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Carlos Motta: Restaurante Botta Gallo, São Paulo

Materiais reutilizados configuram espaço intimista e confortável

O convidativo clima de bodega é um dos ingredientes que vêm garantindo sucesso ao restaurante paulistano Botta Gallo. O autor do projeto é o arquiteto Carlos Motta, um dos ícones do design brasileiro da atualidade. Coerente com seu discurso de preservação ambiental, Motta deixou de lado a grande variedade de opções ofertadas pela indústria e reutilizou materiais, como madeiras e garrafas.

Fichas técnicas
Fornecedores
Plantas, cortes e fachadas
Bar e salão principal, com as arandelas de ferro na parede
Bar e salão principal, com as arandelas de ferro na parede
Materiais reutilizados configuram espaço intimista e confortável
O convidativo clima de bodega é um dos ingredientes que vêm garantindo sucesso ao restaurante paulistano Botta Gallo. O autor do projeto é o arquiteto Carlos Motta, um dos ícones do design brasileiro da atualidade. Coerente com seu discurso de preservação ambiental, Motta deixou de lado a grande variedade de opções ofertadas pela indústria e reutilizou materiais, como madeiras e garrafas.

No projeto do restaurante Botta Gallo, a intenção inicial era demolir o sobradinho deteriorado, localizado no meio de uma quadra do bairro do Itaim Bibi, na zona oeste de São Paulo, e abrir espaço para a proposta arquitetônica elaborada por Carlos Motta. Antes do início das obras, no entanto, os clientes mudaram de ideia e encomendaram outro plano ao arquiteto, considerando não mais a derrubada, mas a reforma da construção preexistente.

A nova condição impôs, segundo Motta, desafios ao atendimento das necessidades operacionais, tais como a criação de acessos independentes para público e fornecedores ou locais para armazenamento e saída de lixo. Além disso, exigiu o total aproveitamento da largura do terreno a fim de acomodar o programa. “Apenas tiramos as paredes e calçamos com vigas e pilares metálicos”, detalha o arquiteto.
O amplo espaço do pavimento inferior foi dividido entre a cozinha e dois salões - o menor deles, mais privativo, fica junto da janela da frente; e o salão principal, que corresponde à parte original da construção, incorporou a área do recuo lateral, agora coberta com toldos. Banheiros, escritórios e instalações para funcionários ocupam o andar superior.

Motta lançou mão de materiais alternativos, com o objetivo de provocar menor impacto ambiental. Daí a larga reutilização de madeiras, que aparecem no piso, no forro ondulado e também nas paredes. “São madeiras de demolição. Somente no recuo lateral é que usamos sobras de madeira abertas ao meio e assentadas diretamente sobre o contrapiso, formando um mosaico que se estende até a rua”, ele conta. O mobiliário também emprega itens já utilizados, com exceção das cadeiras Guaiúba, que foram desenhadas por Motta e executadas em cumaru.

Outro item criado pelo designer-arquiteto são as luminárias, concebidas para oferecer ambientação confortável a partir da iluminação de baixa temperatura de cor, recurso que torna o ambiente convidativo. No salão menor, na parte frontal, destacam-se os pendentes feitos com garrafas de vinho. No restante da área, arandelas de ferro, de extrema simplicidade construtiva, projetam círculos luminosos nos painéis de madeira das paredes. O projeto da cozinha e o planejamento operacional ficaram a cargo de Rodolfo Yamamoto.

Texto de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 369 Novembro de 2010
Carlos Motta Carlos Motta (FAU/Brás Cubas, 1975) estagiou no escritório de Paulo Mendes da Rocha e morou na Califórnia, EUA, onde estudou arte. De volta ao Brasil em 1978, inaugurou seu ateliê, onde desenvolve projetos de arquitetura e design, e fundou a Fábrica de Cadeiras São Paulo (1985). Participou de exposições nacionais e internacionais e recebeu diversos prêmios
Vista da entrada para a sala da adega, ambiente mais reservado, porém aberto para o salão principal
Vista da entrada para a sala da adega, ambiente mais reservado, porém aberto para o salão principal
Sobras de madeira formam um mosaico no piso em toda a lateral da construção
Sobras de madeira formam um mosaico no piso em toda a lateral da construção
O recuo lateral foi transformado em uma varanda coberta, integrada ao salão principal
O recuo lateral foi transformado em uma varanda coberta, integrada ao salão principal
A cozinha é aberta para o salão
A cozinha é aberta para o salão
 

Texto de Nanci Corbioli| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 369

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