TRPC Arquitetos: Cafeteria Coffeetown, Salvador

Intervenção estabelece conversa entre elementos novos e existentes

Imóvel na tradicional avenida da capital baiana estava desocupado e deteriorando. Árvore de médio porte no espaço interno da cafeteria é ponto focal do salão. No teto, claraboia deixa entrar luz natural

A primeira Coffeetown - The American Coffee and Cake em Salvador fica no número 1755 da avenida Sete de Setembro, distrito da Vitória, e teve seu projeto desenvolvido pelo TRPC Arquitetos, escritório soteropolitano fundado em 2017 pelos jovens Adalberto Vilela, Tiago Schultz e Vanessa Sampaio. Situado a cerca de dois quilômetros do Centro Histórico daquela capital, o imóvel foi reconfigurado para receber a cafeteria. Conforme explicam os autores, a reformulação procurou estabelecer diálogo entres elementos existentes e aqueles que foram adicionados na reforma.

Ainda que o nome sugira tratar-se de uma empresa de origem norte-americana (ou inglesa), a Coffetown é uma rede de cafeterias fundada no Brasil, porém com valores ancorados na cultura norte-americana, nos moldes das chamadas cafeterias conceito que começaram a se estabelecer nos Estados Unidos depois do término da Lei Seca, em 1933. Além de, obviamente, servir cafés (de vários tipos e origens), o cardápio das Coffeetown conta com várias sobremesas clássicas da culinária norte-americana – entre elas, cinnamon roll, apple pie, red velvet, e diversos cookies e brownies.

Como nas outras cidades, a loja de Salvador é uma franquia - foram as empresárias exploradoras da marca que confiaram ao TRPC a incumbência de transformar um imóvel (há anos desocupado e já transparecendo consequências do abandono) localizado na tradicional avenida (conhecida como corredor cultural de Salvador) na loja pioneira da Coffetown que, de acordo com Vilela, estabeleceu-se como espécie de loja conceito da marca. O arquiteto conta que, desde o início, as clientes manifestaram a vontade de contar com uma árvore na ambientação, que deveria ser o ponto focal do salão.

Para acomodá-la foi preciso demolir parte da laje do primeiro pavimento criando espaço com pé-direito duplo capaz de abrigar a sua copa, explica Vilela. Além do rasgo na laje, outra importante intervenção na construção ocorreu na cobertura onde foram instaladas claraboias que complementam a iluminação natural. O salão térreo conta com uma mesa coletiva, posicionada debaixo da árvore. Encostado na parede à direita da entrada, fica um sofá de couro, defronte para o qual estão mesas mais baixas para duas e quatro pessoas - no lado oposto, mais ao fundo e alinhado a escada que conduz ao mezanino, fica o balcão do barista.

“Para dar acesso ao mezanino, foi instalada uma escada metálica com degraus em madeira que levam a outro salão com mesas, um lounge com sofás e poltronas e um sanitário. A iluminação dessa área é composta de luminárias em trilho, letreiro neon e 95 pendentes que dominam o espaço, formando uma constelação acima do salão”, descreve Vilela.

Para abrigar o sanitário térreo, os arquitetos propuseram um volume que serve simultaneamente como barreira visual para o salão e quadro-negro ao fundo do balcão do barista onde fica exposto o cardápio. “Esse sanitário é um espaço voltado para todos os gêneros e adequado para pessoas com deficiência. Vimos a adequação do espaço não como limitação, mas como oportunidade de explorar novas percepções. Assim, o sanitário foi concebido de maneira criativa proporcionando nova experiência a todos, independentemente da sua condição”, acrescenta Vilela.

No espaço, continua o arquiteto, foi explorada a estética da Optical Art, através da criação de um grid em preto e branco. Todas as superfícies foram revestidas com pastilhas cerâmicas e, no teto, foi instalado um espelho que “duplica” o pé-direito e brinca com a percepção dos limites do espaço. “Nesse contexto, as barras de acessibilidade se integram aos demais metais pretos criando silhuetas gráficas em meio ao grid dos planos. A ideia é proporcionar uma experiência semelhante a todos os usuários e gerar igualdade na diferença”, justifica o sócio do TRPC.

O sanitário do mezanino segue a mesma estética, porém explorando outro tipo de percepção do espaço. “Ali, o grid de pastilhas cerâmicas serve como plano de fundo para um jogo de reflexos que coloca o observador em um quadro emoldurado por um jardim vertical. Esse efeito é proporcionado pela integração visual entre o sanitário e a área de iluminação em frente, através de uma abertura sobre a pia. O espelho, localizado em uma parede externa no jardim, reflete a abertura do sanitário e maximiza a entrada de luz natural, integrando o interno e o externo. O reflexo do grid no espelho cria ilusão de profundidade que dilata o espaço e estimula a participação do observador”, observa Vilela.



Ficha Técnica

Cafeteria Coffeetown
Local Salvador
Início do projeto 2017
Conclusão da obra 2018
Arquitetura, interiores e paisagismo TRPC Arquitetos - Adalberto Vilela, Tiago Schultz, Vanessa Sampaio (autores)
Área do terreno 267,10 m2
Área construída 281 m2
Fotos Manuel Sá

Fornecedores

By Kamy (carpetes)
Gail (piso da cozinha)
Glight (lâmpadas)
Desmobiliia, Artesiaan (mobiliário e cadeiras)
A. A. Dos Santos (pedras)
Granluz (mármores e granitos)
Ceusa, Porto Design (revestimentos)
Deca (louças e metais)
Suvinil (tintas)
Salvador Neon Comunicação (neon)

Publicada originalmente em ARCOweb em 22 de Agosto de 2018
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