Metro Arquitetos: Edifício educacional, São José dos Campos, SP

No ITA de Niemeyer, uma obra do Metro

O primeiro dos três edifícios objetos de uma concorrência realizada em 2013 pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que fica em São José dos Campos (SP), foi concluído em 2017. Projetada pelo Metro Arquitetos, a edificação - que conta com salas de aula, laboratórios, salas para professores e auditórios - possui autonomia e caráter próprios. É, porém, tributária- e isso é mérito - das instalações projetadas no campus por Oscar Niemeyer na metade do século passado

Em 2013, quando o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) abriu licitação para contratar projetos de arquitetura para ampliar suas instalações em São José dos Campos (SP), três escritórios paulistanos, habituais parceiros de Paulo Mendes da Rocha, decidiram participar de forma conjunta.

Metro Arquitetos, MMBB Arquitetos e Piratininga Arquitetos juntaram-se em consórcio e venceram a concorrência, cujos objetos eram uma vila residencial para professores, a sede da escola da Divisão de Ciências Fundamentais e uma biblioteca.

O instituto sediado na cidade do Vale do Paraíba desde a sua constituição, em 1950, é uma instituição universitária pública subordinada ao Comando da Aeronáutica e tornou-se referência nacional no ensino de engenharia. O plano diretor do campus - que fica em terreno limitado em duas laterais pelas rodovias Presidente Dutra e dos Tamoios - e parte das edificações foram projetadas por Oscar Niemeyer.

Com o decorrer dos anos, outros prédios foram sendo incorporadas ao conjunto. Um aspecto interessante na recente ampliação das instalações é que, antes da concorrência de 2013, o ITA cogitou fazê-la a partir de projetos de outros escritórios – no Plano de Desenvolvimento Institucional 2011-2020 (disponível em PDF no site do ITA), existem imagens e plantas de projetos esboçados pelos seguintes escritórios e construtoras, convidados pela Vale Soluções em Energia: Bernardes & Jacobsen; Matec Engenharia e Biselli & Katchborian; Patrícia Penna Arquitetura e Solidi Engenharia e Construções.Tais propostas consideravam a duplicação do número de alunos do Curso Fundamental, que corresponde aos dois primeiros anos de estudo dos alunos do campus.

No projeto do Metro, o edifício da Divisão de Ciências Fundamentais faz parte de um setor do campus que o escritório, em parceria com MMBB e Piratininga, chamou de Quadra Educacional. Sua concepção – assim como a do grande auditório e da biblioteca – foi idealizada de forma a promover a articulação das edificações existentes com as novas e, com isso, complementar e potencializar mutuamente seus usos.

Depois da etapa inicial em que trabalharam juntos, o consórcio dividiu as tarefas: o Metro ficou responsável pelos projetos do grande auditório e do edifício de Ciências Fundamentais; o MMBB, pelo da biblioteca; e o Piratininga, pelo da vila residencial.

O programa da Divisão de Ciências Fundamentais foi distribuído em uma lâmina ortogonal com 220 metros de extensão, com o térreo em pilotis e dois pavimentos, onde ficam as cem salas de professores. A essa lâmina estão conectados três volumes transversais: nos dois blocos laterais (quadrados), foram dispostas as salas de aulas e, no centro, no bloco retangular, os auditórios e laboratórios.

Para dar forma aos prédios, a equipe do Metro recorreu a sistemas construtivos industrializados constituídos basicamente por peças metálicas estruturais e painéis pré-moldados de concreto no fechamento. Os materiais foram especificados para reduzir prazos e desperdícios e atender o orçamento enxuto. “As premissas tornaram a construção eficiente sem, no entanto, reduzir a generosidade, leveza e beleza dos edifícios, em busca de relação virtuosa com o campus existente”, explica Martin Corullon, do Metro Arquitetos.

Assentado sobre pilotis, o prédio das salas dos professores permite livre trânsito pela cota térrea. Embora tenha adotado técnicas construtivas e materiais distintos, Corullon destaca que a concepção do conjunto reproduz, de certa forma, o partido dos edifícios projetados por Nimeyer, localizados nas imediações da nova construção. Também observa que o curto prazo de implantação requerido pelo ITA, sobretudo na implantação das salas de aulas e dos professores, contribuiu para a adoção da estrutura metálica e dos fechamentos pré-fabricados.

“Foram seis meses para desenvolver o projeto executivo do conjunto de 16 mil metros quadrados de área construída e mais seis de ajustes para que a licitação fosse iniciada”, ele relata.

O alongado bloco das salas dos professores possui circulação horizontal aberta e coberta na sua lateral voltada para as salas de aula. Na outra lateral, direcionada para a futura praça cívica (que abrigará a biblioteca e o grande auditório), o fechamento envidraçado recebeu a proteção (brise) de tela metálica perfurada – trata-se de um produto de linha, porém com a aplicação de forma e dimensão pouco comuns: a tela está fixada e tensionada junto aos pilares e vigas metálicas.

Os três volumes transversais possuem fechamentos mais opacos nos andares elevados, com rasgos para a entrada de luz natural, e envidraçamento junto ao chão e no piso semienterrado onde ficam os laboratórios. A equilibrada combinação de materiais corriqueiros ajuda a diluir a grande dimensão do conjunto que, no entanto, não perde seu impacto expressivo. Embora não possa mais opinar, é provável que Niemeyer desse seu aval à contribuição do Metro ao ITA. 

Metro Arquitetos
 

Fundado em 2000 pelos arquitetos Martin Corullon (formado pela Universidade de São Paulo) e Gustavo Cedroni (formado pela Fundação Armando Álvares Penteado), o Metro Arquitetos atua em diversas escalas e tipologias. Exceção ao Cais das Artes - projeto no qual trabalharam com Paulo Mendes da Rocha -, os edifícios do ITA são, até agora, a sua obra solo de maior dimensão.



Ficha Técnica

Divisão de Ciências Fundamentais do Instituto Tecnológico de Aeronáutica
Local São José dos Campos (SP)
Início do projeto 2014
Conclusão da obra 2017
Área de implantação 7.058 m²
Área construída 15.879 m²

Arquitetura Metro Arquitetos - Martin Corullon e Gustavo Cedroni (autores); Miki Itabashi, Rafael de Sousa, Marcelo Altieri, Marcelo Macedo, Helena Cavalheiro, Isadora Marchi, Luis Tavares, Marina Ioshii, Marina Pereira, Flavio Bragaia, Camille Laurent, Isadora Scheneider, Marina Cecchi (colaboradores)
Estruturas Inner Engenharia e Gerenciamento
Fundações Appogeo Projeto
Hidráulica Usina Consultoria e Projetos
Elétrica PKM Consultoria, Projetos e Instalações
Ar condicionado EPT Engenharia
Luminotécnica Lux Projetos Luminotécnicos
Acústica Harmonia Davi Akkerman + Holtz
Impermeabilização Proassp impermeabilização
Quantificações e orçamento Raoni Nakamura e Lara Galvão
Paisagismo Bonsai Paisagismo
Sonorização SVA Sistemas de Vídeo e Áudio
Maquete Fred Carol Maquetaria
Construção MPD Engenharia
Fotos Leonardo Finotti

Fornecedores

Fornecedores Hunter Douglas (brises)
ThyssenKrupp (elevadores)
Alvaminio (esquadrias)
PKO do Brasil (vidros)

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 445
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