Arquitetura Nacional: Edifício Praça Municipal 47, Porto Alegre

Placa envolve volume prismático

Uma placa com frente e fundo vazados emoldura o volume prismático e acentua o atraente desenho do Praça Municipal 47, edifício de apartamentos localizado no Cristo Redentor, bairro da zona norte da capital gaúcha. De autoria do estúdio porto-alegrense Arquitetura Nacional, fundado há poucos anos por jovens profissionais locais, o projeto indica que o mercado imobiliário residencial pode ser receptivo e assimilar a criatividade

Nas últimas três décadas, pelo menos, não tem sido no mercado imobiliário de edifícios de apartamentos que o talento dos arquitetos se mostrou em sua melhor forma. Embora excrescências como o modismo neoclássico pareçam estar sendo superadas, não se pode ainda afirmar que a arquitetura imobiliária residencial avançou significativamente. No entanto, nos últimos anos, a assiduidade de boas soluções nas pautas das publicações sinaliza que o segmento está se tornando mais permeável à melhor qualidade arquitetônica. Como outras capitais, Porto Alegre também tem se revelado receptiva a desenhos mais elaborados, de que são exemplos os edifícios Península (leia PROJETOdesign 406, dezembro de 2013), de Cantergiani+Kunze Arquitetos, e Residencial Amélia Telles, do escritório Smart! (embora o primeiro não seja um produto típico do mercado imobiliário). Engrossa, agora, essa fileira o Praça Municipal 47, prédio de apartamentos projetado pelo estúdio Arquitetura Nacional, sediado naquele município.

O edifício foi desenvolvido para um empreendedor que atuava em outra cidade, no segmento de baixa renda, e é proprietário de terrenos no Cristo Redentor, bairro da zona norte de Porto Alegre onde está o Praça Municipal. Conforme relata o arquiteto Marcelo della Giustina, sócio do Arquitetura Nacional, eles receberam o encargo sem que o cliente desse informações precisas sobre o que pretendia (nem mesmo o total de dormitórios), e, assim, decidiram apostar em um projeto que mostrasse a arquitetura na qual acreditam. Se fosse rejeitado, poderiam mudar o foco, ele lembra. A proposta - que veio a se tornar o primeiro projeto construído do escritório - não só foi bem recebida, como abriu caminho para outros trabalhos no mesmo segmento (atualmente em obras, o edifício Fernando Abbott 866, do mesmo empreendedor e no mesmo bairro, é um deles).

Nas áreas mais baixas, o Cristo Redentor teve ocupação industrial (Wallig, Renner e Matarazzo possuíam fábricas ali), mas nas porções mais elevadas predominavam casas em pequenos lotes. Os autores do projeto explicam que o Praça Municipal 47, situado na parte mais alta, é exemplo das atuais transformações nesse perfil, com o surgimento de edificações de média altura no bairro que, próximo do aeroporto Salgado Filho, tem limitação de gabaritos. O edifício, um volume prismático elevado do térreo, é envolvido por uma placa aberta para a frente e o fundo. A implantação aproveita a queda do terreno para alocar a garagem no subsolo. O térreo “desprendido” do corpo da construção fez com que o acesso ao condomínio se tornasse mais aberto, valorizado ainda por uma praça semicoberta que estimula a entrada no hall recuado.

No corpo da edificação, cada andar-tipo possui duas unidades residenciais; no topo, ficam os apartamentos de dois pavimentos, que contam com terraço na cobertura. Os autores garantem que, nas unidades frontais, enxergam-se a planície e o rio, e nas posteriores avistam-se a paisagem do entorno e os morros mais distantes. Os apartamentos possuem os núcleos social e íntimo paralelos. No primeiro, integradas, as áreas de jantar, estar e cozinha são enquadradas pelo amplo vão da esquadria teto-chão. Na outra metade, alinham-se os dormitórios. Nos dúplex, a sala e os dormitórios ficam no piso inferior e a cozinha/jantar estão no patamar de cima, conectados ao terraço.

Para os autores, as esquadrias de madeira em todo o pé-direito valorizam o estar, enquanto no dormitório principal venezianas pivotantes de madeira completam a composição e controlam a iluminação natural. “A articulação entre venezianas e janelas de abertura total cria um jogo anunciado pelo movimento das fachadas principais”, escrevem no memorial do trabalho.


Arquitetura Nacional
Eduardo Maurmann (FAU/UFRGS, 2002), Elen Maurmann (PUC/RS, 2004), Paula Otto (FAU/UFRGS, 2010) e Marcelo della Giustina (FAU/UFRGS, 2010) constituíram o estúdio Arquitetura Nacional em 2010, simultaneamente à construção do Praça Municipal 47, o primeiro de uma série de edifícios residenciais que eles desenvolveram em Porto Alegre



Ficha Técnica

Edifício Praça Municipal 47
Local Porto Alegre, RS
Data do início do projeto 2010
Data da conclusão da obra 2013
Área do terreno 570 m²
Área construída 1.532,50 m²
Arquitetura Arquitetura Nacional - Eduardo Maurmann, Elen Maurmann, Paula Otto e Marcelo della Giustina (autores); Luíza Otto, Lucas Pessatto, Athena Guimarães, Janet Fernández, Ana Paula Restelli, Marco Calheiros, Marjory Bertoldo, Laís Adib, Bruna Tavares, Paula Sassi, Jefferson Scapineli e Jessica Schröder (equipe)
Estrutura Carpeggiani
Elétrica Asolon
Hidráulica Proinst
Mobiliário Faro Design
Construção e incorporação CSR
Fotos Marcelo Donadussi

Fornecedores

ThyssenKrupp (elevadores)
Boa Vista (esquadrias de madeira)
Portobello (pastilhas)

Texto de Adilson Melendez| Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 412
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