Kruchin Arquitetura: Praça Pamplona, São Paulo

Praça para o trabalho, a cultura e a pesquisa

Fichas técnicas
Plantas, cortes e fachadas
Praça Pamplona
Praça para o trabalho, a cultura e a pesquisa

Atualmente ocupado por um casarão da primeira metade do século passado, o terreno no início da rua Pamplona, na Bela Vista, bairro próximo do centro da capital paulista, abrigará, nos próximos anos, o empreendimento de uso misto Praça Pamplona.

Projetado pelo escritório Kruchin Arquitetura, ele é constituído por uma torre comercial, um teatro digital (planetário) e um edifício destinado a um centro de pesquisa do Instituto de Física Teórica, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

As possibilidades de interação do espaço público com o empreendimento privado constituem o aspecto central da intervenção.

A moradia na primeira quadra da Pamplona foi ocupada no final dos anos 1950 pelo Instituto de Física Teórica.

Mesmo sem grande significado arquitetônico (trata-se de uma residência eclética, com técnicas construtivas que já exibem nuances da arquitetura moderna e com pouco tempo de uso em sua função original, conforme relata o arquiteto Samuel Kruchin), ela foi o ponto de partida do Praça Pamplona, empreendimento da Brookfield Incorporações.

Sua preexistência foi determinante tanto no que se refere à implantação quanto à linguagem dos vários elementos, observa Kruchin.

Praça Pamplona
Praça Pamplona

Ele informa que serão eliminadas as intervenções descaracterizadoras do desenho original do casarão e reconstituídos os elementos originais, como as varandas circundantes.

Para a disposição das edificações, foi definido um eixo integrador: uma rua interna que, iniciando na Pamplona, corta o lote e, ao encontrar a torre na extremidade oposta do terreno, no limite com a rua Sílvia, transforma o térreo do edifício numa espécie de mirante público.

Nas laterais desse percurso (que terá acesso livre na maior parte do dia) estão posicionados os blocos destinados ao Instituto de Física Teórica - o teatro digital e o centro de pesquisa.

Para Kruchin, o eixo tem papel fundamental na estruturação urbana do conjunto: “A cidade é atraída para o interior do lote e com ele se confunde. O terreno abre-se ao espaço público, convertendo-se em ruas e praças sem, no entanto, abdicar do seu caráter privado”.

Praça Pamplona
Praça Pamplona

Por sua vez, as duas praças posicionadas em cotas e áreas distintas do lote farão a articulação entre os prédios. São elas também que incentivarão a apropriação pública de um espaço privado.

O edifício comercial, um bloco retangular no extremo oposto ao acesso principal, funcionará como pano de fundo para o complexo. Em seu plano frontal, voltado para as praças, a torre possui desenho que busca a neutralidade e a discrição visual.

Na testada voltada para a rua Sílvia, a intervenção será praticamente de natureza paisagística, complementada por um painel pintado no muro com imagens do casarão.

Situado na parte central do terreno, o centro de pesquisa estará em cota inferior à do acesso principal e à da residência. Também de conformação retangular, com uma das extremidades em semicírculo e a outra em balanço, a edificação tem três pavimentos; a face voltada para as praças caracteriza-se por anteparo trapezoidal que, sem ser protagonista da composição, dá-lhe personalidade.

Já o teatro digital é o elemento esteticamente mais vigoroso no complexo. Com acesso pela rua/eixo, no trecho em que ela se transformará em passarela sobre a praça da cota inferior, o edifício, uma meia esfera aberta, remete às conchas que envolvem caracóis e mariscos, formação calcária que Kruchin revela ter servido de inspiração.


Texto de Adilson Melendez
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 396 Fevereiro de 2013
Praça Pamplona
Praça Pamplona
 

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 396

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