MPGAA: Eleva, Rio de Janeiro

De volta às origens

A Eleva começou a operar em 2017 a sua primeira unidade, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, em um imóvel histórico (e tombado) cuja ocupação imediatamente anterior era de um museu: a Casa Daros. A escola atende, em tempo integral, alunos da educação infantil ao ensino médio, e o currículo é ministrado em português e inglês. A instituição faz parte do Eleva Educação, grupo mantido pelo fundo de investimentos Gera Venture Capital. Não é a primeira vez que a edificação de Botafogo sedia uma escola. O retorno às origens foi orientado pelo projeto de Miguel Pinto Guimarães

Construído na segunda metade do século XIX pelo arquiteto Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, o casarão da rua General Severiano, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, permaneceu fechado pouco menos de dois anos.

Com o encerramento das atividades, no final de 2015, do espaço expositivo Casa Daros (que era mantido pela Fundação Daros, com sede em Zurique, Suíça), o imóvel que fora adquirido em 2006 foi novamente negociado - dessa vez com o grupo Eleva Educação, que o transformou na unidade pioneira da Escola Eleva. O ajuste do antigo espaço expositivo para receber o programa educacional foi realizado a partir de projeto do arquiteto Miguel Pinto Guimarães.

Acolher uma escola não é algo inédito na história do casarão, tombado pelo patrimônio histórico. Há muitos anos, ele abrigou um educandário e sediou o Colégio Anglo-Americano antes de ser reformulado para funcionar como espaço expositivo. Se, do ponto de vista da ocupação, a abertura da Escola Eleva no início de 2017 representa uma volta ao passado, o atual programa educacional volta-se para o futuro.

Foi um concurso fechado (de conceituação e não de projetos, observa Guimarães) entre escritórios de arquitetura que levou o MPGAA a ser escolhido para a tarefa. A primeira etapa do projeto, conta o arquiteto, tratou de aproveitar o cuidadoso restauro que havia sido efetuado para a ocupação pela Casa Daros, readequando o espaço interno da edificação - basicamente compartimentando os antigos espaços expositivos em salas de aula e áreas para atividades complementares.

Com a demanda por vagas aumentando, em meados de 2017 a direção da escola antecipou a reforma de outra ala do casarão (separadas por pátios) para receber novas turmas. Nela, a intervenção do MPGAA se deu sobretudo no sentido de revelar aspectos da construção original - ficaram expostos, por exemplo, o madeiramento original da estrutura da cobertura, bem como os tijolos das paredes.

Guimarães conta que, embora cronologicamente não sejam tão distantes, é possível perceber as duas recentes intervenções pelas quais passou o imóvel: na ala anteriormente ocupada pela Casa Daros, nota-se, por exemplo, o forro de gesso criado para o espaço expositivo, enquanto que, na ala reformada no segundo semestre de 2017, estão expostos segmentos dos sistemas construtivos originais. “Fizemos questão de marcar a atual intervenção”, explica o arquiteto.

Também para acomodar o programa, o arquiteto deu novo destino aos pátios - parte do que ficava junto à ala do espaço expositivo foi destinada à quadra esportiva coberta e parte tornou-se área de recreação. Já o pátio junto à ala mais recentemente reformada recebeu o auditório - inicialmente contrários a tal tipo de transformação, os órgãos de defesa do patrimônio deram parecer favorável ao projeto por entenderem que este não interferia na visibilidade e na leitura da construção de traços coloniais.

Completamente novo é o edifício anexo de quatro pavimentos, junto à antiga lavanderia do casarão/escola, destinado ao ensino médio, que possui estrutura metálica. Guimarães recorreu a brises (deslocados entre os andares) para manter a relação com o prédio existente.

MPGAA
Desde 2003 à frente do MPGAA, Miguel Pinto Guimarães (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro - FAU/UFRJ, 1997) já desenvolveu mais de 400 projetos por todo o país e no exterior, em sua maioria residenciais e comerciais. Também integram o escritório as sócias Adriana Moura (FAU-UFRJ, 1995) e Renata Duhá (Universidade Federal Fluminense - UFF, 2002). 



Ficha Técnica

Escola Eleva
Local R
io de Janeiro (RJ)
Área do terreno 
12.635 m2
Área construída 15.052 m2
Início do projeto 2016
Conclusão da obra 2016

Arquitetura Miguel Pinto Guimarães Arquitetos - Miguel Pinto Guimarães (autor); Renata Duha (coordenadora); Rafael Amorim (arquiteto responsável); Adriana Moura (coordenação de design de interiores); Tati Viany (designer responsável); Rodrigo Mello, Luciana Lima, Teresa Jardim (equipe)
Instalações especiais Barra System Tecnologia
Instalações HW Consultoria
Estrutura Cerne Engenharia e Projetos
Iluminacão LD Studio
Paisagismo Embya Paisagens e Ecossistemas
Parque Infantil Ere lab
Ar-condicionado Consultar Engenharia
Acústica Thompson Motta 
Gerenciamento Quorum Consultoria e Projetos
Construção Retrofit Engenharia 
Fotos Andre Nazareth

Fornecedores

Neo Design (telas solares, cortinas)
Salamandra (telas solares, telas tensionadas)
Huna, Pereira Lopes (marcenaria)
Metadil, Linea Rica (mobiliário das salas de aula)
Fernando Jaeger (mobiliário da biblioteca)
Avanti (tapete da biblioteca)
Oppa, TokStok (mobiliário)
Guilhermina (paisagismo)
Chácara Tropical (plantas)
LZ Studio (cadeiras da área externa)
Mirage (cadeiras do auditório)
Eurodesign (puxadores)
Escinter (cadeiras do makerspace)

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 445
  • 0 Comentários

ENVIE SEU COMENTÁRIO

Assine PROJETO e FINESTRA!
Acesso completo grátis para assinantes


Quem assina as revistas da ARCO pode acessar nosso acervo digital com mais de 7 mil projetos, sem custo extra!

Assine agora