28º Opera Prima

Rio carioca

Tamires Baraúna S. Reboisson (autora), Paulo Jardim de Moraes (orientador) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ

Os primórdios da cidade do Rio de Janeiro estão ligados à existência de um rio que viria a se chamar Carioca. Um curso d’água de pouco mais de 7 quilômetros de extensão e que até o século 17 teve papel de destaque no abastecimento hídrico da cidade. Em tempos modernos, contudo, com a transformação urbana local, o rio foi canalizado em diversos setores do seu traçado, que se alonga do Parque da Tijuca à praia do Flamengo.

Trazer à tona o curso d´água e fazer dessa operação uma espécie de memorial (de conscientização ambiental) da história do desenvolvimento do Rio de Janeiro é o intuito do presente trabalho. Propõe-se, assim, a criação de corredores verdes que, por causa das características diversas das áreas lindeiras (na sua nascente, no alto do Parque Nacional da Tijuca, por exemplo, é ainda um rio límpido, enquanto que o seu deságue na Baía de Guanabara, junto ao Parque do Flamengo, ocorre após passagem por uma estação de tratamento de esgoto) têm tipos variados de intervenção.

Em síntese, buscou-se identificar pontos em que a descanalização do rio era não apenas viável, mas, sobretudo, abria potencial de transformação do entorno. Para isso, a autora cruzou dados relativos à canalização com rigorosa observação de campo, fundamentada no levantamento dos aspectos viários, fundiários, patrimoniais, urbanísticos e ambientais.

Identificou, então, nove bolsões a serem conectados entre si no que ela denomina de sistema de espaços livres, cada qual, contudo, com programa e desenho relacionados às características das suas localizações. Derivam desse plano cinco tipos de intervenções: novo empreendimento (um parque escalonado, por exemplo, na subida de um morro) ou revitalização paisagística; novo empreendimento ou revitalização arquitetônica; e, finalmente, a reabertura do rio propriamente dita, o que inclui a criação de equipamentos como chafarizes, fontes, etc.

Este último tipo de ação ocorreria de maneira quase equidistante ao longo do traçado hídrico, em seis pontos. Há um trecho em especial, junto à rua das Laranjeiras, que a autora considera de intervenção emblemática dada a confluência positiva dos fatores observados em seus levantamentos.

A partir da observação dos fluxos de pedestres, das barreiras físicas e visuais existentes, assim como de aglomerações de pessoas e entroncamentos viários, criou-se um zoneamento de tal área, orientativo das novas circulações propostas, travessias, reabertura do rio e da implantação de mobiliário público. Um dos méritos do projeto, assim, é a transição gradual que faz da análise geral para a proposição de uma escala humanizada de intervenção.

PARECER DO JÚRI
Trata-se de tema relevante na atualidade, o da recuperação de cursos d’água soterrados nas cidades brasileiras, que, aqui, tem importância redobrada por tratar-se do rio que deu nome aos nascidos na cidade.


Tamires Baraúna S. Reboisson
Universidade Federal do Rio de Janeiro, RJ

CLIQUE AQUI para baixar a prancha do projeto na íntegra.



Texto de | Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 441
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