PERFIL: FGMF Arquitetos

Terraços em descompasso

A relação de proximidade que o escritório FGMF Arquitetos estabeleceu e mantém com a vila Madalena e suas imediações, região oeste da capital paulista - conforme foi aqui observado -, irá estreitar-se ainda mais quando for construído o projeto do Girassol, um dos mais recentes edifícios comerciais desenvolvidos pelo escritório. Dessa vez, a equipe - autora no bairro, entre outros, do Moou, condomínio residencial em implantação na rua Mourato Coelho - criou um conjunto localizado na borda da vila.

A construção do Girassol deve começar ainda neste primeiro semestre. Serão cinco lajes para aluguel, com área de cerca de 500 metros quadrados cada, que poderão ser fracionadas em até quatro salas, pois possuem plantas livres. “É um prédio bastante simples, vizinho de uma vila, com um gabarito de 15 metros”, informa o arquiteto Lourenço Gimenes. Embora tenha sido projetado ainda na vigência do Plano Diretor Estratégico de São Paulo anterior, os arquitetos anteciparam o uso da chamada fachada ativa, condição que o atual plano estimula.

No caso do conjunto, essa escolha permitirá que o térreo, por exemplo, seja alugado para uma loja ou um restaurante - foram essas hipóteses que levaram o estúdio a trabalhar o desenho de forma que a relação com a rua fosse mais aberta. O partido adotado pelo FGMF caracteriza-se pela sobreposição de volumes desalinhados, recurso que, de acordo com Gimenes, permitiu ampliar os espaços de terraços cobertos autorizados pela legislação. No caso do Girassol esses ambientes não são meros artifícios de projeto, mas áreas que efetivamente agregam qualidade às áreas de locação. Além desse espaço externo coberto, as lajes dos pavimentos contam também com terraços descobertos - na definição do FGMF, jardins em patamares, experiência que o estúdio traz do edifício Corujas.

Estruturalmente, os arquitetos fizeram uso de concreto armado em quatro dos cinco pavimentos - as paredes laterais também são estruturais. No quarto andar, eles recorreram à estrutura metálica e no fechamento usaram o policarbonato translúcido. A intenção é destacar o volume que possui balanço mais ousado - por isso a estrutura metálica que, na avaliação de Gimenes, é mais versátil nesse sentido. Nesse andar, as aberturas são também mais generosas. O cronograma fixou como data de conclusão das obras o final de 2019.



Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 443
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