FGMF Arquitetos: Edifício Jade, São Paulo

Olhar para a paisagem

Implantado em um terreno retangular e estreito, o edifício residencial assinado pelo FGMF Arquitetos nos Jardins, região nobre da zona oeste da capital paulista, teve arquitetura determinada pelos afastamentos obrigatórios. Os amplos terraços e o uso acentuado de vidro nas fachadas principal e sul caracterizam a construção de 14 pavimentos e permitem mais conexão com o entorno, sem prejudicar a privacidade e o conforto ambiental nos apartamentos

A fachada frontal do edifício Jade, empreendimento da incorporadora e construtora Constrac, recebeu generosas sacadas que, devido à sua localização lindeira à rua, permitem vista mais livre do que o usual no Jardim Paulista, bairro adensado e verticalizado onde a construção está inserida. Também acabam por protegê-la do poente, minimizando o aquecimento passivo.

Essa relação com a paisagem se repete na face sul, com a continuidade dos terraços e a aplicação de painéis de vidro na área social dos apartamentos. Nesse caso, os arquitetos do FGMF tiraram partido do fato de o prédio ao lado estar recuado e haver uma grande área de jardim na frente do terreno. A fachada oposta, no entanto, é mais fechada em razão de sua proximidade com o edifício vizinho. Já a face voltada para o fundo do lote segue a mesma geometria da principal, embora com menor detalhamento no uso dos materiais.

“Como o terreno é muito estreito [60 metros de comprimento por 15 metros de largura], o projeto tem que olhar para fora. Acredito que é assim que se deve construir a cidade. Cada prédio tem um impacto de paisagem importante e se vale dessa paisagem do entorno. Não dá para fazer um prédio sobre uma folha de papel, considerando os limites do lote independentemente do que tem em volta e qual impacto que ele vai ter na insolação dos vizinhos ou a insolação dos vizinhos em relação a ele, as vistas...”, comenta Lourenço Gimenes, que lidera o FGMF junto com Fernando Forte e Rodrigo Marcondes Ferraz.

Com pouca insolação, a fachada sul pôde ter seu fechamento praticamente todo envidraçado sem causar desconforto térmico e luminoso nos interiores. Elementos de compartimentação vertical contra incêndio, as abas que desenham os terraços do edifício, também foram pensadas como recurso estético. Seu revestimento em painéis laminados melamínicos com acabamento em diversos padrões de madeira cria um tipo de grafismo e contrasta com os outros materiais do invólucro, além de ter manutenção mais adequada para uma torre residencial do que a madeira natural.

Apesar de a edificação ter 14 pavimentos - com um apartamento por andar e um dúplex -, essas “molduras” horizontais que as abas criam alternadamente fazem com que ela pareça menor. “Nosso intuito foi fazer um prédio mais discreto propositadamente. A marcação a cada dois terraços dá a ideia de que há menos unidades”, revela Gimenes.

No térreo, elevado 1 metro para evitar escavações abaixo do nível do lençol freático, a estratégia foi projetar uma praça semicoberta, de transição entre a rua e o lobby, evitando os tradicionais halls de empreendimentos imobiliários. O espaço é composto por vegetação, pérgola, espelho d’água e um painel de concreto do artista plástico Fabio Flaks, além de uma pequena cápsula que dá acesso ao elevador.

A parte posterior do lote, por sua vez, tem um volume com pé-direito duplo - onde ficam salão de festas e academia (mezanino) - e que está integrado visualmente à piscina e jardim por imensos painéis de vidro. Os apartamentos variam de 206 a 363 metros quadrados. No primeiro e segundo pavimentos e no dúplex, eles contam com terraços ainda maiores do que os dos pavimentos-tipo.

  
FGMF arquitetos

Fernando Forte (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - FAU/USP, 2002), Lourenço Gimenes (FAU/USP, 2001) e Rodrigo Marcondes Ferraz (FAU/USP, 2001) são os sócios do FGMF Arquitetos, escritório que fundaram em 1999.



Ficha Técnica

Edifício Jade Jardim Paulista
Local
São Paulo (SP)
Área do terreno 900 m2
Área construída 4.200 m2
Início do projeto 2014
Conclusão da obra 2018

Arquitetura FGMF Arquitetos - Fernando Forte, Lourenço Gimenes, Rodrigo Marcondes Ferraz (autores); Ana Paula Barbosa, Sonia Gouveia, Luciana Bacin e Gabriel Mota (coordenadores); Adriana Pastore, Carla Bonfante, Caroline Endo, Fabiana Kalaigian, Fernanda Veríssimo, Rodrigo de Moura, Talita Broering (colaboradores); Frederico Branco, Nara Diniz (estagiários)
Construtora Constrac Construtora e Empreendimentos
Projeto de estrutura e fundações Alleoni Engenharia; Apoio Assessoria e Projeto de Fundações
Projeto de instalações hidráulicas e elétricas CRIARQ Projetos e Gerenciamento; FE Projetos Elétricos Paisagismo Alex Hanazaki
Projeto luminotécnico ARQLUZ Arquitetura e Iluminação
Projeto de interiores Marcia Kalil Climatização e pressurização KSG Projetos
Aquecimento Chaguri Consultoria e Engenharia de Projetos
Painel artístico Fábio Flaks
Fotos Rafaela Netto

Fornecedores

Pormade (portas de madeira); LaFonte (ferragens); Deca (louças e metais); Supermix (concreto); MKA (mármores e granitos); JP Fer (esquadrias metálicas); CSN (aço); Atlas Schindler (elevadores); Jatobá (pastilhas piscina); Cerâmica Portinari (revestimento cerâmico); Pertech do Brasil (revestimentos fachada)

Texto de Camila Gonzalez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 448
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