um perfil de fixação desenvolvido para este fim.

A conexão é ocultada pelo design “slim” da fachada, que, igual ao perfil de mão de amigo do sistema de correr, possui uma face exposta de apenas 35 milímetros. A fixação à estrutura do prédio desses dois sistemas também é ocultada. A travessa da fachada e a estrutura externa deslizante são instaladas no mesmo nível do piso, da parede e do teto.

Atualmente, diversas variações de tipologias de correr e fixas podem ser integradas no sistema de fachada por meio de dois trilhos. Também é possível unir duas folhas de correr a um fechamento de 90 graus. Todas as tipologias são conectadas à fachada SCHÜCO FWS 35 PD por meio da folha fixa da construção deslizante no trilho externo. A folha de correr pode ser movida de forma fácil e segura com o auxílio da tecnologia de acionamento automático e travamento integrado no perfil.

No design manual, uma maçaneta completamente integrada proporciona maior facilidade de manuseio. Com a versão SI (Super Insulation), os valores de isolamento térmico são classificados em alto nível. O sistema também pode ser projetado para atender a classe de resistência RC2.

Claris Tigre

A Claris Tigre dispõe de uma ampla linha de produtos de PVC, com esquadrias, portas e janelas. Entre os destaques, estão as laminadas das linhas Wood e Colors. As esquadrias recebem uma lâmina colorida e texturizada, de acordo com o acabamento escolhido pelo cliente.

A linha Wood conta com duas opções de cores: carvalho dourado e nogueira. Ambas replicam com perfeição as texturas e os veios da madeira - com o benefício de serem ecologicamente corretas -, além de oferecerem conforto térmico e acústico.

Já a Colors é a linha criativa da marca e está disponível nas cores preta, bronze e prata, de acordo com as tonalidades mais usadas no alumínio. As duas linhas são destinadas a obras residenciais e comerciais de soluções simples até as que demandam maxividros e cortes especiais. As esquadrias são feitas sob medida.

Texto de Gilmara Gelinski | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 447
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