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Terminais de transporte: Anos 90

O transporte, entre o céu e a terra

O transporte, entre o céu e a terra
O aumento significativo do tráfego aéreo no país criou a necessidade de ampliação de grande parte dos terminais, como os de Brasília, Fortaleza, Rio de Janeiro, Belém e Maceió. O novo terminal aeroportuário de Brasília (1990/94; PD 185), de Sérgio Parada, tem capacidade para atender ao fluxo de 8 milhões de passageiros por ano. Além de aumentar o edifício existente, o projeto criou dois satélites com planta circular. O mesmo arquiteto é responsável pela ampliação dos terminais de Natal e Belém (1997/99), este último preparado para atender 2,5 milhões de passageiros por ano, em partido linear, bastante limitado às construções existentes. A cobertura metálica, com a justaposição de dois planos curvos, permite a entrada de luz natural em toda a plataforma.

O aeroporto de Fortaleza passou a ter a mesma capacidade de atendimento do terminal de Belém, depois de passar por uma ampliação (1995/98; PD 221) em que os irmãos Deusdará misturaram tecnologia com regionalismo na cobertura de vidro e policarbonato, numa analogia ao desenho da renda cearense. De partido idêntico ao terminal de passageiros existentes - em lâmina curva -, a ampliação do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (1997/98; PD 229), projeto de Roseli Pereira, duplicou a capacidade de operação - aparentemente superdimensionada -, totalizando 11 milhões de passageiros anualmente.

O metrô, principal solução para os problemas de transporte nas grandes metrópoles, teve novos projetos em Salvador, Brasília e Fortaleza. São Paulo e Rio de Janeiro ampliaram suas linhas, em ritmo lento. O destaque carioca é a estação Cardeal Arcoverde (1997/98; PD 229), que recorre a um fundamento da arquitetura moderna - integrar a arte às edificações -, com a intervenção de artistas em obras públicas. A estação, projetada por João B. Martinez Correa, da Promon, contou com a participação da artista plástica Amélia Toledo no estudo de cores dos longos túneis escavados na rocha.

Em São Paulo, a maior parte das estações situa-se na linha verde: as da Paulista (1980/91; PD 140), de Roberto MacFadden, Renato Viégas e Meire Selli; a Sumaré (1991/98; PD 229), de Wilson Bracetti, uma espécie de estação-ponte com obras de Alex Fleming; e, finalmente, a estação Vila Madalena, de João Walter Toscano. Toscano também é autor da premiada estação ferroviária Pêssego (1991/99; PD 239), transformada em testemunho da rapidez do crescimento paulistano, com a demarcação simbólica do local de um antigo córrego que, canalizado, mudou de lugar. As sete estações de trens metropolitanos recém-construídas ao longo da marginal do rio Pinheiros (1994/2000; PD 248), de Luiz Carlos Esteves, fazem parte do esforço para unificação do transporte público em São Paulo. Dois terminais de ônibus urbanos, criados para reestruturar o transporte no centro de São Paulo, notabilizam-se.

O terminal do parque D. Pedro 2º (1995/96; PD 207), de Paulo Mendes da Rocha e MMBB, cria, pela leitura da topografia e pelo uso de cobertura leve, um destaque para o transporte coletivo. O terminal da praça Princesa Isabel (1996/97; PD 213), de Toscano, faz uma refinada interpretação do tecido urbano e encaixa-se entre a vegetação existente e as construções históricas. Premiado pela Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, o projeto em espiral da Garagem Trianon (1996/99; PD 239), do MMBB, foi implantado sob a praça Alexandre de Gusmão, na região da avenida Paulista, em São Paulo.

Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 250 Dezembro de 2000

Estação da CPTM, São Paulo
Luiz Carlos Esteves
foto: Blair R. Alden
Terminal aéreo de Belém,
Sérgio Parada
foto: Octávio Cardoso
Terminal aéreo de Natal,
Sérgio Parada
foto: Ricardo Junqueira
Terminal aéreo de Fortaleza,
Muniz Deusdará Arquitetos
foto: Francisco L. M. Deusdará / Maria de Alcântara
Estação Sumaré, São Paulo,
Wilson Bracetti
foto: Blair R. Alden
Arcoverde, Rio de Janeiro,
João B. M. Correa
foto: Américo Vermelho
Estação Pêssego, São Paulo
João Toscano
foto: Alta Visão

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 250

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