Colunas

MESP e SPHAN/MEC e IPHAN

Na lista de bens reconhecidos como pertencentes ao Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Palácio Gustavo Capanema se destaca. Muito já se escreveu sobre o magnífico edifício, projetado por Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Jorge Machado Moreira, Affonso Eduardo Reidy e Ernani Vasconcelos para servir de sede ao, então recém-criado, Ministério da Educação e Saúde Pública (MESP).

O ministério, assim como o antigo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), são frutos de um mesmo contexto político e social, momento em que se estabeleciam as bases de um novo Brasil, a ser construído a partir da afirmação dos direitos trabalhistas e de reformas do ensino e da educação pública.

O processo de escolha e elaboração do projeto finalmente executado foi tumultuado, mas resultou em obra de inegável valor, sempre festejada como marco inaugural da arquitetura brasileira, diretamente filiada à arquitetura moderna europeia. Em março de 1948, Alcides da Rocha Miranda, arquiteto e servidor do SPHAN, encaminhou a proposta de tombamento do edifício do MESP que foi tombado no mesmo ano.

Desde então, mesmo que em parte esvaziado de suas funções originais, segue servindo de exemplo, não apenas da boa arquitetura de seu tempo, mas da produção de soluções generosas para com o cidadão, sejam elas urbanas, ambientais, estruturais, climáticas, paisagísticas e de integração com as demais artes.

Ciente de suas responsabilidades, o Iphan incluiu o Palácio Gustavo Capanema entre as 424 ações contempladas no Programa de Aceleração de Crescimento para as Cidades Históricas (PAC CH), programa de abrangência nacional, desenvolvido em 44 cidades de 20 estados da federação.

Em função da complexidade da obra e da necessidade de liberação de recursos, os trabalhos de intervenção e restauração no edifício foram divididos em etapas. Foram iniciados pela renovação das infraestruturas; abrangeram a recuperação dos jardins dos dois terraços, ambos projetados por Roberto Burle Marx; abarcaram a restauração de todas as quatro fachadas, incluindo os emblemáticos elementos de proteção solar e, agora, atingem os espaços internos com seus elementos artísticos integrados, como as obras de Cândido Portinari.

Durante o evento de entrega da obra das fachadas do Palácio Capanema, ocorrido em setembro de 2018, o Iphan formalizou termo de cessão de uso do edifício para o 27º Congresso Mundial de Arquitetos, que será realizado na cidade do Rio de Janeiro em 2020. O encontro acontecerá pela primeira vez no Brasil, e volta à América Latina após 42 anos, com a expectativa de receber mais de 15 mil arquitetos de todo o mundo. 

Assim, espera o Iphan inaugurar o processo de devolução do monumento aos brasileiros e à comunidade internacional. Trata-se, sem dúvida alguma, de uma das mais importantes joias que a cultura nacional produziu e que, sempre, nos caberá conservar.


Kátia Bogéa,
nascida em Lagarto (SE), é graduada em História pela Universidade Federal do Maranhão (1984) e especialista em historiografia brasileira e regional pela Universidade de São Paulo (1988). É presidente do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), órgão em que atua desde 1980, inicialmente na Superintendência Regional do Iphan no Maranhão.

Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 446
  • 0 Comentários

ENVIE SEU COMENTÁRIO

Assine PROJETO e FINESTRA!
Acesso completo grátis para assinantes


Quem assina as revistas da ARCO pode acessar nosso acervo digital com mais de 7 mil projetos, sem custo extra!

Assine agora