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MMBB Arquitetos: Residência, São Paulo

Empenas soltas definem partido de máxima ocupação

Duas empenas, da ordem de 15 metros de comprimento e alturas variáveis de quatro e 6,5 metros, sinalizam o máximo de ocupação do lote, obtido pela proposta da equipe do escritório MMBB Arquitetos para a residência no bairro City Boaçava, em São Paulo. O projeto conquistou a primeira colocação da Premiação IAB/SP 2008, na categoria edifício habitacional/obra concluída.

Plantas, cortes e fachadas
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A sala de estar se desenvolve praticamente em todo o espaço existente entre as empenas
Empenas soltas definem partido de máxima ocupação
Duas empenas, da ordem de 15 metros de comprimento e alturas variáveis de quatro e 6,5 metros, sinalizam o máximo de ocupação do lote, obtido pela proposta da equipe do escritório MMBB Arquitetos para a residência no bairro City Boaçava, em São Paulo. O projeto conquistou a primeira colocação da Premiação IAB/SP 2008, na categoria edifício habitacional/obra concluída.

Equacionar a demanda por grandes espaços em terrenos relativamente compactos - sobretudo se analisadas condicionantes como a topografia e as restrições legais - é tarefa já conhecida dos arquitetos Fernando de Mello Franco, Marta Moreira e Milton Braga, tendo motivado anteriormente a criação de residências com volumes concisos de concreto, que parecem flutuar sobre o térreo livre. Na casa do City Boaçava, contudo, há uma sutil variação de partido: a geratriz do projeto são as empenas, e não o volume que elas conformam.

Esses grandes fechamentos, portanto, não chegam ao solo do terreno em aclive. Funcionalmente, em termos de fluxos da residência, até poderiam estender-se em parte diretamente até a fundação, mas são apenas quatro pilares redondos, dois em cada empena, que desempenham tal função.

Posicionados centralmente nas empenas, à distância de cinco metros entre si e definindo balanço de cerca de seis metros na direção das fachadas, esses elementos estruturais criam interessante tensão na percepção de como se sustenta a edificação. Essa qualidade inquietante é otimizada ainda pelo fato de o par frontal de pilares estar isolado do convívio social da casa, no piso inferior da garagem. Parece, então, que todo o volume construído se apoia apenas em dois pontos estruturais.

Vista do térreo, com destaque para o balanço estrutural
Detalhe do transpasse da empena em relação à laje do piso superior
Destaque para o atirantamento da escada de acesso ao pavimento superior, solta do térreo

Embora as empenas suspensas liberem quase a totalidade do térreo para a fruição das áreas externas de estar, as abas que elas conformam sob a laje de piso do pavimento superior acabam por minimizar a percepção da existência de edificações vizinhas, como se não se tratasse de uma casa urbana. E era justamente esse o propósito do projeto, ou seja, isolar a residência do seu entorno imediato. Entra em cena, assim, o pátio central e descoberto, que setoriza os espaços frontal e posterior da moradia. Em resumo, trata-se de uma abertura generosa em torno da qual estão organizados, no pavimento superior, os setores íntimos transversais e a grande sala longitudinal, atualmente utilizada como escritório.

As escadas ocupam visualmente o espaço do pátio aberto
A fachada frontal, de orientação sudoeste, tem brises horizontais de proteção

Estes, por sua vez, estão protegidos das intempéries por meio de esquadrias fixas e móveis, feitas com vidro do piso ao teto. É interessante notar que o posicionamento desalinhado das escadas que dão acesso ao piso superior e à cobertura - nesta última há um espelho d’água contínuo e um grande deque de madeira - salienta visualmente a importância do pátio central ao multiplicar a metragem linear de guarda-corpos e corrimãos que o cercam.
O detalhamento desses elementos, também já utilizado em projetos anteriores dos arquitetos, responde à altura através do desenho austero da serralheria.

Texto de Evelise Grunow
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 349 Março de 2009

Formados pela FAU/USP, Fernando de Mello Franco, Milton Braga (ambos em 1986) e Marta Moreira (1987) são sócios no escritório MMBB desde 1996. Receberam, entre outros, o prêmio da 4ª BIA pelo projeto da garagem do Trianon, em São Paulo

O balanço estrutural das empenas é perceptível a partir dos interiores da casa, como nesta vista desde a varanda
Uma varanda aberta e coberta isola o dormitório frontal do movimento de acesso à cobertura
O afastamento entre o dormitório e o vazio central permite a livre circulação e o acesso à cobertura
A cobertura oferece vistas interessantes a média...
A sala de estar abre-se para a frente e os fundos
do terreno
... e longa distâncias

Texto de Evelise Grunow| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 349

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