Studio Arthur Casas: Edifício VN Ferreira Lobo, São Paulo

Arranjos de composição randômica

O edifício VN Ferreira Lobo foi um dos primeiros desenvolvidos por Arthur Casas para o segmento do mercado imobiliário. Seguindo a filosofia do escritório, o projeto (iniciado em 2012) foi efetivamente desenvolvido de dentro para fora, tendo a solução arquitetônica partido do estudo de layouts que atendessem, com qualidade espacial e funcional, a difícil demanda para que se criassem unidades de no mínimo 25 metros quadrados de área

Há seis anos, os projetos do Studio Arthur Casas começavam a avançar em uma nova frente de trabalho para o escritório: a criação de edifícios para o mercado imobiliário. Evolução não tanto automática da sua tradição de projetar interiores e casas - muito esforço foi exigido da equipe de arquitetos para que se familiarizassem com as lógicas do setor e se posicionassem criativamente frente a elas -, tais projetos foram contemporâneos das vitórias que o Studio Arthur Casas recebeu, também em 2012, em concursos públicos de arquitetura: a Requalificação de Largos no Pelourinho (BA) e o Novo Campus Cabral da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Diversificava-se, assim, o seu campo de atuação, que passava a contemplar do design do objeto ao desenho urbanístico.

Data daquela época, portanto, a criação do mais recente núcleo de trabalho dentro do escritório, o de empreendimentos imobiliários, do qual o projeto do edifício VN Ferreira Lobo é o pioneiro. Atualmente, apesar da crise do mercado imobiliário vivida no Brasil desde 2014, há um expressivo conjunto de prédios assinados por Casas e equipe sendo inaugurados ou lançados, em várias capitais do país. O projeto que publicamos aqui enfrentou o duplo desafio da descoberta, na prática, das dinâmicas próprias do setor e da demanda do cliente para que se concebessem apartamentos realmente reduzidos: as menores unidades medem 25 metros quadrados de área, chegando a cem metros quadrados.

A localização explica tal estratégia comercial, estando a edificação inserida em trecho de extrema vitalidade do bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, que continua a passar por processo de transformação urbana. O edifício, assim, se destaca em meio ao entorno imediato de sobrados unifamiliares mesclados a pequenos comércios e serviços, cercado porém por grandes torres de escritórios. O terreno, estreito e profundo, está próximo ao cruzamento das avenidas Brigadeiro Faria Lima e Juscelino Kubitschek.

O ponto de partida de Arthur Casas e equipe foi pensar na habitabilidade do menor dos apartamentos, concentrando-se os arquitetos em criar layouts que autorizassem, espacial e funcionalmente, a sua existência. “Nosso domínio dos projetos de interiores nos apontava essa direção projetual”, explica Casas.

Agregando módulos quadrados de 1,25 metro de lado, os arquitetos foram criando arranjos de estúdios com sala, cozinha e dormitório integrados, além banheiro e balcão (reversível para espaço interno), chegando-se a três tipologias de apartamentos. Predomina a proporção retangular e variam as posições dos banheiros, das janelas e dos balcões.

O passo seguinte foi criar andares com arranjos diversos desses tipos de plantas de apartamentos, de modo a embaralhar a posição das aberturas ao longo das fachadas. A ideia era fugir das monótonas fachadas, que são recorrentes em empreendimentos similares.

O resultado é uma torre em que se indiferenciam as faces de frente, fundos e laterais por causa do efeito randômico gerado pela matriz arquitetônica, que seria ainda mais intenso caso o revestimento externo, com placas brancas metálicas de dimensões variadas, tivesse sido implantado. A solução finalmente adotada na obra foi a pintura tradicional das faces.

Cada andar possui seis apartamentos, no total de 16 pavimentos, o que - considerando-se a variedade de tamanhos de cada um deles - resulta em 88 unidades residenciais. Cozinha, sala e dormitório integrados prescindem de área de serviço, havendo uma lavanderia comunitária no embasamento, além de sala de reunião, eventos e refeições e sala de ginástica. O embasamento, de uso compartilhado entre os moradores, sobressai da torre, perfazendo a quase totalidade do terreno.

studio arthur casas

Sócio fundador do Studio Arthur Casas, criado em 1985 em São Paulo, Arthur Casas se formou pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Prebiteriana Mackenzie, em 1983. Atualmente com escritório também em Nova York, nos Estados Unidos, a empresa tem como sócios a arquiteta Regiane Kristian e o arquiteto Gabriel Ranieri.



Ficha Técnica

Edifício VN Ferreira Lobo
Local
São Paulo (SP)
Início do projeto 2012
Conclusão da obra 2018
Área do terreno 1.059,06 m²
Área construída 6.825,45 m²

Arquitetura Studio Arthur Casas - Arthur Casas (autor); Ana Beatriz Braga, Gabriel Ranieri, Pedro Ribeiro, Regiane Khristian (equipe)
Estrutura Eduardo Penteado
Elétrica e hidráulica PHE Projetos
Paisagismo Alex Hanazaki
Ar condicionado Contractors
Gerenciamento Carvalho e Silveira
Construção Vitacon
Fotos FG + SG Fotografia de Arquitetura

Texto de Evelise Grunow| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 448
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