28º Opera Prima

Reivindicação da Paisagem Guanabara

Juliana Ayako Okada Ahmed (autora), Otavio Leonídio (orientador) - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

Trata-se de uma releitura da zona litorânea do Rio de Janeiro, propondo um meio termo entre as relações antagônicas que operam na baía de Guanabara: autêntico e artificial, passado e futuro, terra e mar.Identificam-se no seu espelho d’água elementos que, denominados de monumentos e ruínas, são registros do processo de formação desse território assoreado.

O trabalho abarca a ideia da casualidade, ou seja, procura dar instrumentos (infraestrutura, que a autora denomina de tipologias) a certa arbitrariedade com que se depositam sedimentos orgânicos e não orgânicos (poluição) no solo da baía, de modo a fazer das ações naturais (movimentos dos rios) e humanas os meios para a transformação desse território.

O trabalho faz crítica a um tipo de intervenção idealizadora da realidade, baseando-se, ao contrário, na leitura do local como um ente vivo, dinâmico. Os monumentos e ruínas são elementos em uso ou abandonados, oriundos de atividades econômicas e de ações de urbanização.

Considera-se, assim, tanto a presença de canos de esgotamento sanitário, quanto barcos abandonados (atividade pesqueira e petrolífera), barreiras de contenção, ilhota, bóia, entre outros, como epicentros da possível transformação da baía. Próximo a eles, assim, se implantariam sobre o solo da baía as infraestruturas concebidas pela autora. São peças circulares habitáveis (pelo homem e por elementos da flora e fauna marinhas) feitas com concreto, a serem depositadas no mar, na margem ou na praia.

Há quatro tipologias definidas: alagado, piscina, criação de ostras e berçário. A ideia é criar um sistema aberto que incorpore o acaso e se coloque como um espaço intermediário entre ambos os agentes. Nesse sistema, o desempenho das tipologias pode ser potencializado de acordo com a profundidade e local de implantação (se no mar, na margem ou na praia): alagados na margem e parcialmente na praia; piscinas em todos os três; ostras no mar e parcialmente na praia; berçário idem.

Essa é a plataforma de possibilidades a que se refere a autora, cuja função é amparar a reivindicação do território pelo indivíduo e também pela natureza. As tipologias, ainda quando ancoradas, têm a flexibilidade de se moverem na água, e, assim, da sua multiplicação ao longo do tempo - segundo dois desenhos indutores: periférico ou central - é que se poderá transformar a paisagem da baía.

PARECER DO JÚRI
Projeto instigante e original, que faz uma reflexão surpreendente sobre a paisagem da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e, consequentemente, sobre o próprio ato de projetar. Com olhar sensível, valoriza elementos não óbvios desta paisagem.


Juliana Ayako Okada Ahmed
Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

CLIQUE AQUI para baixar a prancha do projeto na íntegra.



Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 441
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