URBAN21: 2º Lugar

Ressignificação de Área Cristalizada

A proposta classificada em segundo lugar no URBAN21 consiste na ressignificação de uma área cristalizada, na via Linha Verde, em Curitiba, que possui grandes lotes impermeáveis às pessoas e de usos não condizentes com o entorno. A autoria é da equipe de alunos da Universidade Federal do Paraná (UFPR)

A área de intervenção do projeto compreende o trecho mais central da Linha Verde, no cruzamento com a avenida Marechal Floriano Peixoto, importante ligação do centro de Curitiba com a região metropolitana. Desde 1950, quando ainda era a BR-116, a via mantém as mesmas características: desconexão com o entorno, tráfego intenso de veículos com transporte de carga, ausência de vitalidade e sensação de insegurança por parte do pedestre.

A definição das diretrizes projetuais ocorreu a partir da prospecção de possíveis desdobramentos das variáveis identificadas no fenômeno de cristalização da área, conforme ação de atores que representam, em função da renda, diferentes camadas sociais.

O projeto utiliza os grandes lotes existentes, que se mantêm fragmentados em relação à cidade. Os instrumentos já legitimados pelo estatuto da cidade foram utilizados para construir o novo desenho. Assim, a ocupação é pensada para tirar maior proveito da insolação natural.

Os espaços residuais são vistos como espaços do incerto, do não determinado, ou seja, espaços em movimento. Esse entendimento resultou na criação de microintervenções como alternativa para a democratização da área e apropriação na escala do cotidiano. As áreas livres, públicas, que são pensadas em diferentes níveis, ocupam a cobertura dos edifícios e permeiam passarelas de ligação - que além de serem consideradas pontos de encontro, surgem como resposta aos frequentes problemas de alagamento.

Como o local tem infraestrutura de mobilidade já consolidada, as intervenções se concentraram na utilização de vias, principalmente, na escala do pedestre. Espaços de indeterminação, gerados como resíduo pelo sistema de mobilidade tradicional, se tornaram parte do sistema de áreas livres. Já as grandes quadras foram transpassadas por ruas peatonais, com uso compartilhado para acesso de veículos.

Equipe: Gabriela Pereira Mendonça de Almeida, Ana Laura Manasses Valaski, Daniela Moro e Gabriel Hildebrand Tomich 
Instituição: Universidade Federal Do Paraná (UFPR), Curitiba (PR)
Orientadora: Mariana Galacini Bonadio

Parecer do júri: A equipe foi corajosa ao escolher como local de intervenção o cruzamento de dois eixos viários, em uma área inóspita e quase esquecida da capital paranaense. A condução do pensamento é coerente e as imagens de antes e depois apresentadas nas pranchas são quase lúdicas. A sugestão respeita a volumetria da região, onde a verticalização não se faz ainda presente, e aposta na recuperação de alguns córregos locais. Como os terrenos naquela parte da cidade são mais baratos que em outras, o município teria facilidade para mudar a área de acordo com o previsto no projeto.



Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 440
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