Urban 21

Desenhar o urbano

Equipe da PUC/RJ foi a grande vencedora do 2º URBAN21, concurso de desenho urbano promovido pela revista PROJETO e pela Alphaville Urbanismo, aberto a estudantes brasileiros de arquitetura e urbanismo de todo o país. O certame suscita a reflexão sobre o papel das escolas na preparação dos futuros profissionais, para enfrentarem os muitos desafios no que diz respeito à criação de cidades melhores

Há muito o que ser feito nas cidades brasileiras no que diz respeito ao desenho urbano. Qualificar o espaço público, adensar a ocupação, potencializar infraestrutura ociosa, reconectar áreas desmembradas, melhorar o meio ambiente, dar uso a construções abandonadas. E a lista segue adiante, contraposta à realidade do que de fato tem-se implantado no país: conjuntos habitacionais sem qualidade urbana, grandes empreendimentos monofuncionais, etc. Há, enfim, muita cidade a ser construída no Brasil, e isso dito no sentido mais abrangente do termo. É uma tarefa de longuíssimo prazo, pela qual as gerações futuras, de arquitetos e urbanistas, certamente irão se dedicar, com um conhecimento que se inicia nas escolas.

Pensando em questões como estas é que, em 2015, lançamos o concurso universitário de urbanismo, URBAN21, iniciativa da revista PROJETO e patrocínio da Alphaville Urbanismo. Com grande satisfação, apresentamos a seguir o resultado da segunda edição do certame, para o qual se inscreveram 99 instituições de ensino e 140 equipes, com 95 trabalhos entregues. Eles foram analisados pelo júri fixo do concurso - os urbanistas Elisabete França, Adriana Levisky, Marcos Boldarini, Carlos Leite e Marcelo Willer - e pelo jurado convidado desta edição, o arquiteto e crítico de arquitetura Guilherme Wisnik. 

Profissionais de destacada atuação, eles refletem sobre o certame:

“O URBAN21 coincide com a explosão da pauta urbana no Brasil, a favor de cidades melhores. Uma discussão que é potencializada pela publicação dos resultados na revista.” (Carlos Leite)

“Nossa tradição de urbanismo no Brasil é ainda muito incipiente. Há uma tendência de considerarmos espaço público simplesmente como espaço aberto. Iniciativas que aprofundem a reflexão sobre a disciplina no país são muito louváveis. E um concurso de estudantes é certamente uma delas (...). É interessante que venham à tona na transição entre o ambiente interno, da academia, e a sociedade.” (Guilherme Wisnik)

“O URBAN21 é um concurso muito entusiasmante, acredito que é o que faltava no conjunto dos concursos para estudantes, porque ele traz a escala do desenho urbano (...). Acho importante que as escolas se organizem para participar como parte do currículo acadêmico, o que seria relevante também para as cidades aonde os trabalhos são feitos. Em cada uma delas seria possível, com pequenas adaptações, se implantarem os projetos.” (Elisabete França)

“A agenda colocada pelo URBAN21 permite às escolas tratarem de uma pauta nem sempre presente na grade curricular, a do desenho urbano praticado no contexto das cidades. Caminhando para o 3º ciclo, fica a provocação para que cada vez mais as instituições de ensino participem e entendam a cidade como um campo efetivo de trabalho e reflexão.” (Marcos Boldarini)

“Extraordinárias a iniciativa e a continuidade do concurso, no sentido de aproximarmos o universo acadêmico da realidade urbana (...). Não há receita para melhorarmos a qualidade de vida. Nós é que podemos contribuir para a criação de cidades melhores, com vontade de ousar e sem medo de errar”. (Adriana Levisky)

“Tanto as cidades brasileiras quanto as escolas de arquitetura se ressentem da falta de discussão do desenho urbano, que é a escala que vai do grande planejamento até a arquitetura construída. O URBAN21 tem o mérito de olhar para esta pauta (...). Nestas duas edições, os melhores projetos foram aqueles que souberam escolher um bom tema, enunciar o problema e dar uma solução criativa”. (Marcelo Willer)

OS PROJETOS 
O URBAN21 tem como objeto o desenvolvimento de um estudo preliminar de desenho urbano para uma área em cidade a partir de 300 mil habitantes e que possua entre 10 e 25 hectares. A ideia é que as equipes escolham, respeitando estes critérios, porções de cidades que figurem ou como novas áreas de desenvolvimento ou como trechos já consolidados, mas com carências a serem solucionadas.

Da imensa variedade de possibilidades suscitadas a partir de tais bases - há uma exceção no regulamento, que permite a seleção de uma área de projeto com menos de 300 mil habitantes, desde que pertencente à cidade aonde se localiza a escola - é que resulta um dos aspectos centrais do concurso: sua capacidade de dar voz aos muitos Brasis que existem no país, e isto com o olhar fresco dos estudantes.

1º Lugar: EPIAK - Um novo olhar sobre os vazios

A equipe vencedora do 2º URBAN21 veio do Rio de Janeiro, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ). “EPIAK - Um novo olhar sobre os vazios” é o nome do projeto, indicativo do propósito de se atuar sobre uma região consolidada da cidade que, no entanto, é pontuada por áreas ociosas - o bairro da Tijuca. Dentre os aspectos que levaram o júri a considerá- lo vencedor, destacam- se: a escolha do lugar, sua escala apropriada, a unidade espacial da intervenção, a estratégia de intervir a longo prazo e a qualidade que deriva do questionamento das pré-existências.

2º Lugar: Ocupar para proteger

Já o segundo lugar, o projeto “Ocupar para proteger”, provém da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Escala generosa, apuradas leituras ambiental e urbanística, a construção de espaços públicos compartilhados e a proposição de se preservar a bacia hidrográfica foram aspectos do projeto - de intervenções na comunidade São Judas Tadeu e na Área de Proteção Ambiental (APA) do rio Iguaçu, em Curitiba - elogiados pelos jurados.

Menções honrosas

E, por fim, foram concedidas ainda três menções honrosas. Para o trabalho “Costura Urbana”, da Universidade São Judas Tadeu, de São Paulo, que propõe intervir no bairro paulistano da Barra Funda, a fim de reverter a fissura urbana que a linha férrea causa na região. Para o “(Re)fazer Urbano: Vida e história no bairro Buritis”, da Universidade de Brasília, que trata do redesenho de trecho da Vila Buritis IV, no Distrito Federal, pertencente ao bairro de Planaltina. E para “[Des]indústria OP”, da Universidade Federal de Ouro Preto, MG, cuja ideia é redesenhar áreas afetadas pela desindustrialização do local. 

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 434
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