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A. Sansão, C. Rayol e C. Miranda: Museu Aeroespacial da Embraer, Rio de Janeiro

Linguagem lúdica recria espaço de aeronave

Para a ampliação do Museu Aeroespacial da Embraer, os arquitetos Adriana Sansão, Celso Rayol e Cláudia Miranda estabeleceram uma linguagem inspirada no interior de aviões e na tecnologia usada em sua fabricação

Adriana Sansão, Celso Rayol e Cláudia Miranda respondem pelo projeto de ampliação do Museu Aeroespacial da Embraer, no Campo dos Afonsos, zona oeste do Rio de Janeiro. O objetivo era criar duas salas no percurso e interligar as instalações existentes ao grandioso hangar onde as aeronaves são expostas.

Inaugurado em 1976, o Museu Aeroespacial é a maior instituição do gênero no hemisfério sul e possui rico acervo, com quase 80 aviões - incluindo uma réplica do 14-Bis - e objetos curiosos, como a hélice do dirigível alemão Graff Zeppelin. A cada ano, recebe cerca de 100 mil visitantes. Para ampliar a área de exposição e criar um espaço de transição entre os interiores e o hangar, os arquitetos buscaram definir uma linguagem lúdica e atual, conciliando a arquitetura do volume original, a temática e a proposta de museografia.

Duas salas foram implantadas no final do percurso preexistente no pavilhão retangular. A primeira delas, no mesmo nível dos demais setores do museu, é denominada Primórdios da Aviação Brasileira e possui peças antigas distribuídas em seus 427 metros quadrados. A outra, em nível inferior, ocupa o mezanino do hangar, recebeu o nome de Espaço Embraer e expõe trabalhos recentes da empresa. A conexão entre elas é feita por rampa que também serve como vitrine para miniaturas, detalhe que coloca atrativos em todos os pontos do trajeto da mostra. Esse elemento parte do mirante posicionado na frente do túnel circular que marca o eixo longitudinal do museu e, inspirado no finger (túnel que liga o avião ao aeroporto), representa a passagem entre o passado e o presente, explica Cláudia Miranda.

Ambas as salas possuem vitrines de vidro separadas por divisórias de gesso acartonado, sancas com luz azulada que remetem à alta tecnologia e pilares semelhantes a asas de avião. Estes são revestidos por painéis de alumínio composto e contornados por recortes no forro que embutem a iluminação de destaque, usada para dar a idéia de leveza às peças. Na sala Primórdios, as vitrines aparecem em formas curvas, marcando suas extremidades. Para esse ambiente, os arquitetos criaram paredes azuis em forma de seta, cuja função é indicar o percurso, e desenharam os painéis de madeira peroba-mica, usados na identificação dos setores. Com 247 metros quadrados, o Espaço Embraer é caracterizado pela forte presença da cor azul e de poltronas de avião e escotilha, uma referência ao interior de aeronaves.

A intervenção, que empregou pilares metálicos e laje de concreto, ampliou a área total do museu para 15.195 metros quadrados. Os forros são trabalhados em gesso para ocultar a tubulação de ar-condicionado e embutem iluminação indireta com néon azul em quase todo o perímetro. Marmorite branco foi o material escolhido para o revestimento do piso, exceto no hall que marca a passagem das antigas instalações para as novas salas, identificado pelo círculo em granito preto.

Para criar diferentes atmosferas internas, a iluminação emprega temperaturas de cor distintas, como a das lâmpadas PAR 30 nas ambientações gerais, fluorescentes embutidas nas vitrines, dicróicas em pontos de destaque e as halógenas LD 26, conhecidas como pingo de estrela, que criam a ilusão de céu estrelado.



Ficha Técnica

Ampliação do Museu Aeroespacial
Local Rio de Janeiro, RJ
Início do projeto 2004
Conclusão da obra 2005
Área de intervenção 674 m2
Arquitetura, interiores e gerenciamento Adriana Sansão, Celso Rayol e Cláudia Miranda
Fiscalização da obra Margaret Chokyu
Luminotécnica Nils Ericson
Projeto museográfico Museu Aeroespacial
Programação visual Comunicação Brasil
Cenografia P&J
Estrutura Mauro Ferreira
Ar condicionado Artenve
Construção PMO
Fotos Celso Brando

Fornecedores

Topmix (concreto)
PMO (concreto, forros e divisórias de gesso acartonado)
Comercial Prote Solda do Vale (equipamentos de segurança)
Metal Center (janelas e esquadrias)
Counter, Isotran (isolamento térmico)
Allight (luminárias)
Osram, Philips (lâmpadas)
SM (mobiliário e marcenaria)
Morro Azul (mármores e granitos)
Unidur Rio (piso)
Manubrás (portas automáticas)
Vidraçaria Golfinho (vidros)
Alcan Composites (painéis de alumínio composto)
Acesita, AG, Cavalos (aço inoxidável)
Symmetros, Tec-Sign (painéis e comunicação visual em vinil)
Geter Solid Surfaces (bancadas)
Global (acrílico das vitrines)

Texto de Nanci Corbioli| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 308
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