Terra e Tuma Arquitetos Associados: Casa João de Barro, Itatiba, São Paulo

Honra à natureza

Em Itatiba, a casa em U foi implantada no terreno em declive – composição topográfica da qual o projeto tirou partido – e teve programa setorizado de acordo com as vistas que seriam proporcionadas: tanto em relação ao entorno quanto entre os próprios ambientes

Evitar o movimento de terra e se deixar guiar pela formação topográfica original do lote foi uma das premissas para a equipe do Terra e Tuma Arquitetos Associados. Reconhecidos pela execução de projetos que trazem traços humanistas e abordam preocupações que extrapolam a esfera construtiva propriamente dita, a moradia é parte integrante do que a cerca: “O projeto que desenvolvemos teve como ponto de partida a inclusão da casa em seu entorno e paisagem (...). O desejo do jovem casal era de uma casa junto à natureza para desfrutarem o tempo livre em companhia dos filhos, com espaço para receber seus amigos e familiares”, revelou a equipe do escritório.

A implantação, portanto, assenta sobre o terreno a partir de sua execução em U, de modo que o acesso principal – de moradores e visitantes – vence, aproximadamente três metros de desnível a partir do nível da rua. O percurso, que já se faz convidativo pela dispensa de portões ou gradis, abre-se ao pátio principal da casa, onde uma piscina – que delicadamente recebeu uma “prainha” para o verão e, ao mesmo tempo, um espelho d’água para o inverno – delimita o caminho para os espaços internos.

A moradia teve área técnica - que inclui copa e cozinha - separada dos ambientes íntimos através das salas de estar e jantar. Assim, a implantação passou a assumir o formato em U - sendo a área comum a haste horizontal da referida letra e seu “vazio central”, o pátio externo. Essa geometria também faz jus à orientação solar e confere, a todos os ambientes, aberturas que olham para as faces mais iluminadas. Os quartos recebem a luz da manhã, enquanto salas e cozinha compartilham as melhores vistas para o entorno e permanecem com excelente iluminação inclusive durante o inverno.

Como parte expressiva do conceito, os materiais também são ponto chave para permeabilidade visual desejada, tanto para conquista do entorno quanto para visualização das elevações internas da casa, bem como as diferentes atividades realizadas nos ambientes comuns – é o caso da aplicação de fechamentos em vidro e a execução da parede, que dá para o pátio, em cobogós, ocultando parcialmente parte da área técnica.

A laje, quase alinhada ao nível da rua, foi executada em espessura de maior dimensão para receber a camada de substrato - somada à impermeabilização e argila expandida - e funcionar como cobertura verde para controle térmico da residência, tendo acesso por uma estreita ponte que parte da própria calçada. A área permeável ainda se estende para os fundos do terreno – ponto parcialmente nivelado a partir da movimentação de terra proveniente do corte realizado na frente do lote - e, somada a ela, pátio central e varanda, aos fundos, configuram os espaços de convivência ao ar livre tão desejados pela família.

Com a intenção de criar um refúgio que, ao mesmo tempo, funcionasse como uma transição entre cidade e entorno, a laje, como dito, fez-se como cobertura verde que configura, por sua vez, uma clareira na região do pátio central, dando continuidade à vegetação densa nos fundos e laterais, remetendo à formação de Mata Atlântica também presente nos arredores: “Nos fundos, foi inserida vegetação exuberante, que contempla espécies de bastante folhagem e inclui bananeiras e outras frutíferas. Para fazer o fechamento, plantas comestíveis, como mandioca e cana-de-açúcar, estão ao lado da cozinha e emendam nas espécies dos fundos, obtendo-se assim um jardim biodinâmico, ecologicamente integrado e de admirável beleza cênica”, conta a arquiteta paisagista Gabriella Ornaghi, do Gabriella Ornaghi Arquitetura da Paisagem.

“Foi um processo muito legal, pois fomos contratados desde o início do projeto e, inclusive, participamos de decisões, como inserção da casa no lote, estudo de corte e aterro. No fim, o projeto não foi executado na íntegra devido ao custo – que incluía muros de arrimo nos fundos para finalização - porém o resultado permanece muito satisfatório”, continua Gabriella Ornaghi. A arquiteta paisagista ainda explica: “Também especificamos os pisos externos, que se resumiu em cacos grandes da pedra Goiás verde. Na calçada, foi trabalhada com grama. No pátio e fundos, nossa ideia foi assentá-la para tornar os locais secos e alcançar o efeito de ‘prainha’ [no primeiro]”.



Ficha Técnica

Casa João de Barro, Itatiba, SP
Ano de início do projeto
 dezembro 2016
Ano de conclusão julho 2018
Área do terreno 1250 m²
Área construída 265,90 m²

Arquitetura Terra e Tuma Arquitetos Associados - Danilo Terra, Pedro Tuma, Fernanda Sakano, Juliana Terra, Bárbara Fernandes
Paisagismo Gabriella Ornaghi Arquitetura da Paisagem
Construtora PHL engenharia
Estrutura Guilherme Basílio Vick
Fotos Pedro Kok

Fornecedores

Metaltec Esquadrias (esquadrias de alumínio)
Reka Iluminação (luminárias)
Dalle Piagge (ladrilhos hidráulicos)
Alumbra (linha Inova)
Deca (louças e metais)
Neo Rex (elemento vazado concreto)
Amest (lareira ecológica)
Metavila (forno de pizza)

Publicada originalmente em ARCOweb em 17 de Maio de 2019
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