Brasil Arquitetura: Terreiro de Oxumarê, Salvador

Intervenção em três núcleos

Além das cerimônias religiosas, o Oxumarê é também um local de congregação social, reunindo de crianças a idosos que habitam nas redondezas

Um dos mais antigos e tradicionais terreiros de candomblé da Bahia, o Ilê Axé Oxumarê, completou, em 2016, 180 anos de existência - em 2004, o terreiro foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) em reconhecimento à sua importância como patrimônio da cultura afro-brasileira. Um ano antes, em 2013, seu tombamento já tinha sido aprovado pelo Iphan, o Instituto do Patrimônio Cultural e Artístico Brasileiro, juntando-se a outros seis terreiros que desde 1984 começaram a estar sob a proteção do órgão federal.

Este projeto de preservação física e melhoramento da infraestrutura do terreiro foi concebido pelo escritório Brasil Arquitetura, e é dividido em três núcleos, ou fases de implantação, correspondentes aos trechos de inclinação do lote: a requalificação do platô central, com a ampliação do espaço de culto e melhorias de conforto e acessibilidade às construções adjacentes; a construção de um novo edifício na zona superior, para abrigar uma cozinha industrial, dormitórios e a administração; e, por fim, outra nova edificação no nível inferior, a Casa das Artes, destinada a sediar os projetos sociais e culturais empreendidos pela instituição.

O arquiteto Marcelo Ferraz, titular do Brasil Arquitetura, observa que é importante a vertente educacional das atividades exercidas no local. “O terreiro é como toda escola deveria ser”, assinala, referindo-se ao convívio entre as anciãs que residem no Oxumarê e as crianças a quem elas transmitem oralmente, também através do canto, o conhecimento sobre a cultura afro-brasileira, assim como à liberdade no usufruto dos espaços, inclusive os externos - o terreiro está localizado em lote densamente arborizado que, no entanto, tem sofrido invasões de terra em anos recentes.

No cotidiano da instituição, a cozinha é o ambiente de congregação (são servidas refeições para os moradores e frequentadores e, por isso é necessário criar uma cozinha industrial) e os cultos religiosos podem chegar a reunir público da ordem de 2 mil pessoas.

A materialidade do projeto é bastante simples, repercutindo em orçamento enxuto de obra, cujo custo está estimado na faixa de 8 a 10 milhões de reais - o projeto está, atualmente, em fase de candidatura para beneficiar-se da Lei Rouanet. As vedações foram idealizadas em alvenaria convencional, com revestimento pigmentado na cor de tijolo, e foi criado um cobogó especialmente para o projeto.

Este projeto foi selecionado para participar da exposição do pavilhão brasileiro na 16ª Mostra Internacional de Arquitetura da Bienal de Veneza, que irá ocorrer de 26 de maio a 25 de novembro de 2018.



Ficha Técnica

Terreiro de Oxumarê
Local Salvador, BA
Início do projeto 2017
Área do terreno 4.020 m2

Arquitetura Brasil Arquitetura - Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz (autores) Roberto Brotero (coautor); Anne Dieterich, Cicero Ferraz Cruz, Gabriel Mendonça, Julio Tarragó, Laura Ferraz, Luciana Dornellas, Pedro Renault e William Campos (colaboradores); Gabriel Carvalho, Guega Rocha Carvalho, Heloisa Oliveira e Juliana Ricci
(estagiários)

Publicada originalmente em ARCOweb em 05 de Março de 2018
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