FINESTRA: Paulo Bruna Arquitetos Associados e Gomes Machado Arquitetos Associados, PNUD 3 + 5, Brasília

Brises e recuos atenuam calor

Dois blocos retangulares estão separados por um pátio ajardinado. Volumetria, materialidade e detalhamento arquitetônico não dão sinais de que as duas construções foram executadas sequencialmente, a primeira finalizada em 2012 e a segunda, em 2015. Ambas abrigam as sedes de agências da Organização das Nações Unidas em Brasília e foram concebidas pela dupla de escritórios Paulo Bruna Arquitetos Associados e Gomes Machado Arquitetos Associados. As fachadas dos dois edifícios revelam que as obras respondem adequadamente à insolação rigorosa da cidade, a favor do conforto ambiental

O projeto vencedor do concurso público nacional para a nova sede da Agência do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) foi criado em 2004, em parceria entre os escritórios Paulo Bruna Arquitetos Associados e Gomes Machado Arquitetos Associados. O programa inicial apresentado pela Organização das Nações Unidas (ONU) era abrigar, em um único espaço, a maioria de suas agências então instaladas em Brasília e Rio de Janeiro, mas, segundo o arquiteto Pedro Collet Bruna, do escritório Paulo Bruna Arquitetos Associados, o projeto foi posteriormente setorizado para a execução em fases. O primeiro edifício, construído em 2012, abriga o chamado PNUD 3. A ampliação que publicamos a seguir (denominada PNUD 5), a ele conectada, abriga mais quatro agências da ONU.

O projeto segue o plano diretor criado pelos escritórios com vistas ao sequenciamento da implantação e ao aproveitamento de todo o potencial construtivo do terreno de 22.500 metros quadrados, localizado no Setor das Embaixadas Norte - com vista para o lago Paranoá. Privilegiou‑se a primeira construção (conjunção de PNUD 3 e PNUD 5) ao posicioná-la junto à entrada principal, sendo que os demais edifícios estarão localizados entre pátios e jardins. Na primeira fase (PNUD 3) foram construídos 2.550 metros quadrados e na segunda fase (PNUD 5), 1.750 metros quadrados, atendendo o gabarito de 10 metros estabelecido para o Setor das Embaixadas.

Com área construída distribuída em subsolo, térreo, mezanino, pavimento tipo e cobertura, o edifício do PNUD está dividido em dois blocos que se integram por meio de um pátio ajardinado. “O primeiro deles foi implantado bem na entrada do terreno, com área coberta por uma marquise metálica para embarque e desembarque. O lobby dos dois blocos têm pé-direito triplo, com iluminação natural indireta. Devido ao clima quente e seco de Brasília, era importante controlar a iluminação natural”, detalha Bruna.

Fachadas sombreadas

Dois pontos foram determinantes para a concepção da envoltória: a insolação e a distribuição das circulações de pedestres. O escritório de arquitetura desenvolveu os estudos de insolação por meio de máscaras solares e de softwares de renderização. Cada bloco possui quatro fachadas diferentes. “As fachadas frontais e de fundo recebem o sol nascente e poente, com a incidência bem horizontal. Já as fachadas laterais, orientadas para o norte, têm o sol mais vertical. A combinação de brises móveis, janelas maxim-ar e alvenarias revestidas garantem o tratamento térmico nas fachadas e possibilita a ventilação cruzada”, detalha Pedro Collet Bruna.

A fachada frontal do primeiro bloco ganhou brises verticais orientáveis de vidro serigrafado branco e alvenaria revestida com fulget branco. Instalados somente no andar superior, os brises distantes 1,50 metro da face do edifício fazem a proteção do andar térreo e auxiliam na dissipação do calor gerado antes de chegar às janelas. No vão, entre brise e fachada, existe uma passarela acessível para a manutenção do conjunto. No segundo bloco, como a fachada frontal se desenvolve frente a um pátio, foi prevista, em vez de brises, a instalação de um sistema de pergolado metálico para garantir seu sombreamento. A face posterior também recebeu brises de vidro e janelas maxim-ar com peitoril de 72 centímetros de altura, equivalente à altura das mesas. Nas faces laterais, foram aplicados brises horizontais de vidro no primeiro bloco e, no segundo bloco, janelas recuadas. “A utilização de brises foi a melhor solução para vencer a incidência solar em horários diversos. O sombreamento ocorre em todos os lados: no poente e nascente, os brises são verticais orientáveis, e nas faces norte e sul, os brises são horizontais fixos. Com o sol muito horizontal, o brise vertical se torna eficiente e a mobilidade ajuda a regular a incidência solar, privacidade e transparência da fachada”, explica Bruna.

Segundo o arquiteto, os brises são compostos por chapas de vidro de 16 milímetros de espessura, laminados com película butiral na cor branca, e dimensões que possibilitaram o melhor aproveitamento das chapas. Cada brise tem 60 centímetros de largura e 320 centímetros de altura. Os orientáveis são pivotantes e conectados, a cada três, com uma haste de alumínio responsável pelo acionamento manual. Desenvolvidos na obra através de modelos em escala real, os brises estão apoiados e travados em passarelas metálicas de manutenção. Eles não são estruturados ou requadrados; a própria resistência do vidro já é suficiente para a sua sustentação. As chapas são apoiadas em perfis metálicos, que por sua vez estão sobre pivôs.

Para a vedação da envoltória foi utilizado o sistema de fachada entre vãos, composto por janelas maxim-ar produzidas com vidros laminados de 8 milímetros encaixilhados com gaxetas de EPDM em perfis de alumínio. As soluções implantadas para a economia de energia e conforto ambiental, como ventilação cruzada e efeito chaminé nos átrios, sombreamento das fachadas, iluminação e ar condicionado eficientes, geração fotovoltaica, e sombreamento com paisagismo que emprega espécies locais são soluções que contribuem para a Certificação Aqua, cujo processo está em curso.



Ficha Técnica

PNUD 3 + 5
Local
Brasília (DF)
Início do projeto 2014
Conclusão da obra 2012 (PNUD 3); 2015 (PNUD 5)
Área do terreno 22.500 m²
Área construída 2.500 m² (PNUD 3); 1.752,88 m² (PNUD 5)
Cliente Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
Arquitetura Paulo Bruna, Lúcio Gomes Machado, José Alfredo Queiroz dos Santos, Pedro Collet Bruna e Gabriela Sendyk (autores); Adriana Marcus, Camila Schmidt, Ana Carolina Bertassoni, Dayane Gusso e Rommel Troetsch (equipe)
Gerenciamento e fiscalização UNOPS – Natan Aron Birenbaum
Metálica PCEM Engenharia e Projetos
Estrutura Kurkdjian Fruchtengarten Engenharia (PNUD 3); Perezim Consultoria e Projetos Estruturais (PNUD 5)
Fundações Engeos (PNUD 5)
Ar condicionado Contractors Engenheiros Associados
Elétrica Bin & Alves Engenharia de Projetos
Hidráulica e incêndio Gomes Machado Arquitetos Associados; Planag Engenharia (PNUD 5)
Luminotécnica LIT Arquitetura de Iluminação
Paisagismo Paulo Bruna Arquitetos Associados (PNUD 3); Fabio Mariz (PNUD 5)
Comunicação visual MBD Arquitetura
Orçamento Straub Engenharia
Consultor de Esquadrias Santa Clara
Fotos Nelson Kon

Fornecedores

Cebrace (vidros)
Alcoa (perfis de alumínio)

 

 

Texto de Gilmara Gelinski| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 443
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