Joan Villà e Sílvia Chile: Condomínio residencial, Cotia, SP

Brasileiro nas cores
e nas intenções

A obra desenhada por Joan Villà e Sílvia Chile é detentora do Prêmio Carlos Milan, conferido pelo IAB/SP em 2002

Este condomínio popular situa-se no final de uma rua sem saída de Cotia, a 30 quilômetros da cidade de São Paulo, em região que mescla antigas chácaras de veraneio, pequenas instalações fabris e residências típicas da periferia. 

As 24 unidades, distribuídas em três blocos iguais, estão assentadas em diferentes patamares, conforme a topografia. As edificações - construídas com painéis de blocos cerâmicos - fogem do convencional graças aos terraços cobertos com telhas metálicas. O projeto destaca-se no entorno e também no contexto da arquitetura brasileira atual: trata-se de raro exemplo de habitação popular, seja ela de origem pública ou privada, com qualidade de projeto.

O terreno em aclive condicionou a criação de três patamares, cada um com uma construção. A solução melhora a ventilação, a iluminação e a visibilidade, independentemente do posicionamento da unidade. O estacionamento de carros fica junto à via pública; serão construídos ainda um pavilhão de lazer, quadra esportiva e local de recreação infantil. Uma rua sinuosa permite a entrada de veículos para carga/descarga e para mudanças.

Uma das maiores qualidades do projeto - e seu principal diferencial - é a predominância de espaços comunitários. O usual, em empreendimentos de qualquer padrão, é dividir a área entre as casas, deixando o restante para circulação de veículos e pequena área comum de lazer. Aqui, cada unidade possui um pequeno quintal nos fundos; no mais,
os espaços da gleba são compartilhados.

O conjunto foi construído com pré-fabricação cerâmica, que consiste na execução de painéis de blocos cerâmicos para laje, paredes e escadas, técnica desenvolvida por Villà no Laboratório de Habitação da Universidade Estadual de Campinas (leia PROJETODESIGN 251, janeiro de 2001). 

Foi utilizada mão-de-obra não especializada, treinada no canteiro pelos arquitetos, em seu primeiro trabalho para a iniciativa privada.

Os sobrados possuem configuração convencional. No térreo estão sala, cozinha e área de serviço; no primeiro pavimento, são dois quartos e banheiro.

Mas o aspecto que diferencia o conjunto está no segundo andar, que abriga um terraço coberto por telhas metálicas. Cada cobertura encima duas casas, com caimento central, do tipo borboleta. Esse elemento mistura o popular e o erudito - É encontrado em grande parte das autoconstruções brasileiras e, por outro lado, é parte da proposta de Le Corbusier para o terraço-jardim.

O custo da unidade é outra qualidade do projeto. A base do espaço privativo ficou em 304 reais o metro quadrado. Incluídos urbanização e terreno, o custo final da unidade fica em cerca de 30 mil reais.

Esse conjunto, pintado com as cores da bandeira nacional, em tons não convencionais, insinua a vontade dos autores de ajudar a resolver o (grave) problema habitacional do país.



Ficha Técnica

Condomínio Residencial
Local Cotia, SP
Projeto 2001
Conclusão da obra 2002
Área do terreno 3 200 m2
Área construída 2 256 m2
Arquitetura Joan Villà e Sílvia Chile (autores); Cláudia Mota e Guilherme Mazoni (equipe)
Cálculo estrutural Yopanan Rebello
Elétrica e hidráulica Edson Takahashi
Saneamento Luiz Fernando Carvalhães
Drenagem Edson Garcia da Silva Jr.
Treinamento de mão-de-obra Débora Daukan
Construção e incorporação Zênica
Fotos Sílvia Chile

Fornecedores

Selecta, Itapira (blocos cerâmicos)
Ananda (telhas metálicas)
Magil (tintas)
Carbus (piso cerâmico)

Texto de Fernando Serapião| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 278
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