28º Opera Prima

(Re)arranjo espacial, empoderamento social

Fernando Sampaio de Souza Guimarães (autor), Helena Karpouzas (orientadora) - Universidade Estácio de Sá (Campus Centro), Rio de Janeiro

O tema do trabalho é a reordenação territorial da favela do Morro Azul e a sua reconexão física com o bairro do Flamengo, onde está inserida, na zona sul do Rio de Janeiro. Há residências a serem realocadas, vias que necessitam de interligação para garantir a circulação de pedestres e também muros a serem demolidos, de modo a ceder espaço para praças e mirante, abrindo vistas para o entorno – a favela é cercada por remanescentes de mata Atlântica – e criando áreas para o convívio dos integrantes da comunidade.

O enfrentamento da topografia em aclive correspondeu às fases sequenciais de desenvolvimento da favela, basicamente setorizada em três áreas: a baixa, junto à estação de metrô; a alta, onde está a maioria das casas a serem realocadas; e o fundo, de difícil transposição. O autor, assim, intervém no morro por meio de quatro zonas estratégicas.
Na primeira delas, cria‑se o portal de entrada, tanto por causa da morfologia e programas das novas edificações (comércio, sede da associação de moradores e residências, implantados em volumes laminares de médio porte e alinhados à via principal de acesso) quanto pela valorização do espaço aberto junto ao equipamento público de transporte.

Nas duas zonas intermediárias, saem casas em situação de risco e, no lugar. entram as novas moradias faltantes e praças, uma ação amparada pela abertura de duas novas vias que interligam as ruas existentes, porém atualmente isoladas entre si.

E na última, por fim, cria‑se um mirante, que permite a visualização da mata. Respeitando a forte coesão comunitária existente no local, que já teve conjunto de casas construídas em mutirão, todas as novas edificações foram projetadas em concreto armado e alvenaria emboçada, técnica que pode ser executada pelos moradores.

PARECER DO JÚRI
Trabalho pertinente tanto no que diz respeito ao tema (habitação social) quanto à sua habilidade de reconectar a área de estudo com a cidade. São acertadas também a apropriação da topografia e o aproveitamento dos espaços, de modo a minimizar as remoções.

 
Fernando Sampaio de Souza Guimarães
Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro

CLIQUE AQUI para baixar a prancha do projeto na íntegra.



Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 441
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