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Novas conexões

Sempre é importante parar. A parada produz em nós uma desaceleração do ritmo cotidiano e sempre nos leva a questionar, a refletir sobre nosso exercício profissional, nossa produção, enfim refletir sobre nós mesmos.

A Asbea promoveu sua 46ª Convenção Nacional nos dias 7, 8 e 9 de junho em Fortaleza. Para nós, que fazemos a Asbea Ceará, foi um momento muito rico! Encontrar membros de todas as outras regionais, trocar experiências e, acima de tudo, nos dedicar um pouco ao pensar.

Depois dos temas Criatividade e Inovação, debatidos nas convenções de 2016 e 2017, a programação do evento de 2018 trouxe Novas Conexões como tema central. O tema escolhido foi de certa forma uma resposta aos temas abordados nos anos anteriores. Encarar com criatividade o momento pelo qual nosso país passava e ainda passa, olhar para a inovação como uma das saídas criativas para a crise, nos levou a nomear novas conexões como uma das formas de inovação em nossas empresas e na nossa produção frente à sociedade.

Não nos conectamos mais à internet: vivemos conectados. Moradia, trabalho, deslocamentos e lazer estão passando por uma forte transformação decorrente do novo modo de nos conectarmos com pessoas, edifícios, cidades.

Inteligência artificial, internet das coisas, organizações exponenciais, processos criativos, big data, entre outros, são realidades que têm reflexo direto no nosso exercício profissional. Tanto no modo de gerir nossas empresas como na própria dinâmica da produção da arquitetura e do urbanismo.

E qual o reflexo de tudo isso na produção dos nossos projetos? Vemos que essas tecnologias são o presente. Não são tecnologias que chegarão até nós, mas já estão entre nós há alguns anos. Não estamos numa era de mudança, mas numa mudança de era.

Qual será o reflexo de tudo isso? Quais os reflexos de toda essa tecnologia no nosso modo de morar, de trabalhar? Acredito que o viver conectado, usar todas essas tecnologias na produção da arquitetura e da cidade é realidade assumida por todos nós. Mas precisamos entender que isso só fará sentido se, acima de tudo, tivermos um olhar para a pessoa, para o ser humano na sua individualidade e coletividade.

Nosso desafio, como arquitetos e urbanistas que somos, será promover nos nossos projetos, cada vez mais, a humanização de nossa sociedade. Não adianta viver conectado se não tivermos a capacidade de nos relacionar, de interagir com o outro. Este tem sido o grande desafio que essas tecnologias têm trazido até nós. Não é adequar nossos projetos a elas, mas sim vê-las como ferramentas de promover os relacionamentos, de promover o bem-estar coletivo.

Não acredito em uma sociedade desenvolvida tecnologicamente que perdeu a capacidade de se relacionar com o outro, com os outros. Termino com uma frase recente de Jayme Lerner na II Conferência Nacional de Arquitetura e Urbanismo: “Temos que ter a coragem de fazer coisas simples e imperfeitas. A arquitetura, às vezes, é um compromisso com a simplicidade e imperfeição.

Temos que ter orgulho da nossa constelação de arquitetos-estrelas, mas precisamos mais de uma constelação de arquitetos preocupados com as cidades. Menos ego-arquitetos, mais eco-arquitetos”.


Luciano Leite Ramos é arquiteto graduado na Universidade Federal do Ceará, com especialização em Desenho do Mobiliário e Formação de Dirigentes Industriais e Gestão Integrada, e atual presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura do Ceará, AsBEA/CE

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 444
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