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João Filgueiras Lima, Lelé: Hospital Sarah-Rio

Lelé no Rio

Lelé no Rio

O sítio, denominado ilha Pombeba, é, na verdade, uma península, localizada às margens da lagoa de Jacarepaguá (próximo ao Riocentro), com uma ligação pavimentada de 700 metros de extensão com a avenida Salvador Allende, uma das principais da região. O local antes abrigava setores municipais de conservação de vias públicas.

A área da implantação, de formato alongado - cerca de 140 m de largura por 430 m de comprimento -, quase inteiramente envolvida pela lagoa, permite que, de qualquer ponto de seu perímetro, sejam visualizadas as agradáveis paisagens do Rio.
A proximidade da água e a constante brisa leste constituem fatores importantes para a definição do clima ameno. As águas tranqüilas da lagoa permitem ainda a prática de esportes náuticos apropriados ao trabalho de reabilitação, a exemplo do que ocorre na unidade implantada às margens do lago Paranoá, em Brasília.

Com o uso de componentes industrializados, as obras dos quatro edifícios do Sarah-Rio foram concluídas em apenas seis meses. Todos os componentes foram fabricados em Salvador e transportados para o Rio: os estruturais em aço, os de argamassa armada, marcenaria ou de plásticos. Uma pintura eletrostática, à base de epóxi e poliuretano, foi aplicada em peças metálicas, de aglomerado ou plástico.

No novo centro, o arquiteto também optou pela implantação horizontal, a exemplo do que já havia feito nas unidades da Rede Sarah em Brasília, Salvador e São Luís. Com isso, os ambientes integram-se a terraços ajardinados, onde os pacientes tomam banho de sol. Para garantir a incidência controlada do sol - importante fator de combate às infecções -, os espaços são protegidos por coberturas onduladas, com sheds.

Um eixo comum de circulação interliga os quatro blocos que constituem o centro: administração e ambulatório; atividades esportivas, com quadra e garagem de barcos, entre outros; serviços gerais, almoxarifado, copa e cantina; e os setores de fisioterapia e hidroterapia.

Externamente, foram projetados ainda o prédio da portaria, estacionamentos, quadra esportiva, piscina e pátio de serviços. Junto à avenida de grande movimento, foi construído um abrigo de ônibus especial, adequado a pacientes usuários do sistema de transportes coletivos urbanos.

Acesso do centro: à direita, administração-ambulatório;
à esquerda, garagem de barcos e quadra coberta
Implantação na ilha Pombeba: vistas privilegiadas
Implantação
1.Área de preservação 2.Administração 3.Garagem de barcos
4.Quadra 5. Fisioterapia 6.Hidroterapia 7.Piscina externa
8.Serviço 9. Pátio de serviços 10.Estacionamento 11.Portaria
Shed, na sala de reabilitação infantil, ilumina e ventila naturalmente

O emprego do ar-condicionado foi generalizado para os vários setores do centro, com exceção da hidroterapia, do galpão de esportes náuticos e de alguns ambientes do bloco de serviços gerais. Mas, o projeto procurou dotar o edifício de ventilação natural, comprovadamente eficiente no combate a infecções hospitalares, evitando ambientes herméticos.

Assim, as coberturas dispõem de nichos que contêm dutos de insuflação de ar das clarabóias destinadas à iluminação e á ventilação naturais. As aberturas dos sheds estão protegidas por venezianas que impedem a incidência direta do sol nos vidros das esquadrias.

Na execução do projeto, o arquiteto utilizou fundações diretas, com sapatas contínuas ou isoladas. A estrutura dos sheds e coberturas foi constituída de vigamento metálico em chapa dobrada, apoiado em pilares também metálicos, que vencem vãos de até 12,5 m. O arcabouço das coberturas dos sheds e das abóbadas é formado por treliças metálicas a cada 2,50 m que se apóiam no
vigamento duplo.

Texto resumido a partir de reportagem
de Éride Moura
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 266 Abril de 2002
Parque junto à área de fisioterapia infantil
Elementos estruturais produzidos no CTRS,
segundo a concepção artística de Athos Bulcão
Espera com divisória de painéis coloridos,
também programados por Athos Bulcão

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 266

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